perspectivas

Quarta-feira, 29 Agosto 2012

As micro-guerras na Europa e salve-se quem puder

Filed under: A vida custa,cultura,Europa,Política,Portugal,Ut Edita,Vamos Endireitar — orlando braga @ 7:32 pm

As pessoas, em geral, ainda não se deram conta do que realmente está a acontecer.

As micro-guerras surgem quando as condições económicas dos povos batem no fundo.
“Bater no fundo” significa uma situação em que o empobrecimento é acompanhado pela atomização da sociedade, e por uma generalizada fraca coesão social instituída pela acção de desconstrução cultural-antropológica levada a cabo, tanto pela esquerda radical, como pelos neoliberais.

Nós estamos já em plena guerra económica, o que significa uma possibilidade pesada de eclodirem guerras civis em pequena escala — micro-guerras — um pouco por toda a Europa. O que o directório europeu — leia-se: Alemanha e França + países satélites do BENELUX — estão a tentar fazer é que essas micro-guerras se travem na periferia da Europa e, por isso, fora dos seus territórios. A Inglaterra, não pertencendo ao Euro mas sendo hoje um anão económico, obedece ao mesmo princípio de “exportação da possibilidade de micro-guerra” para outros países da Europa. Salve-se quem puder!

Os países europeus que não fazem parte do directório europeu, dividem-se sobre a estratégia a seguir. Alguns países, como o Portugal do PSD do Pernalonga, pensam que se “safam” aliando-se ao directório europeu como “bons alunos” — o que é um contra-senso, porque a política actual do directório é a de “sacudir a água do capote”, ou seja, a de “exportação da possibilidade de micro-guerra” para os países periféricos [exportação do desemprego]. No caso da Espanha, Rajoy já viu o problema, porque a Espanha é hoje uma manta de retalhos de nacionalismos recalcados, onde a micro-guerra tem pasto abundante para lavrar. E não nos podemos esquecer que tudo o que acontece em Espanha tem sempre repercussões directas em Portugal.

Do que estamos hoje a falar não é um mero empobrecimento conjuntural para uma posterior retoma económica. Não. Do que estamos a falar é de um empobrecimento radical, estrutural e permanente. Do que estamos a falar não é de um retorno ao nível de vida dos anos 90: do que estamos a falar é de uma situação que vai evoluir paulatinamente, e ao longo do tempo para que se torne imperceptível com o passar das gerações, para uma situação similar à que se vivia na década de 1960 em Portugal — incluindo o aumento da repressão política e da limitação liberdade de expressão, e em nome da democracia (sinificação).

Este caminho sinificação da periferia europeia poderia ser evitado, por exemplo, com uma união política da União Europeia da zona Euro; mas isto é uma impossibilidade objectiva, porque o que os países do directório pretendem com os sucessivos Tratados que impõem a toda a Europa, é uma espécie de Conferencia de Viena actual que estabeleça os novos feudos das potências europeias, só que desta vez as colónias da Europa do directório são literalmente os próprios países periféricos da Europa (sinificação).

O caminho alternativo para Portugal é o do reforço da prioridade em políticas regionais — por exemplo, uma política económica assertiva em relação a Espanha ou a Inglaterra e a diversificação da política de exportações para fora da União Europeia, o que significa um aumento da capacidade de decisão política endógena portuguesa. Esse caminho alternativo passa, por exemplo, pelo estreitamento das relações políticas, comerciais e económicas com a Rússia. Os políticos portugueses têm que compreender que a Rússia é hoje um instrumento de desestabilização da agenda política de “exportação da possibilidade de micro-guerras” do directório europeu.

As micro-guerras surgem quando as condições económicas dos povos batem no fundo. “Bater no fundo” significa uma situação em que o empobrecimento é acompanhado pela atomização da sociedade, e por uma generalizada fraca coesão social instituída pela acção de desconstrução cultural-antropológica levada a cabo, tanto pela esquerda radical, como pelos neoliberais. Ora, essa fraqueza de coesão social não existia no tempo do Estado Novo, o que significa que a situação social portuguesa futura pode ser ainda pior do que a que existia na década de 1960.

As pessoas têm a tendência para considerar o que têm hoje como sendo garantido. O ser humano sempre foi assim. Mas quando se encontram numa situação de “encavação”, clamam aqui d’El Rei e que, afinal, o “lunático monárquico” tinha razão. Como afirmou Manuela Ferreira Leite, é sempre difícil ter razão antes do tempo. Não se trata aqui de profetizar nem de uma teoria da conspiração: trata-se apenas e só de “verificar para que lado sopra o vento”, o que é um exercício absolutamente empírico.


Para que lado sopra o vento?

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