Eu tenho horror à inverdade histórica — seja de direita, de esquerda, do centro, ou do norte e dos quatro pontos cardeais. A desconstrução da História repugna-me, e essa é uma das razões por que sou um crítico dos média (ou me®dia ).
Afirmar que “o absolutismo monárquico nunca existiu em Portugal” é uma inverdade.
É claro que o absolutismo monárquico português foi importado de França, e por isso não era genuíno, ou seja, não possua a sua matriz original perversa e francesa. Mas pela mesma ordem de ideias, quem diz que “o absolutismo monárquico nunca existiu em Portugal”, também terá dizer que nunca existiu república em Portugal — porque a república é um fenómeno exógeno a Portugal e também foi importado de França.
Iludir os factos nunca foi boa política. Em vez disso, há que enfrentá-los. O discurso político asséptico e simultaneamente apologético, branqueador da História, é próprio do movimento revolucionário, e não da tradição portuguesa.














