perspectivas

Quarta-feira, 17 Outubro 2012

Carlos Fiolhais é bem-vindo à realidade complexa

Filed under: Política,Quântica — orlando braga @ 10:37 am
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1/ Uma das características do Positivismo é a mutilação e a simplificação da realidade. Ora, o Carlos Fiolhais compara aqui o Paulo Portas com a teoria complexa do gato de Schrödinger — só que, em função da sua visão positivista, a interpretação que o Carlos Fiolhais dá do fenómeno do gato de Schrödinger é simplista e mutilante.

2/ No fenómeno do gato de Schrödinger, o gato não está em um “estado misto” — ao contrário do que o físico e académico Carlos Fiolhais afirma. O que existe, no caso do “gato”, é a possibilidade de o gato estar morto, ou estar vivo. Não existe, portanto, um estado definido (“estado misto”, como ele diz: um “estado misto” não deixa de ser um “estado definido”; por isso é que a quântica lhe chama um “vector de estado”, porque um “vector de estado” indica a possibilidade de algo acontecer, e não a sua existência efectiva e real).

O “gato” — neste caso, metaforicamente e segundo Carlos Fiolhais, é Paulo Portas — não “está vivo e morto ao mesmo tempo”, ao contrário do o professor diz: apenas existem as possibilidades de ele estar morto ou estar vivo. E a possibilidade, por definição, estabelece-se a si mesma com o devir complexo do fenómeno da passagem do tempo, fotão a fotão.

3/ Por outro lado, a observação (a verificação empírica) não é necessariamente a validação da verdade, porque o conceito de “verificação empírica” não é, ele próprio, verificável:

A realidade percebida pelos nossos sentidos não entra no nosso cérebro da mesma forma que as imagens exteriores marcam uma chapa fotográfica: o nosso cérebro não é um “balde” onde são depositadas as imagens (e respectivos conceitos) oriundos da realidade exterior e mediante os nossos sentidos. Em vez disso, existe uma teoria a priori (um software implantado no cérebro) que interpreta essas imagens e a realidade. E cada teoria a priori dá lugar a interpretações da realidade.

Isto significa que se abrirmos a caixa e verificarmos o gato morto, e se tornarmos a fechar a caixa e a voltarmos a abrir, o gato pode reaparecer vivo em função da complexidade da realidade e da miríade de possibilidades quânticas que determinam a passagem do tempo, fotão a fotão.

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