perspectivas

Domingo, 2 Setembro 2012

Michael Walzer, e “Tolerância com os intolerantes”

Filed under: A vida custa,filosofia,Política,politicamente correcto,Ut Edita — orlando braga @ 8:11 am
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« A finalidade da separação entre Igreja e Estado, nos regimes modernos, é negar poder político a todas as autoridades religiosas, partindo da suposição realista de que todas são pelo menos potencialmente intolerantes. »

via QUALIA – a experiência da filosofia: Michael Walzer, “Tolerância com os intolerantes”.

Temos o exemplo de Israel, onde o Judaísmo é a religião de Estado e, no entanto, as grandes religiões universais estão presentes. Em Israel há igrejas católicas e mesquitas muçulmanas, ou seja, há liberdade de culto independentemente da religião de Estado (Judaísmo).

Uma situação idêntica passa-se em Inglaterra, com a religião anglicana que é a religião de Estado. E, no entanto, não consta que em Inglaterra haja restrição de liberdade de culto. Existem outros exemplos de países que têm uma religião de Estado que não se incompatibiliza com a liberdade de culto, por exemplo, no reino do Butão, onde o Budismo é a religião de Estado, mas onde convivem várias religiões: o Islamismo, o Cristianismo, e o Hinduísmo.

Na Rússia, a Igreja Ortodoxa Russa incarna uma religião de Estado, mas nem por isso deixam de existir católicos, judeus e muçulmanos da Rússia de Putin. Poderia dar aqui outros exemplos de tolerância religiosa dentro de um país com uma determinada religião de Estado. Como podemos constatar, é possível existir uma religião de Estado sem que exista uma teocracia. Portugal teve uma religião de Estado até 1820 (o catolicismo), mas a Coroa portuguesa, ao longo da História, esteve muitas vezes de “candeias às avessas” com o Vaticano.

“Religião de Estado” não é necessariamente sinónimo de “regime teocrático”.

Por outro lado, existem [e existiram] países em que prevalece a separação entre a Igreja e o Estado, e onde não existe tolerância religiosa — por exemplo, no presente, Cuba, Coreia do Norte, ou China; no passado recente, URSS.

Portanto, esta asserção de Michael Walzer, segundo a qual “a separação entre a Igreja e o Estado é a condição da tolerância religiosa”, é um sofisma. Existem exemplos concretos e evidências históricas que nos demonstram o sofisma. Trata-se de um sofisma ideológico. Dizer que “a separação entre a Igreja e o Estado é uma condição da tolerância religiosa”, traduz uma forma camuflada de intolerância religiosa.

De entre os chamados filósofos “comunitaristas”, Michael Walzer é o mais limitado, para não dizer o mais burro. Talvez ele pressinta a sua limitação e não goste, por isso, de ser chamado de “comunitarista”.

Michael Walzer mete todas as religiões no mesmo saco, o que é sintoma de burrice. Por exemplo, o Islamismo não é apenas e só uma religião, como é o Cristianismo ou o Budismo: o Islamismo é também um princípio de ordem política. Não entender isto é sinal de burrice. Simplificar desta forma, como faz Michael Walzer. é uma manifestação de intolerância religiosa ou de limitação intelectual.

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