perspectivas

Domingo, 23 Setembro 2012

Islamismo: os fins não justificam qualquer meio

Filed under: Islamismo,Ut Edita — orlando braga @ 3:40 pm
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«O filme que provocou a ira dos radicais muçulmanos é um filme paupérrimo, ignorante, imbecil e provocatório. A única coisa em que é eficaz é na provocação, mas a liberdade tem que cobrir as provocações, as coisas que detestamos, recusamos, nos metem nojo e aversão, porque se não é assim não é liberdade. 

E convém não inverter a questão. O mal da reacção ao filme é que é o problema, não é o filme. Se a “rua” islâmica, tão louvada na Primavera, se revela intolerante e fanática no Inverno, o problema é com a “rua”. Coisas deste tipo feitas contra os cristãos, blasfemas e provocatórias, sem qualquer qualidade, são do dia-a-dia no mundo cristão. Sempre que há a tentação de proibi-las, – e há muitas vezes essa tentação -, levanta-se um clamor pela liberdade e contra a censura e isso mostra a saúde das sociedades democráticas. Só faltava agora que se começasse a interiorizar por medo, uma nova censura face ao radicalismo islâmico. Temo que esse caminho esteja já a ser seguido.»

via ABRUPTO.

Vamos analisar este texto do José Pacheco Pereira; mas antes, vamos citar aqui o ex-comunista francês Edgar Morin:

« (…) a lógica do liberalismo político leva-o a tolerar ideias ou movimentos que têm como finalidade destruí-lo. A partir daí, perante a ameaça, o liberalismo está condenado, quer a tornar-se autoritário, isto é, a negar-se ― provisória ou duradouramente ― a si mesmo, quer a ceder o lugar à força totalitária colocada no poder por meio de eleições legais (Alemanha, 1933) »


1/ O primeiro problema que se coloca é o da essência do Islamismo como Princípio de Ordem política.

Todas as religiões procuram, mais ou menos, imiscuir-se na política, e não vem daí mal ao mundo. As religiões são compostas por pessoas que não perdem direitos por serem religiosas, e por isso é natural, normal e até desejável que as comunidades religiosas assumam determinadas posições políticas.

Mas, no Islamismo, essa intervenção política é a de um Princípio de Ordem, o que faz com que o Islamismo seja um caso à parte entre todas as outras religiões universais. E esse Princípio de Ordem islâmica é, por sua própria natureza, totalitário. Portanto, o Islamismo não pode ser a bitola pela qual podemos ajuizar as religiões, mas antes é uma excepção à regra.

2/ Nem todas as teocracias são totalitárias. Por exemplo, a teocracia tibetana budista do Dalai-lama, enquanto durou até à ocupação chinesa, não era totalitária e nem sequer ditatorial. O que torna totalitária uma teocracia é o princípio de Ordem política que subjaz à respectiva doutrina religiosa.

3/ Portanto, deparamo-nos aqui com um double blind: por um lado, o princípio de Ordem política islâmico, totalitário por sua própria natureza, não pode ser tolerado. Por outro lado, a liberdade levada ao ponto de minar o Estado de Direito é, ela própria, uma ameaça à liberdade. E tanto na lei americana como na lei portuguesa, a acção anti-religiosa susceptível de causar alarme social, é crime. E por isso é que o autor do tal vídeo publicado no Youtube foi detido nos Estados Unidos.

4/ Ao contrário do que o José Pacheco Pereira implicitamente diz, respeitar a lei não é sinónimo de censura. O que falta saber é se a lei é legítima, ou não. Se a lei não for legítima, tem que ser mudada, e quem a muda deve assumir as suas responsabilidades políticas. Se a lei é legítima, o seu cumprimento não pode ser considerado como uma forma de censura.

5/ A liberdade não é a mesma coisa que libertinismo.

6/ Um mal não justifica outro. O facto de o Islamismo ser um princípio totalitário de Ordem política, isso não justifica que os indivíduos muçulmanos (ou cristãos, ou budistas, ou hindus, etc.), entendidos como pessoas, devam ser (ou possam legitimamente ser) afrontados publicamente nas suas convicções religiosas.

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