perspectivas

Segunda-feira, 24 Setembro 2012

Um professor de Princeton diz que “a ciência é aquilo que se quiser”

“The renowned philosopher Karl Popper coined the term “demarcation problem” to describe the quest to distinguish science from pseudoscience. He also proposed a solution. As Popper argued in a 1953 lecture, “The criterion of the scientific status of a theory is its falsifiability.” In other words, if a theory articulates which empirical conditions would invalidate it, then the theory is scientific; if it doesn’t, it’s pseudoscience.

That seems clear enough. Unfortunately, it doesn’t work. Epistemologists present several challenges to Popper’s argument. First, how would you know when a theory has been falsified? Suppose you are testing a particular claim using a mass spectrometer, and you get a disagreeing result. The theory might be falsified, or your mass spectrometer could be on the fritz. Scientists do not actually troll the literature with a falsifiability detector, knocking out erroneous claims right and left. Rather, they consider their instruments, other possible explanations, alternative data sets, and so on. Rendering a theory false is a lot more complicated than Popper imagined—and thus determining what is, in principle, falsifiable is fairly muddled.”

via Separating the Pseudo From Science – The Chronicle Review – The Chronicle of Higher Education.

O cidadão comum deveria começar a estar mais preocupado, não só com a elite académica em geral, mas sobretudo com a comunidade dos investigadores científicos em particular. Existe hoje, nas universidades, uma deriva cientificista tão forte e a tal ponto, que um energúmeno com um alvará em História defende aquela tese supracitada, e ninguém contesta. E não nos esqueçamos que essa “tropa” académica faz as suas “investigações científicas” com o dinheiro dos contribuintes; e essa é mais uma razão para sabermos o que eles pensam acerca da ciência.

Um professor de História da universidade de Princeton (a mesma universidade onde Peter Singer dá lições de bio-ética), de seu nome Michael D. Gordin, diz que o princípio de falsicabilidade de Karl Popper está errado, e que não é possível definir o que é ciência ou não, por intermédio desse princípio. Karl Popper deu um exemplo chão do que consiste o princípio da falsicabilidade, como segue:

  • Alguém faz a seguinte proposição: “todos os cisnes são brancos”, e pretende que esta sua proposição seja objecto de investigação científica [no sentido de se apurar a verdade objectiva sobre a proposição]. Porém, diz Karl Popper, é preciso saber se esta proposição é falsificável (passível de refutação empírica), para que possa ser objecto de investigação científica. E basta que alguém demonstre empiricamente que existe, pelo menos, um cisne negro, para que então a proposição seja falsificável (refutável) e possa ser investigada pela ciência.

O professor de História de Princeton segue o raciocínio “anti Karl Popper” de Lakatos e de Feyerabend, de que falarei mais adiante. Entretanto, utiliza um argumento estapafúrdio, que é o seguinte [tradução livre]:

« ¿Quando é que nós sabemos que uma teoria já foi falsificada? [pretérito perfeito]. Suponham que alguém está a testar uma teoria ou uma proposição qualquer, utilizando um instrumento de medida, e o resultado da medição não condiz com o resultado previsto pela teoria. A teoria deve ter sido já falsificada, ou o instrumento não está a funcionar devidamente.

Os cientistas não andam às voltas, por aí, com um “detector de falsicabilidade”, para saber o que já foi sujeito a refutação, ou não. Em vez disso, tomam apenas em consideração os seus instrumentos, outras possíveis explicações, conjuntos de dados alternativos, etc.»

Reparem bem no raciocínio… o historiador de Princeton contrapõe (compara) duas coisas que não devem ser colocadas num mesmo plano de valorização analítica (falácia lógica): o instrumento de medida, por um lado, e a teoria a testar, por outro lado.
Depois, e ainda segundo o historiador de Princeton, se alguém se lembrar, por exemplo, de uma teoria segundo a qual “os peixes evoluíram directamente dos dinossauros em apenas seis mil anos”, os cientistas não têm que andar por aí às voltas com com um detector de falsicabilidade para saber se esta teoria já foi sujeita a refutação, ou não: ou seja, o historiador de Princeton ignora a característica científica metodológica de “modus ponens” [epistemologia].

Karl Popper defendeu a ideia segundo a qual é irracional ignorar uma evidência falsificadora de uma teoria. Por exemplo, se se tornar evidente, após verificação empírica, que “os peixes não evoluíram directamente dos dinossauros em apenas seis mil anos”, esta evidência que refuta a “teoria dos peixes/dinossauros” não deve ser, segundo Karl Popper, ignorada.

Para contradizer Karl Popper, Lakatos entrou pela semântica adentro (falácia lógica). Dizia este que Karl Popper não fazia a distinção entre “refutação”, por um lado, e “rejeição”, por outro lado; e que essa distinção deveria ser feita. Dizia Lakatos que se deve permitir que uma teoria seja sempre sustentada mesmo que exista nela um “oceano de anomalias” (sic) — [por isso é que o darwinismo ainda é válido]. Conclui-se que, segundo Lakatos — e em oposição a Karl Popper —, a “teoria dos peixes/dinossauros” é, portanto, válida do ponto de vista científico.

Segundo o critério de Lakatos, esta minha proposição, que se segue, também pode ser considerada como objecto de investigação científica : “os deuses falam grego”. Ou a teoria de Hawking, segundo a qual “o universo surgiu do Nada”, também é, segundo Lakatos, cientificamente válida.

Ou seja, “a ciência é tudo o que um homem quiser”. !Mas não é qualquer homem! Melhor dizendo, a ciência é tudo o que a elite cientista quiser e lhe der na real gana. É a chamada “ciência em roda livre” [cientismo]. E para colocar a cereja no cocoruto do bolo, surgiu Feyerabend com a frase: “Anything Goes!” — ou seja, “na ciência vale tudo”, incluindo arrancar olhos, e afirmar como cientificamente válida a proposição segundo a qual “o universo surgiu do Nada”.

O cidadão comum deveria começar a estar mais preocupado, não só com a elite académica em geral, mas sobretudo com a comunidade dos investigadores científicos em particular. Existe hoje, nas universidades, uma deriva cientificista tão forte e a tal ponto, que um energúmeno com um alvará em História defende aquela tese supracitada, e ninguém contesta. E não nos esqueçamos que essa “tropa” académica faz as suas “investigações científicas” com o dinheiro dos contribuintes; e essa é mais uma razão para sabermos o que eles pensam acerca da ciência.

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