Em “banquês”, “regularizar a sua situação” é um eufemismo e quer dizer “pagar a sua dívida”. Ora, como eu não me chamo Carlos Ferreira, não tenho dívidas por regularizar (graças a Deus!), e nem nunca trabalhei com a Caixa Geral de Depósitos, não liguei ao SMS e nem fui ao Banco.
Dias depois recebo uma chamada da Caixa Agrícola de uma terriola qualquer. “Sr. Carlos Ferreira?” “Não, minha senhora”, retorqui; “não é o Carlos Ferreira!”. Houve um silêncio do outro lado da linha, como quem não acredita na minha negação do personagem Carlos Ferreira. “Minha senhora: não sou o Carlos Ferreira. Acontece que eu comprei um telemóvel da TMN com este novo número que, afinal, não é novo número de modo nenhum!”.
Entretanto, parece que a Caixa Geral de Depósitos entregou o processo do Carlos Ferreira a um “cobrador de fraque” que me passou a ligar às horas mais incríveis, e eu ia sempre negando que era o Carlos Ferreira. Uma noite, o cobrador de fraque ligou-me à 1 hora da madrugada: “Sr. Carlos Ferreira?”.
Foi aí que eu “explodi”. No dia seguinte fui a uma loja TMN e comprei um cartão com um número novo, e deitei ao lixo, com o maior desprezo deste mundo, o número de telefone do sr. Carlos Ferreira. Além disso, o novo número que eu tinha acabado de comprar agradava-me melhor, porque tinha várias capicuas que o tornava mais fácil de memorizar, o que não acontecia com o número do sr. Carlos Ferreira.
Não passou um dia e recebo uma chamada de um número anónimo. Atendi. “Sr. Leonel Torres? Daqui fala do Barclays Bank. Agradecemos que o senhor…” Puf! Desliguei!
O meu problema com a TMN é o seguinte: nunca trabalhei, em toda a minha vida, nem com a Caixa Geral de Depósitos, nem com a Caixa Agrícola, e nem com o Barclays Bank; e por isso seria impossível ter dívidas com esses Bancos. Não tenho heterónimos nem sou esquizofrénico, e por isso não sou nem Carlos Ferreira nem Leonel Torres. Portanto, acho que vou processar judicialmente a TMN por usurpação de identidade.














