perspectivas

Sexta-feira, 7 Setembro 2012

As elites académicas e a cultura

A Comissão para a Igualdade e contra a Discriminação Racial quer processar uma empresa turística algarvia por discriminação, por alegadamente obrigar os clientes de etnia cigana a pagar cauções até 10 mil euros para arrendar casas de férias.

via Empresa pediu caução de 10 mil euros a ciganos para arrendar casas de férias – Sociedade – Sol.

Uma das características da ruling class contemporânea, e principalmente das elites académicas retrógradas, é a alienação decadente do conceito de “cultura”, atribuindo-lhe invariavelmente um significado de “subcultura”. Para a elite académica, cultura é apenas e só o conjunto das subculturas, e a cultura dominante é vista, à moda de Karl Marx, como uma estrutura de opressão. Este enviesamento conceptual e decadente está de tal forma calcinado nos poucos neurónios do académico moderno e contemporâneo, que não consegue discursar sem ele.

Ora, a cultura de um indivíduo não pode ser isolada da do grupo social a que pertence, e a cultura do grupo não pode ser concebida de uma forma abstracta quando colocada em relação à sociedade entendida como um todo. O que acontece com os mentecaptos académicos modernos e contemporâneos é que o conceito de “cultura”, tal qual eles concebem exclusivamente como um conjunto de subculturas, deixa de ter definição, ou seja, deixa de existir uma noção de cultura — uma vez que a definição de qualquer coisa é a sua noção ou delimitação de significado.

Por outro lado, os estúpidos académicos modernos e contemporâneos eliminam — principalmente os coimbrinhas —, na sua retórica acerca do conceito de cultura, qualquer tipo de hierarquia que deveria estar sempre presente para que as partes constituam um todo. Ou seja, um todo sem partes hierarquizadas é o absurdo (irracional); mas as cavalgaduras académicas coevas fazem da eliminação da hierarquia na cultura, a sua principal razão de discurso.

É um facto que existe uma cultura antropológica portuguesa, diferente, por exemplo, da subcultura cigana. Essa cultura portuguesa tem características multi-seculares que se distinguem da subcultura cigana. E é um facto que a cultura cigana adquiriu, mediante pura observação empírica, algumas características que não abonam em favor do seu prestígio social — não estamos aqui a falar de preconceito: estamos a falar de constatação empírica de factos e de acontecimentos.

Quando falamos em “ciganos” temos a tendência — e bem — a fazer um juízo universal, porque não há outra forma de pensar logicamente. As excepções à regra não definem a regra [não são a regra]. E, ou neste caso a regra é falsa e trata-se de preconceito, ou sendo verdadeira não a podemos objectivamente ignorar.

[ via ]

About these ads

Deixe um comentário »

Ainda sem comentários.

RSS feed para os comentários a este artigo. TrackBack URI

AVISO: os comentários escritos segundo o AO serão corrigidos para português.

Please log in using one of these methods to post your comment:

WordPress.com Logo

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Log Out / Modificar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Log Out / Modificar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Log Out / Modificar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Log Out / Modificar )

Connecting to %s

Theme: Rubric. Get a free blog at WordPress.com

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.

Junte-se a 516 outros seguidores