perspectivas

Quinta-feira, 18 Outubro 2012

Portugal está já em estado de guerra mitigada

Filed under: Política,Portugal — orlando braga @ 3:03 pm
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Há cerca de um ano, um membro do governo de Angela Merkel declarou publicamente que a Grécia deveria vender as suas ilhas para pagar a sua dívida [à Alemanha]. Se isso acontecesse há 70 anos atrás, essa declaração do ministro alemão seria interpretada como uma declaração de guerra da Alemanha à Grécia.

Não me admirava absolutamente nada que um governante alemão viesse dizer em público, por exemplo, que Portugal deveria alienar a sua soberania em relação às ilhas da Madeira e dos Açores para pagar a sua dívida. Quem afirmou uma coisa parecida em relação à Grécia, também o pode afirmar em relação a Portugal. Portanto, em termos práticos, Portugal está em um estado de guerra mitigada: para ser uma guerra propriamente dita, só falta a invasão militar estrangeira e a ocupação do território nacional.

Neste contexto de guerra mitigada, o programa de Passos Coelho, manifesto neste orçamento-de-estado, é o de derrotar o país. Quando um país têm crescimentos negativos sucessivos e paga taxas de juro na ordem dos 4%, não tenhamos dúvidas nenhumas que o país está em guerra. E Passos Coelho e o seu governo constituem a Quinta Coluna do inimigo que nos move a guerra.

Este orçamento-de-estado pode ter uma função positiva: o de permitir um golpe-de-estado que retire Portugal do Euro. Se, para pagar uma dívida com juros usurários, o povo tem que passar fome, então mais vale não pagar a dívida mesmo que o povo tenha que passar fome. Mal por mal, mais vale não pagar a dívida; e então teremos uma guerra a sério.

A ler: Como é que Portugal sai do Euro com o mínimo de problemas?

A “ajuda” da Troika, que consiste em empréstimos com juros usurários de 4% ao mesmo tempo que se espera que o PIB português decresça em 2013 em cerca de 5% — essa “ajuda” existe para que a dívida seja paga com “língua de palmo”. Por este caminho, vai chegar o momento em que compensará dizer aos credores: “não pagamos mais nada!”. E com a Casa da Moeda a trabalhar em pleno, e já que estamos na desgraça, e estamos, ao menos mandamos os credores “tomar onde apanham as galinhas”!

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1 Comentário »

  1. Tem mais que razão o caro Orlando.
    De facto, uma de duas: ou temos um governo ou temos uma comissão liquidatária.
    Se temos um governo digno desse nome, ele terá que ser capaz de encontrar forma de negociar com os nossos algozes uma forma de eles receberem mesmo o seu dinheiro sem, por via disso, nos matarem à fome; penso que será do mais elementar bom senso fazer-lhes ver que, assim, não vão receber um chavo.
    E, se insistirem, então só nos restará dizer-lhes que vamos passar fome, sim, mas vamos passar a fome que decidirmos e não a que nos querem impor; aí eles vão mesmo ceder, que o que querem mesmo é receber o “deles” e as aspas são pela usura a que estamos sujeitos.
    Se de tal não forem capazes, só vejo uma solução: o PR substituir toda a equipa governativa dentro do mesmo quadro constitucional para evitar eleições, o que seria catastrófico neste momento.
    Cumpts

    Comentário por Inspector Jaap — Quinta-feira, 18 Outubro 2012 @ 4:49 pm | Responder


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