perspectivas

Quarta-feira, 1 Agosto 2012

O predomínio do vandalismo cultural na Europa

Chegou o momento de cada país da Europa fechar portas e tratar da sua própria vida; ou, em alternativa, de se criarem apenas uniões políticas regionais.

A existirem, como se prevê a médio prazo, acções de movimentos políticos radicais e violentos que se opõem entre si, e em países como a Inglaterra e mesmo em alguns países nórdicos, será melhor minimizar os perigos de contágio, fechando fronteiras. A tendência política actual na Europa é para uma nova forma de internacionalização trotskista do radicalismo político que não deixa qualquer espaço ao diálogo político.

A ideia segundo a qual a união política europeia significa melhores condições de vida para os cidadãos dos diversos países aderentes a essa união política, já é uma ficção. E é uma ficção porque se instalou na Europa e nas suas elites uma cultura de desintegração e de destruição. Está instalado o vandalismo cultural.

Face a esse vandalismo cultural, mais ou menos generalizado e contagiante que existe em função deste projecto de união política europeia, todos os esforços de melhoria de vida das populações estão já, à partida, inviabilizados por via dos pressupostos culturais que qualquer desenvolvimento económico transporta necessariamente consigo, e que se desintegram a passo acelerado um pouco por toda a Europa.

Para que exista desenvolvimento económico é preciso, em primeiro lugar, uma cultura antropológica que o sustente; essa cultura específica está subjacente à própria estrutura da sociedade que sustenta o desenvolvimento económico. Essa cultura, que é antropológica e portanto entendida como cultura da sociedade em si mesma, depende em larga escala da cultura intelectual, ou seja, da cultura das elites. E com a degradação e envilecimento da cultura intelectual [o decaimento do sentido moral na cultura das elites], não é possível qualquer desenvolvimento económico em uma sociedade. A tendência actual, pelo contrário, é de desenvolvimento económico negativo na Europa. E é essa a razão por que os países onde ainda exista uma elite consciente — como é o caso, por exemplo, da Hungria — devem fechar portas.

Tal como acontecia no marxismo defunto, no liberalismo e/ou libertarismo radicais, — sejam eles ideologicamente influenciados por Karl Marx ou por Hayek — os seus respectivos activistas políticos participam em uma aristocracia sacerdotal de uma determinada classe social que detém a revelação. Não se trata propriamente de uma aristocracia, porque a aristocracia é composta por indivíduos; antes, trata-se de uma classe social que é elevada à condição de porta-voz da revelação.

O exacerbamento do individualismo a que assistimos na cultura intelectual, e que se impõe à cultura antropológica servindo-se dos me®dia e mediante um efeito de Trickle-down, é apenas um meio de afirmação absolutista, cada um à sua maneira, da verdade das respectivas revelações. Por isso é que falamos em “religiões políticas”, que são imanentes num caso e noutro.

A Europa está à beira de uma nova guerra religiosa, desta vez confinada à internalidade de determinadas nações — uma nova espécie de guerra civil, mas de baixa intensidade — mas que é, em si mesma, epidémica. E não há qualquer hipótese de diálogo político que possa impedir essas guerras religiosas internas, porque o que está em causa é a própria sobrevivência ou morte dessas nações.

E ainda existe uma terceira força prometaica que atravessa as outras duas, e que constitui em si mesma um substitutivo — conforme defendido por Peter Singer, por exemplo — para o falecido marxismo: o neodarwinismo. Estas três forças políticas pululam, à solta e sem rédeas, por essa Europa fora, e são elas que estão na génese deste progresso, paulatino mas mas perfeitamente perceptível, para o sub-desenvolvimento. A Europa progride objectivamente para a decadência a todos os níveis; e é essa também a razão por que as nações onde ainda exista uma réstia de racionalidade nas elites, devem fechar portas.

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