perspectivas

Sexta-feira, 10 Agosto 2012

A demanda do santo graal do mundo perfeito

A Helena Damião escreveu dois recentes verbetes, a ver:

  1. “As primeiras reguadas”, da autoria de Galopim de Carvalho;
  2. “Outras formas de opressão”, da autoria da própria.

Quanto ao primeiro texto, não foi com surpresa que verifiquei que Galopim de Carvalho, apesar das reguadas que levou na escola, sabe ler e escrever — coisa que muitas crianças que acabam a 4ª classe de hoje, não sabem.
Naturalmente que a Helena Damião tinha que incluir no verbete uma imagem da propaganda salazarista. Ainda hei-de ver a Helena Damião criticar a educação nos mosteiros católicos do século XI para justificar a inépcia do sistema educativo actual; mas a Helena Damião e o Galopim estão concerteza piamente convencidos de que estão a defender uma grande causa e imbuídos de uma lógica suprema.

O segundo artigo é exactamente o corolário do primeiro e reflecte o absurdo do pensamento académico actual — direi mesmo: a estupidez das elites académicas.

A conclusão que se pode retirar do artigo é a de que a violência sobre as crianças nunca acaba: trata-se de uma violência infinita, que se reinventa constantemente à semelhança das mutações do ADN de um vírus que se adapta aos antibióticos, e que se traveste de várias formas e feitios; a violência sobre as crianças tem alegadamente uma natureza camaleónica e dissimulada que exige do pedagogo um esforço idêntico ao da polícia científica em relação à sofisticação contínua do crime organizado.
O raciocínio é hegeliano — como não poderia deixar de ser! Hegel e o querido Karl Marx da Helena Damião e das elites académicas, andam sempre de mãos dadas…

E o raciocínio dialéctico hegeliano da Helena Damião e quejandos (por exemplo, Luís Miguel Larcher ou José de Souto Moura), é grosso modo assim:

A absoluta perfeição da educação das crianças consiste na demanda do santo graal do eduquês, o que coloca o absoluto no futuro do próprio processo de aperfeiçoamento activo que resulta do movimento triádico: tese, antítese e síntese.

Esse absoluto perfeito e irrepreensível — que faz parte do processo mais abrangente de construção do paraíso na Terra — é o último estádio de uma série em que os outros estádios se apresentam como temporais.

A ideia eterna e infinita, ou seja, a perfeição, encontra-se no termo do processo temporal e é entendida, não pela determinação do presente, mas pela determinação do futuro. A absoluta perfeição no espaço-tempo, que resulta do processo dialéctico triádico, é um termo do futuro — e não do presente —, o que torna possível a esperança do Fim da História e o triunfo final do Bem neste mundo.

Gente que combate “o mal das reguadas na escola”, como é o caso da Helena Damião e quejandos, deve ficar orgulhosa com notícias destas: nos Estados Unidos, onde as reguadas também foram proibidas pelo eduquês politicamente correcto, a prescrição de medicamentos anti-psicóticos a crianças aumentou em 700% nos últimos cinco anos. Em vez de se fazer aquecer as mãos no Inverno das reguadas do Galopim, as “reguadas” actuais são de outra ordem e destroem os cérebros das crianças, para orgulho dos alquimistas da educação politicamente correcta. No tempo das reguadas do Galopim, a lobotomização salazarista ensinava a ler; hoje, a lobotomia é real e destrói o cérebro das crianças, e pasme-se!, em nome da protecção das crianças.


«The researchers found that doctor visits between 1993-1998 and 2005-2009 that involved a prescription of antipsychotic medication for children jumped sevenfold — from 0.24 to 1.83 per 100 people. For teens, 14 to 20 years old, the rate rose from 0.78 to 3.76 per 100 people, and for adults, it just about doubled, from 3.25 to 6.18 per 100 people….

Dr. Peter Breggin, a psychiatrist from Ithaca, N.Y., and an outspoken critic of widespread antipsychotic use in children, said these drugs damage developing brains

“We have a national catastrophe,” said Breggin. “This is a situation where we have ruined the brains of millions of children.” In controlling behavior, antipsychotics act on the frontal lobes of the brain — the same area of the brain targeted by a lobotomy, Breggin said. “These are lobotomizing drugs,” he added. “Of course, they will reduce all behavior, including irritability,” he said….

Between 2005 and 2009, controlling “disruptive behavior” accounted for 63 percent of the reason antipsychotics were given to children and almost 34 percent for adolescents, the researchers found.»

via More Kids Taking Antipsychotics for ADHD: Study.


[ Ficheiros PDF : 1 e 2 ]

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