A Helena Damião escreveu aquilo que deveria ser o óbvio, aqui e aqui. Não vai muito longe no tempo o caso “News of The World”, do império Murdoch, que chocou o mundo: tratou-se de um caso extremo mas que serve de paradigma para a cultura contemporânea que transformou os meios de comunicação de massas em Meios de Cretinização de Massas; ou os me®dia.
É evidente que as personalidades públicas — por exemplo, os políticos — estão sujeitas ao escrutínio dos me®dia; é o preço a pagar por se ser figura pública. Até aqui, posso consentir com uma certa curiosidade me®diática extrema. Porém, o que se passa hoje, é que os me®dia, ou Meios de Cretinização de Massas, atribuem já a qualquer cidadão o estatuto de figura pública, invadindo a sua privacidade de uma forma inédita e intolerável.
O imperativo ético deduzido da deontologia jornalística terá que ser traduzido em lei, ou seja, em acção concreta. A invasão abusiva me®diática da privacidade do cidadão deverá passar a ser considerada crime público, sem necessidade de queixa do cidadão para que o Ministério Público actue. É isto que há a fazer: corresponder a ética à lei.














