No futuro, o ensino será muito diferente do que é hoje. Os nossos descendentes olharão para o nosso ensino com a mesma perplexidade que sentimos quando olhamos para o ensino de há apenas um século, quando era comum bater desalmadamente nas crianças, chegando a fazer sangue.
E qual é o futuro do ensino? Lamento dizê-lo, mas no futuro do ensino, os professores desaparecem. O que terá pelo menos a vantagem maravilhosa de acabar com os muitos discursos hipócritas de quem publicamente parece defender o ensino, mas na verdade está apenas a defender o seu tacho e a sua corporação.
Desaparecem porquê? Porque os professores, na maioria dos casos, não fazem coisa alguma que contribua para a formação dos alunos. Nada fazem que os alunos, seguindo a sua curiosidade natural, não fariam sozinhos, lendo.
O raciocínio libertário é extremamente perigoso porque entra quase sempre em interpretação delirante acerca da realidade; e quando esse raciocínio libertário é exercido publicamente por um académico ou por um professor universitário, a minha opinião é que deve ser reprimido com todos os meios possíveis (incluindo a exoneração, sumária e sem apelo, do académico).
Repare-se que Desidério Murcho, o autor desta pérola, é professor universitário de filosofia!
1/ Neste caso, separa-se radicalmente “ensino”, por um lado, e “educação”, por outro lado. Para o Murcho, o professor não tem nada a ver com a educação dos seus alunos.
2/ Depois, o Murcho parte do princípio segundo o qual o aluno deve ser entregue a si próprio. Por exemplo, se o aluno não quiser ir à escola e preferir ir jogar futebol, então não vai! — em nome da autonomia radical do indivíduo.
Se aquela merda — não tem outro nome! — fosse escrita por um militante do Bloco de Esquerda, tipo Daniel Oliveira, era mau mas não era grave. Daniel Oliveira não tem a autoridade de direito que, em princípio, um professor universitário deve ter.
O Murcho, fazendo jus ao seu nome, não deve certamente ter filhos. Porque se tivesse filhos saberia que a sua tese da “autonomia radical da criança” é, para além de uma receita para o desastre social, uma utopia delirante. Falta-lhe certamente a prática que qualquer murcho não tem.
3/ A especialização no mundo trabalho não dispensa os professores, assim como a divisão do trabalho que se seguiu à revolução industrial não dispensou os professores. A função do professor é sempre complementar a realidade da aprendizagem (ensino) do aluno, por um lado, para além da função de complemento da educação, por outro lado. Naturalmente que um adulto é difícil de educar, mas estamos aqui a falar de crianças.
4/ O Murcho confunde a “má organização do sistema de ensino” com “não-necessidade de professores”.
5/ O pensamento do Murcho, para além de murcho, chega a ser repugnante. Aliás, na Natureza, tudo o que é murcho é desagradável.
O discurso murcho do Murcho repugna pela “selecção natural” — ou darwinismo social — que lhe está explicitamente subjacente. É um raciocínio altamente ideológico e, por isso, irracional. Vindo de um professor de filosofia, é um pensamento miserável.
“Sem a educação e o ensino para todos, somos colocados numa situação horrível e de perigo mortífero de termos que levar a sério as pessoas cultas”. — G. K. Chesterton















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