perspectivas

Quarta-feira, 1 Agosto 2012

A obsessão com as tentações pode ser uma tentação

Filed under: ética,Religare,Ut Edita — orlando braga @ 8:27 pm
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“Devemos rezar todos os dias para resistirmos às tentações.”
— [Lido num blogue afecto à Opus Dei].

Se atentarmos à estrutura do Pai Nosso, a referência à tentação vem no fim. Em primeiro lugar não está a tentação: antes, está o Pai Nosso (Deus): “seja feita a Tua Vontade”. E depois vem a frugalidade necessária do “pão nosso de cada dia nos dai hoje”, de que precisamos para podermos continuar a glorificar o Seu Nome.

Nós devemos rezar a Deus apenas porque nos sentimos bem com Ele; porque Lhe agradecemos a vida e o pão nosso de cada dia; porque nos identificamos com Ele; porque precisamos Dele; e porque gostamos da Sua companhia.

De nada nos vale rezar a Deus apenas “para resistir às tentações”; porque aquilo que consideramos ser um mal pode ser um bem, e apenas podemos estar eventualmente errados acerca da noção que temos desse mal.

E porque se rezamos a Deus só porque nos sentimos bem com Ele, teremos uma bússola interior que nos indica intuitivamente o norte do Bem. E teremos a consciência de que não somos perfeitos e que, por isso, nos subordinamos voluntariamente à Sua vontade.

A obsessão com as tentações pode ser uma tentação.

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5 Comentários »

  1. A frase que citou é do Santo Padre e não deve ser retirada do contexto em que foi proferida. Se o meu amigo tem a pretensão de ensinar o Papa a fazer aquilo que ele faz de melhor, o ridículo é apenas seu…

    Comentário por Emanuel — Quarta-feira, 1 Agosto 2012 @ 8:44 pm | Responder

    • Toquei na mouche!

      O que interessa, neste contexto, é a frase em si mesma e independentemente do contexto que o Papa referiu. E por isso é que não falei no Papa, mas apenas na proposição.

      Portanto, não me venha lá com a história do Papa e com a falácia da autoridade, porque eu nem sequer falei nele.

      E já nem vou falar na OPUS DEI, para evitar baba e ranho.

      Comentário por O. Braga — Quarta-feira, 1 Agosto 2012 @ 8:52 pm | Responder

      • Não, não utilizei o argumento de autoridade, mas neste caso até faria todo o sentido, pelo menos para alguém que se diga católico. Um dissidente ou um herege já teria mais problemas…
        O caro amigo também não sustentou as suas afirmações com a Sagrada Escritura nem com qualquer fonte da Revelação. Dissertou sobre o tema a partir da sua opinião. Entre um doutor e professor de teologia e alguém que não sustenta as suas posições, a escolha é óbvia.

        Comentário por Emanuel — Quinta-feira, 2 Agosto 2012 @ 12:31 pm

      • Para quem quiser saber o que o Papa realmente disse — uma vez que uma criatura insiste em trazer à coacção a autoridade papal — pode ler na seguinte ligação:

        http://bit.ly/NW4AsJ

        Pegar nas palavras do Papa e manipulá-las de acordo com um determinado fim não é curial. Aliás, há determinadas coisas na OPUS DEI que não são curiais.

        Comentário por O. Braga — Quinta-feira, 2 Agosto 2012 @ 3:49 pm

  2. “E, quando orares, não sejas como os hipócritas; pois se comprazem em orar em pé nas sinagogas, e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão”.
    Mateus 6:5

    Comentário por O. Braga — Quinta-feira, 2 Agosto 2012 @ 3:37 pm | Responder


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