perspectivas

Quarta-feira, 24 Outubro 2012

Longe vá o agoiro, Eduardo Cintra Torres!

A legalização da prostituição é um assunto melindroso em sociedades como a portuguesa. Por um lado, uma forte corrente na opinião pública, com expressão no poder político há décadas, não a considera uma actividade profissional, baseando-se em critérios de moral aceitáveis, se bem que discutíveis; por outro lado, a prostituição e outras actividades decorrentes, como as referidas no vídeo, comparam-se efectivamente, numa lógica económica e social, a uma troca de serviços a troco de pagamento, como milhões de outras trocas comerciais.

via [483.] Trabalho sexual é trabalho- A Escolha do Editor – Jornal de negócios online.

Eduardo Cintra Torres diz que os critérios morais preponderantes na sociedade portuguesa acerca da prostituição “são discutíveis”. Bom, em princípio tudo é discutível: até a logomaquia de Eduardo Cintra Torres é discutível, embora eu só me dê ao trabalho de a discutir aqui porque ele a escarrapachou nos me®dia.

A logomaquia é, por definição, ambígua e ambivalente. Diz que sim e que não, alternadamente. Diz que quer o sim dizendo que não. Diz que, afinal, o sim anda lá próximo do não; e que, se formos a ver bem a coisa, o sim é igual ao não. E que tanto faz o sim como o não, e que ninguém tem nada a ver com isso. Direitos iguais para os excluídos morais. Vale tudo, até arrancar olhos. Com o mal dos outros, posso muito bem. Etc..

Eduardo Cintra Torres considera que a verdade da tautologia é sempre verdadeira; como, por exemplo, “subir para cima”: subir para cima é sempre verdadeiro, e por isso é que, segundo ele e Marcuse, a verdade tautológica é verdadeira. Ou a tautologia verdadeira é a verdade. Ou seja, se afirmarmos que uma proposição é verdadeira sem o ser, a própria tautologia transforma-a em verdade. Neste aspecto, como em muitos outros, Marcuse aproxima-se Goebbels: “uma mentira mil vezes repetida torna-se numa verdade”.

Eu não sei de Cintra Torres tem filhas. Provavelmente, e a julgar pela logomaquia, não tem. Mas se tivesse filhas, possivelmente teria netas; e bisnetas. Longe vá o agoiro.

About these ads

Deixe um comentário »

Ainda sem comentários.

RSS feed para os comentários a este artigo. TrackBack URI

AVISO: os comentários escritos segundo o AO serão corrigidos para português.

Please log in using one of these methods to post your comment:

WordPress.com Logo

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Log Out / Modificar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Log Out / Modificar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Log Out / Modificar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Log Out / Modificar )

Connecting to %s

The Rubric Theme Blog em WordPress.com.

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.

Junte-se a 445 outros seguidores