perspectivas

Sexta-feira, 21 Setembro 2012

A Academia é uma das principais causas do problema português

A atitude de Paulo Portas, líder do CDS/PP, no domingo passado, foi repugnante. Disfarçou-a de «patriotismo», que, para ele, se reduz a mais uns dinheiros de investidores estrangeiros. Fraca consciência, e péssima razão. A solidariedade interministerial não existe, pelos vistos.

via De Rerum Natura: PORTAS [pelo professor Ernesto Rodrigues].

Se alguém, que nunca votou à esquerda, criticou Paulo Portas na blogosfera, fui eu. E isso dá-me, pelo menos subjectivamente, uma certa autoridade — que o professor Ernesto Rodrigues e, por “acavalamento”, Eugénio Lisboa e Rui Baptista, por muitos alvarás de inteligência que possuam, não têm — de afirmar que a actuação de Paulo Portas na actual crise política não poderia ter sido de outra maneira.


Na crítica política, como na crítica ética a um determinado comportamento, o ataque pessoal — a existir — deve ser um acessório da conclusão do raciocínio crítico, e não a principal função da crítica. O ataque pessoal (a falácia lógica ad Hominem) de Ernesto Rodrigues a Paulo Portas é a sua principal função na crítica que faz.

Depois de fazer uma crítica a uma construção ideológica, ou a um determinado comportamento, eu poderei concluir que determinada pessoa é pouco inteligente, ou que se comportou de uma forma eticamente deplorável. Mas o ataque pessoal, perfeitamente legítimo neste contexto, é acessório e mesmo acidental, e decorre da conclusão do raciocínio crítico.

Porém, outra coisa bem diferente é partir-se da falácia ad Hominem para depois criticar presumivelmente as ideias de alguém ou o seu comportamento. Por exemplo:

«Paulo Portas foi contra a alteração da TSU que o Partido Social Democrata de Passos Coelho se prepara para efectuar; Paulo Portas é repugnante e pouco inteligente, e “estou a vê-lo, sentado na Redacção do semanário Tempo, no início dos anos 80, debruçado para frases em breve assassinas n’O Independente”; por isso, Paulo Portas é imoral e deveria ter-se demitido.»

Este tipo de raciocínio falacioso, vindo de um professor universitário, é uma forma de defesa anética da ética, ou seja, utiliza-se uma forma pouco ética de defesa da ética. E isto leva-nos ao problema da Academia contemporânea e à necessidade de um processo de “higiene profiláctica” nos quadros académicos.

“Sem a educação e o ensino para todos, somos colocados numa situação horrível e de perigo mortífero de termos que levar a sério as pessoas cultas”. — G. K. Chesterton

Se calha, o professor Ernesto é muito eficiente na área restrita do seu saber. Mas o que faz falta é clamar ao mundo que “o rei vai nu”, e que a Academia é apenas composta por gente que se restringe a uma área especifica do saber e que, por isso, essa gente não tem autoridade de direito para falar de cátedra sobre assuntos que não domina. E acima de tudo não tem o direito de transformar a sua especialização científica em uma autoridade de facto que lhes permita a profusão pública e publicada das suas ideologias mais ou menos subjectivistas e/ou radicais.

Ou seja: o professor Ernesto tem o direito de dizer asneiras; mas o povo tem que começar a interiorizar profundamente a ideia segundo a qual os professores universitários também dizem asneiras. A frase de G. K. Chesterton supracitada é eficiente mas não suficiente: é preciso ir mais longe e afirmar que há professores “Ernestos” que de honestos têm muito pouco.

[ ficheiro PDF do verbete do professor Ernesto ]

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