perspectivas

Quinta-feira, 30 Agosto 2012

A ignorância orgulhosa da modernidade

The headline in the Los Angeles Times last week read: “Neil Armstrong, first person to walk on the moon, dies at 82.”

First “person?” The man lands on the moon and you have to correct his grammar when he dies? Person is a terrible word, corporations are persons, but I am not a “person.” Call me a man, call me a human being, but don’t correct my grammar.

via The Thinking Housewife › Person, Not Man.

O discurso politicamente correcto começou por argumentar que “devemos deixar que as pessoas decidam sobre quais os termos que desejam ser chamadas”. Ou seja, por exemplo: se um negro prefere que lhe chamem “afro-americano” porque alegadamente o termo “negro” o incomoda, então, e segundo o politicamente correcto, devemos chamar-lhe afro-americano (ou afro-europeu; ou afro-brasileiro) — e isto apesar da celebração da Negritude por parte da elite africana de há 40 anos…!

Porém, com a introdução do feminismo e do gayzismo, o discurso politicamente correcto mudou.

Uma da características do politicamente correcto actual é a total ignorância acerca da etimologia (a origem etimológica das palavras), e um certo orgulho dessa ignorância. O politicamente correcto é “ignorante com orgulho”, e depois chama os outros de “ignorantes”.

Por exemplo, o movimento feminista propôs que se alterasse a palavra inglesa History para Herstory, alegando que o prefixo HIS [que significa “seu, dele”] é machista (!). E propôs também que se substituísse o termo inglês Mankind por Humanity, alegando que este último termo é sexualmente neutro, quando na verdade Humanity provém do latim Homo, que significa homem.

Imaginem a Fernanda Câncio sugerindo que, em vez de Humanidade, se adoptasse o termo Homulieridade, ou Mulieridade (do latim mulier, que significa mulher).

Em Portugal, a ignorância do politicamente correcto mudou, por exemplo, o termo “poetisa” para o neutral “poeta”, ao mesmo tempo que o politicamente correcto brasileiro mudou o termo “presidente” atribuído a Dilma Roussef, para “presidenta” — que é, como toda a gente inteligente sabe, uma forma de particípio activo. E, apesar dos factos da língua, alguns brasileiros ditos de “direita” ficam muito aborrecidos com esta minha crítica, por uma razão simples: eles também participam da ignorância geral dilmista.

Se o politicamente correcto mudou o termo “poetisa” para “poeta”, já não mudou o termo “professora” para “professor”. Seguindo a mesma lógica de raciocínio, uma professora deveria ser neutralmente “professor”.

O que mais me repugna no politicamente correcto é o orgulho de ser ignorante. Já viram coisa mais triste que uma pessoa sentir orgulho por ser ignorante?!

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1 Comentário »

  1. Esse é o grande choque…ignorantes, e orgulhosos da sua ignorância. Entenda-se, porque ‘o povo’ é = a ignorância, e culto = a minoria elitista; logo, tudo fica resumido a uma luta de classes. Veja-se esta argumentação, na sustentação do AO90, por alguns elementos brasileiros.

    Comentário por Eduardo Guerra — Sexta-feira, 31 Agosto 2012 @ 12:17 am | Responder


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