«Aquilo que os nossos descendentes não conseguirão compreender é a nossa inacreditável ligeireza e inoperância perante factos devastadores, que subjazem a tudo o mais: “No primeiro semestre deste ano, nasceram menos quatro mil bebés do que no mesmo período de 2011.
Se a tendência de decréscimo se mantiver, 2012 poderá ficar para a história como o ano em que os nascimentos não chegaram aos 90 mil, algo que nunca aconteceu desde que há registos” (DN, 5/Julho).
Sem portugueses não há economia, consumo, emprego, ensino, justiça, país. Com a atenção centrada no défice, desemprego, ou pior, nas tricas do momento, Portugal resvala para a decadência perante a apatia generalizada.

O professor José Hermano Saraiva, na sua última entrevista à RTP, classificou os actuais governantes portugueses de “gente menor”.
Fernando Pessoa tinha feito o mesmo em relação a Afonso Costa e aos dignitários da I república; as invectivas atrabiliárias de Fernando Pessoa a Afonso Costa são de uma violência simultaneamente sarcástica e irónica; por exemplo:
O mesmo podemos dizer dos actuais membros da classe política rotativista: aquilo é que são umas bestas! E ainda nos ferem, estando nós por detrás deles!
E aquelas bestas não conseguem ver aquilo que qualquer pessoa medianamente inteligente vê: Portugal afunda-se, não pela crise económica, mas por destruição da sua cultura, mediante uma forte desnacionalização que levou ao enfraquecimento da coesão social que está sempre na base da construção do futuro. O problema actual português é cultural, e enquanto tivermos as bestas que temos no Poder — sejam da direita ou da esquerda —, isto só tende a piorar.















