perspectivas

Domingo, 7 Outubro 2012

A importância da tradição na democracia

Pelas notícias que tenho, no dia 5 de Outubro p.p. — mais uma vez e como sempre tem feito — o Rei cumpriu.

Vivemos uma ilusão de liberdade. Os meios de comunicação social públicos e privados (os me®dia) alternam sistematicamente entre a pseudo-informação e a sub-informação. A pseudo-informação é a propaganda política à laia de jornalismo (a narrativa ideológica politicamente correcta); e a sub-informação é a censura mitigada que torna invisíveis os acontecimentos sociais e políticos que, de alguma maneira, contrariem o objectivo da pseudo-informação.

Infelizmente, não pude estar presente no Palácio da Independência em Lisboa, e pelo que me dizem (porque eu praticamente não vejo televisão), as televisões boicotaram o evento; segundo se refere, apenas meia dúzia de jornais falaram nele em pequenos apontamentos.

Ficou claro que, pelo facto de os meios de comunicação social (e principalmente as estações de televisão) serem controlados por privados, isso não significa necessariamente maior liberdade de expressão. A liberdade de expressão decorre de uma tradição, e num país em que as tradições, em termos gerais, são sistematicamente desprezadas e mesmo perseguidas pelas elites, não admira que a liberdade em geral, e a liberdade de expressão em particular, sejam maltratadas.

De nada vale a um país dispôr de meios de comunicação social privados se não existir essa tradição de liberdade de expressão.

Vivemos uma ilusão de liberdade. Os meios de comunicação social públicos e privados (os me®dia) alternam sistematicamente entre a pseudo-informação e a sub-informação. A pseudo-informação é a propaganda política à laia de jornalismo (a narrativa ideológica politicamente correcta); e a sub-informação é a censura mitigada que torna invisíveis os acontecimentos sociais e políticos que, de alguma maneira, contrariem o objectivo da pseudo-informação.

Dos cinco partidos políticos com assento no parlamento, apenas um deles é claramente soberanista: o Partido Comunista. O Bloco de Esquerda, o Partido Socialista e o Partido Social Democrata são partidos que defendem, mais ou menos dissimuladamente, o fim de Portugal como país. Quanto ao CDS/PP, não tenho a certeza daquilo que realmente pretende.

Por exemplo, quando José Pacheco Pereira defendeu um referendo ao Tratado de Lisboa, fê-lo para que não se pudesse, mais tarde, invocar a traição da classe política republicana — e não por qualquer outra razão senão esta. Foi ele, talvez, o único político português com algum rebate de consciência.


A ruling class (as elites) deste país têm a certeza do futuro; estão absolutamente convencidas de que o vento sopra sempre para o mesmo lado; e de que os ventos da História não mudam. E imbuídos dessa fé metastática, as elites agem de acordo com esse futuro que é considerado como certeza absoluta. E todas as ideias que não vão ao encontro dessa certeza absoluta da imanência de um determinado futuro, são censuradas e vedadas ao povo.

A república começou com violência extrema e procura agora um estertor violento. A república nunca aceitará o reconhecimento do fim do seu ciclo histórico sem recurso à violência que estiole a nação. A violência faz parte do código genético da república: não é possível concebê-la sem violência.

No cerne dessa violência antidemocrática republicana está “esta” maçonaria que temos, e que, alegadamente, se diz “democrática” — na mesma medida em que, por exemplo, o Bloco de Esquerda se diz democrático pautando-se pelo ideário totalitário marxista.

Esta maçonaria defende a tradição no seu seio mas tende a proibir a tradição na sociedade — incluindo a tradição da liberdade. Para a maçonaria, a tradição é uma prerrogativa dos eleitos e dos Pneumáticos actuais, e a sociedade é o espaço dos Passos Perdidos da realidade. O sagrado da maçonaria transforma a sociedade, em geral, em espaço e tempo profanos e, por isso, indignos de acesso a qualquer tradição.

A ilusão de liberdade advém desse poder monolítico e esconso e dos seus aliados dialécticos — aqueles aliados que alinham pelo mesmo lado da trincheira, embora não se misturem. Só que essa trincheira só existe para eles; é apenas produto do seu delírio interpretativo. Eles cavaram, por moto próprio, uma trincheira contra a realidade e concebem a liberdade apenas no seu lado dessa trincheira.

E a sociedade assiste, atónita e perplexa, a uma “codificação da liberdade”, quando sabemos que a liberdade não provém de uma codificação escrita, mas em vez disso provém da interiorização colectiva de uma determinada mundividência que concebe “o outro” em dogma, e que transforma tudo o que ameace a existência do “outro”, em tabu. A tradição não vem escrita em nenhuma Constituição ou código; a liberdade não se escreve: em vez disso, prescreve quando se impõe por sua natureza, e quando retira a legitimidade política a quem pretenda codificá-la de qualquer modo.

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