perspectivas

Domingo, 19 Agosto 2012

O feminismo e os valores da condição feminina

Filed under: A vida custa,ética,cultura,feminismo,Sociedade,Ut Edita — O. Braga @ 12:10 pm

O feminismo existe por causa dos valores da sociedade, que consideram a condição feminina como inferior em valor. Face a isto, há dois tipos de mulher: um, que consegue isolar a negatividade do valor atribuído pela sociedade à mulher; e outro que inconscientemente assume e aceita esse valor negativo atribuído à mulher pela sociedade. As feministas integram-se nesta última categoria.

De facto, nada mudou, na essência do problema, depois da revolução sexual. A essência do problema continua a mesma, porque os valores fundamentais não mudaram. O feminismo é exactamente a prova e a demonstração objectiva de que os valores que remetem a condição feminina para um limbo existem hoje como existiam, por exemplo, há 150 anos. A modernidade não veio trazer a solução para problemas antigos: pelo contrário, piorou a situação; criou a ilusão da mudança e da solução dos problemas. Como dizia Nicolás Gómez Dávila: “os problemas não se resolvem: apenas passam de moda”; em parte, tem razão.

Os problemas ontológicos do ser humano só podem ser resolvidos com a alteração dos valores, mas essa alteração dos valores tem que ser sustentada ontologicamente; isto parece uma redundância, mas não é. Quando o ser humano, independentemente do seu sexo, é considerado como “pessoa”, e não apenas como o “indivíduo” do liberalismo e da modernidade, a pessoa passa então a ser verdadeiramente livre quando fundamenta a sua existência e os seus desejos na sua própria condição ontológica. O que é pré-determinado ontologicamente deixa, então, de ser uma limitação ou uma prisão, para ser a base fundamental a partir da qual o ser humano cria o seu mundo e manifesta a criatividade dos seus desejos.

Isto não é uma utopia. Já aconteceu objectivamente no passado, por exemplo, em algumas comunidades cristãs da antiguidade tardia. Existem relatos documentados sobre comunidades cristãs até ao século IV, onde os valores que fundamentavam a condição feminina eram totalmente diferentes dos que existem hoje.

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