A lógica neoliberal é esta: se a RTP deu prejuízos no passado, então não há como reformar a RTP: antes, há que privatizar o negócio. Desta forma se justifica o erro do passado, e até podemos legitimamente pensar que a gestão danosa do passado, a que o Partido Social Democrata não esteve alheio, foi propositada: fez-se com que a RTP tivesse prejuízos acumulados para agora se poder justificar a sua privatização. É assim que os revolucionários de esquerda e de direita “constroem” o futuro através de uma política de terra queimada no passado.
Um neoliberal, como é o caso do CAA, não consegue distinguir “política cultural” de “política da cultura”; e um militante do Bloco de Esquerda, também não. São parecidos. Tanto para um, como para outro, só existe “política cultural”. Mas a verdade é que existe uma coisa diferente de “política cultural”: é a “política da cultura” que envolve, por exemplo, a política da língua.
Uma coisa seria privatizar um canal da RTP; outra coisa bem diferente é privatizar tudo em nome do dogma neoliberal. Este governo já começa a cansar.














