perspectivas

Domingo, 29 Julho 2012

Aliança sincrética entre o marxismo cultural e o neoliberalismo

«A senior gov’t official stated that one way to curb Britain’s social problems is to tell mothers with large families not to have any more children.

Louise Casey, head of a government agency set up to deal with troubled families following last summer’s riots, said the state should “interfere” and tell women they are irresponsible and should be “ashamed” of how they are damaging society if they have “too many children,” according to a report in the Telegraph.»

via UK gov’t official calls for sanctions against large families | LifeSiteNews.com.

O que assistimos hoje na política é algo totalmente novo e que, por vezes, nos deixa desorientados e aparentemente sem referências históricas/ideológicas. “De onde vêm esta ou aquela ideia?” — perguntamo-nos. “Será esta ou aquela ideia de esquerda, ou de direita?” — questionamo-nos.

A responsável por uma agência governamental inglesa, de seu nome Louise Casey [na imagem] defendeu publicamente a ideia segundo a qual a solução dos problemas sociais das famílias problemáticas passa pela “interferência” do Estado na instituição da família — Estado, esse, que deve dizer às mães das famílias numerosas que elas são “irresponsáveis” e que deveriam ter “vergonha” em ter muitos filhos.

E qual é o argumento causal de Louise Casey? É o de que entre as 120 mil famílias disfuncionais analisadas, 1/5 ou 20% delas têm mais de cinco crianças. Ou seja, 80% das famílias disfuncionais inglesas têm cinco ou menos crianças. E a partir destes 20%, Louise Casey parte para um juízo universal, como se a maioria das famílias disfuncionais tivesse, de facto, mais de cinco filhos.

Louise Casey vai mais longe: as mães que têm muitos filhos e que, por isso e segundo ela, são “irresponsáveis” e deveriam ter “vergonha”, deveriam “sofrer sanções” por parte do Estado, na medida — e continuo a citá-la — em que não há dinheiro público disponível para prestar a assistência social a essas famílias.


Este discurso político é de direita ou de esquerda? Pois bem, é simultaneamente de esquerda [resíduos do marxismo cultural, do ecofascismo, do eugenismo tipicamente esquerdista] e de direita neoliberal [redução de custos sociais]. A novidade política actual é o sincretismo ideológico do marxismo cultural e do neoliberalismo — que tivemos, por exemplo, com José Sócrates e que prossegue com Passos Coelho e Paulo Portas.


A estratégia da direita conservadora — a única direita — é considerar e classificar politicamente esse sincretismo político e ideológico como sendo de esquerda — e por isso, Passos Coelho é considerado de esquerda. A direita propriamente dita — a conservadora — considera o conjunto da nova ideologia sincrética como fascizante ou mesmo fascista. Estamos perante um novo fascismo em construção.

Ao contrário do novo fascismo sincrético de esquerda, a verdadeira direita — a conservadora — defende que a solução para os problemas sociais das economias em definhamento reside exactamente no apoio do Estado às famílias numerosas: como defende o Vaticano, “as crianças são o motor da recuperação económica”. Por outro lado, a direita critica o Estado pela desvalorização da família e do casamento estável, pelo facilitismo no divórcio, pela hiper-sexualização da cultura e dos me®dia , pela cultura de sexualização das crianças, a putativa “educação sexual” nas escolas (que não educa nada, pelo contrário!), etc..

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3 Comentários »

  1. Subscrevo tudo, inteirinho! Essa mulher tem cara de louca varrida.

    Comentário por Henrique Sousa — Domingo, 29 Julho 2012 @ 10:18 pm | Responder

  2. Como explica nesse vídeo, foi a partir dos EUA que se propagou a “nova esquerda”.
    .

    Comentário por Marcelo R. Rodrigues — Segunda-feira, 30 Julho 2012 @ 5:04 am | Responder

    • Aquilo a que o vídeo chama Nova Esquerda já está ultrapassado pelos acontecimentos. A “novíssima Esquerda” incorporou já elementos neoliberais, no intuito da sinificação — expansão do modelo social e económico chinês — global. Por isso é que eu falo aqui de sincretismo: a incorporação — a “recuperação ideológica” — de certos elementos da filosofia neoliberal na Esquerda.

      Comentário por O. Braga — Segunda-feira, 30 Julho 2012 @ 11:41 am | Responder


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