perspectivas

Sexta-feira, 10 Agosto 2012

A essência do casamento

Neste artigo [em inglês], o autor constrói de uma forma magistral e facilmente compreensível pelo comum dos mortais, uma tese contra o “casamento” gay, utilizando as noções filosóficas de “essência” e de “acidente”, que se opõem uma à outra. Não há forma de refutar os fundamentos da dita tese sem violar os princípios da lógica.

A essência é aquilo que constitui a natureza permanente de um ser (substância) ou de uma condição existencial (conceito).

A essência do casamento é aquilo que constitui a sua própria natureza: a aliança entre a mulher e o homem com a sucessão das gerações. Só assim o casamento faz sentido. Se retirarmos a sucessão das gerações à definição de casamento, a quantidade e a qualidade dos nubentes torna-se acidental, ou seja, tanto podem ser casadas duas pessoas como três ou quatro ou mais, independentemente do sexos e das idades dos nubentes.

Segue-se, portanto, que o “casamento” gay é a porta de entrada da barbárie na nossa sociedade [estamos apenas no início de uma época caracterizada pelo mais puro e inédito barbarismo], porque o próprio conceito de “casamento” gay resulta de pura arbitrariedade do poder político e da prevalência prepotente do absurdo — no sentido da recusa ostensiva da lógica e da natureza das coisas — em forma de lei.

About these ads

6 Comentários »

  1. Sou contra o que chamam o ‘casameto’ gay. Mas com esta definição de casamento (A essência do casamento é aquilo que constitui a sua própria natureza: a aliança entre a mulher e o homem com a sucessão das gerações.) como fica o casamento entre gerontes?

    Comentário por mendesguerra — Sexta-feira, 10 Agosto 2012 @ 4:00 pm | Responder

    • Caro Mendes Guerra:

      Actualmente as pessoas têm imensa dificuldade em conceber a ideia de “juízo universal”. Dou um exemplo.

      Eu apresento a seguinte proposição ao público:

      “Os homens correm mais rápido do que as mulheres.”

      Em função desta minha proposição, aparece sempre alguém que diz:

      “Você está errado, porque eu conheço uma mulher que corre mais rápido do que muitos homens!”

      A pessoa que afirma isto não tem a noção de juízo universal. Não sabe que uma regra tem sempre excepções, porque, caso contrário, não seria regra. O facto de, em termos de juízo universal, os homens correrem mais rápido do que as mulheres, não significa que não exista uma mulher que corra mais rápido do que muitos homens.

      O juízo universal fazia parte do senso-comum ainda não vai muitos anos. O politicamente correcto destruiu essa noção. Hoje, a política radical de defesa da autonomia do indivíduo impede que as pessoas pensem em termos de juízo universal.

      O casamento entre gerontes obedece ao mesmo princípio de juízo universal.

      Adenda: as excepções à regra tem que ter sempre em atenção a essência do casamento, cuja definição é composta em duas partes:

      1) a aliança entre a mulher e o homem + 2) com a sucessão das gerações.

      Por exemplo, um casal jovem pode não dar filhos. Mas por juízo universal, não podemos pegar num caso isolado e fazer dele a regra. E por isso é que a adopção de crianças deve ser feita exclusivamente por um casal, e não por um par de homossexuais — porque num casal, a criança adoptada encontra a analogia necessária dos pais biológicos que não tem.

      Comentário por O. Braga — Sexta-feira, 10 Agosto 2012 @ 8:18 pm | Responder

  2. Caro Orlando Braga,

    Tenho dificuldade em encaixar o exemplo como uma simples excepção à regra. Penso a essência do casamento, mais como uma ‘obrigatoriedade’ da natureza dos géneros, (com o objectivo da procriação, naturalmente) do que como um factor fertilidade. Se a natureza dos géneros está presente; o objectivo último (a gestação) só não será conseguido, por causas de natureza exógena à união. É necessário, em primeiro lugar, que o casal seja de género diferente, independentemente, de haver, ou não, fertilidade. Esta é um pressuposto, que deve estar presente, mas que pode, ou não, acontecer. O casamento entre gerontes (inférteis) fica ‘legalizado’ assim, apenas pela natureza do casal.

    Noutras afirmações suas, estou em plena concordância.

    Comentário por mendesguerra — Sábado, 11 Agosto 2012 @ 12:13 am | Responder

    • 1. num debate ou troca de ideias, não podemos dizer que não concordamos com o outro “porque não”. Temos que explicar por que não concordamos, fundamentando racionalmente os nossos argumentos.

      2. qual é a base racional que pode ter o casamento como “obrigatoriedade” da natureza dos sexos [e não “géneros”! Géneros é linguagem recente e politicamente correcta! Cuidado com a linguagem!], e sem estar implícita a sucessão das gerações? Resposta: nenhuma. Se a sucessão das gerações não faz parte integrante da definição de casamento, não existe base racional para limitar o casamento a uma mulher e a um homem.

      De uma forma objectiva e definitiva: Se a definição do casamento não for 1) a aliança entre a mulher e o homem + 2) com a sucessão das gerações, você não tem base racional para sustentar a ideia da sua limitação a um homem e a uma mulher. Isto é tão claro como água cristalina.

      3. responda-me à seguinte pergunta: “uma empresa desactivada perde, em termo jurídicos, o seu estatuto de empresa?”. Ou melhor dizendo: você tem uma empresa; desactiva a empresa face às finanças e ao Estado. Será que juridicamente essa empresa deixou de ter a “essência” de empresa?

      Se não deixou de ter a “essência” de empresa só porque está desactivada, por que é que um casal em que as funções de reprodução estão “desactivadas” — seja porque passou a idade de reprodução, seja porque é um casal infértil, seja porque não quer ter filhos — deixa de se enquadrar naquilo que é a “essência” do casamento?

      4. eu posso dizer-lhe que 1 +1 = 2; e você pode continuar a dizer-me, ad Aeternum, que não é assim. Está no seu direito. Mas não é pelo facto de você ter o direito de dizer o que quiser que lhe dá a razão. Antes, é a racionalidade dos argumentos ou a falta dela que lhe dão razão ou não.

      Comentário por O. Braga — Sábado, 11 Agosto 2012 @ 4:37 am | Responder

      • Caro Orlando Braga, quero fazer uma chamada de atenção para no seu ponto 2, quando diz ‘sem estar implícita a sucessão das gerações?’, pois eu tinha escrito ‘uma ‘obrigatoriedade’ da natureza dos géneros, (com o objectivo da procriação, naturalmente)’. Creio estarmos de acordo sobre este ponto, apenas que eu coloco a ênfase na diferenciação dos sexos, como premissa para a ‘legalização’ do casamento, mesmo que daí não haja geração, em consonância com o que me parece explicitado por si, em 3. A essência do casamento não altera na presença da infertilidade.

        Comentário por mendesguerra — Sábado, 11 Agosto 2012 @ 6:13 pm

      • Certo.

        Comentário por O. Braga — Sábado, 11 Agosto 2012 @ 6:53 pm


RSS feed para os comentários a este artigo. TrackBack URI

AVISO: os comentários escritos segundo o AO serão corrigidos para português.

Please log in using one of these methods to post your comment:

WordPress.com Logo

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Log Out / Modificar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Log Out / Modificar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Log Out / Modificar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Log Out / Modificar )

Connecting to %s

Theme: Rubric. Get a free blog at WordPress.com

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.

Junte-se a 516 outros seguidores