perspectivas

Sexta-feira, 3 Agosto 2012

Ai, vai, vai! Ai nanas!

Filed under: A vida custa,Passos Coelho,Pernalonga,Política,Portugal — orlando braga @ 8:05 am

«Em alturas de mudança social profunda, neste caso associada à destruição da classe média e ao empobrecimento generalizado, quem não percebe isto, não percebe nada. Em Setembro, acordará do seu sono percebendo o canto a que está encostado. Ou em Agosto, ou em Outubro. Porque estas coisas, uma vez maduras, não escolhem nem dia nem hora.»

via ABRUPTO.

Embora o José Pacheco Pereira seja hoje uma voz incómoda em relação ao poder instalado — cuidado, que Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa também foram incómodos! —, a verdade é que ele tem razão.

Repare-se que eu sou insuspeito para escrever isto: o partido mais à esquerda em que alguma vez votei foi no Partido Social Democrata, e nas últimas eleições nem votei nele. E mais: considero o CDS/PP um partido do centro político, e não voto no PNR por ser um partido socialista; e considero que o partido mais conservador e do meu agrado — em todos os aspectos — que alguma vez existiu no Portugal da III república foi o moribundo Partido Popular Monárquico (PPM).

As elites económicas e financeiras já se esqueceram que um dia, não vai muito tempo, tiveram que ir parar ao Brasil, e muitos deles com uma mão à frente e outra atrás. E a elite política já não tem a noção de que muitos políticos tiveram que se esconder, nos tempos conturbados depois do 25 de Abril e do PREC [Processo Revolucionário em Curso]. A memória é curta. Os parvos pensam que a história não se repete; e andamos todos às voltas com a História para chegar a lugar nenhum.

Recebemos ontem a notícia segundo a qual Passos Coelho vai — finalmente ! — mexer nas centenas de fundações subsidiadas pelo Estado. Mas é curto. Passos Coelho vai ter que mexer também no bolso dos seus amigos e renegociar as PPP — (Parcerias Público-privadas). Vai ter que ser.

E vai ter que renunciar aos planos das negociatas obscuras da privatização da TAP preparadas pelo seu amigo do peito e prestidigitador político, Miguel Relvas. Vai ter que ser. E no sector bancário, Passos Coelho vai ter que premiar os Bancos que apoiam a economia real e penalizar os Bancos que vivem da especulação financeira. Ai vai, vai… nem que a vaca tussa!

Se Passos Coelho pensava que poderia ter a sorte choruda e parisiense de José Sócrates, desengane-se! A memória ainda está fresca.

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1 Comentário »

  1. Boas Orlando. Não sei o que se passou, mas estive uns dias sem conseguir comentar aqui no perspectivas.
    Relativamente ao post, apenas digo que este pequeno recorte acima exposto é bem revelador… se compararmos a actual época com a propriamente citada (1892), e sendo o tempo circular, os problemas são os mesmos. Mas desta vez, não há «sacrifícios extraordinários» para a classe política, nem sequer se houve ou lê algo semelhante, para nosso mal já não se «segue a sorte da nação».

    Comentário por Filipe Crisóstomo (@Skedsen) — Sexta-feira, 3 Agosto 2012 @ 9:44 am | Responder


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