Os prisioneiros de delito comum detinham as funções de Kapo e responsabilidades menores em várias áreas do campo de concentração. Portanto, tinham um tratamento especial, quando comparado com o tratamento que era dado pelos nazis aos presos políticos.
A determinada altura, os presos políticos organizados fizeram constar, entre os nazis, que poderiam contribuir para fazer melhorar o funcionamento do campo de concentração. E as SS nazis confiaram, aos presos políticos organizados, toda uma série de acções dentro do campo que não só reduziram o desperdício, mas também melhoraram as condições de habitabilidade dos próprios presos políticos.
Verificamos, assim, que os presos políticos de Buchenwald colaboraram com os seus verdugos nazis para que beneficiassem, por um lado, de alguma margem de liberdade dentro do campo de concentração, e por outro lado conseguiram alguns ganhos nas suas condições de vida.
Ora, esta colaboração dos presos com os nazis foi uma espécie de resistência política, porque permitiu aos presos políticos a sua sobrevivência nas melhores condições possíveis.
Sobreviver à acção sistemática do agressor é resistir-lhe.

Ressalvando as devidas distâncias, o Portugal de Passos Coelho é uma espécie de Buchenwald.














