perspectivas

Sexta-feira, 20 Julho 2012

O Conselho da Europa decretou que a ciência biológica é uma construção social

«The convention redefines gender as a social construct, rather than as a distinction grounded in biology, and suggests violence towards women is systemic with roots in religion and culture.»

via European convention defining gender as social construct condemned as “rape” of Polish society | LifeSiteNews.com.

Sem que os portugueses tenham sido consultados, o governo de José Sócrates subscreveu em Abril de 2011 uma Convenção do Conselho da Europa que define o “género” como produto exclusivo de “construção social”, e não como distinção escorada na biologia.

A tal convenção tinha como propósito o combate à violência contra a mulher, mas estabelecendo contudo uma ligação exclusiva entre a violência contra a mulher e a violência doméstica. Ou seja, segundo o Conselho da Europa, só existe violência doméstica quando uma mulher é vítima de violência: se um homem for vítima de violência por parte da sua mulher, então não se trata de violência doméstica e nem sequer de violência: em vez disso, e segundo o Conselho da Europa, o homem não é vítima, e “apanha no corpo” porque merece e pelo facto de ser homem.

Portanto, o enviesamento ideológico da referida convenção do Conselho da Europa começa logo pela definição enviesada de “violência doméstica”.

Mas o absurdo do Conselho da Europa vais mais longe: decretou que não existe biologia. Para o Conselho da Europa, as ciências biológicas não existem, ou, em última análise, a biologia é aquilo que a política quiser.

E por isso o Conselho da Europa decretou que o “género é uma construção social”, o que significa que o pénis e a vagina são construções sociais; o período menstrual na mulher é também — segundo o Conselho da Europa — uma construção social; o facto de a mulher aleitar a sua cria é também uma construção social; o síndroma pré-menstrual na mulher é uma construção social; etc.

E por último, o Conselho da Europa decretou que, para além dos géneros serem pura e simplesmente construções sociais, a violência doméstica — ou seja, a violência sobre a mulher, porque segundo o Conselho da Europa, não existe outra — é produto da religião.

Segundo o Conselho da Europa, se não existisse religião não existiria automaticamente violência doméstica. E como a religião está ligada à tradição e à cultura antropológica dos diversos países europeus, o Conselho da Europa pretende, implícita ou explicitamente, proibir a religião, eliminar a tradição e impor uma cultura nova a todos os países da União Europeia — uma “nova cultura” imposta pela elite política europeísta e neognóstica.

No artigo 12 da convenção, o Conselho da Europa considera que a civilização europeia e a sua herança cultural deve ser destruída porque “é uma ameaça e uma fonte de violência” (sic).

No artigo 14 da convenção, o Conselho da Europa impõe a obrigatoriedade da educação activa das crianças segundo princípios de promoção cultural da homossexualidade e do transgenderismo, ou seja, segundo o Conselho da Europa, os professores primários devem incentivar as crianças da escola primária a serem homossexuais. Segundo o Conselho da Europa, um professor que não incentiva uma criança a ser gay, não é um bom professor.

Em suma, aquilo que pretendia ser uma convenção contra a violência doméstica, acabou por ser: (1) a definição de violência doméstica como sendo exclusivamente a violência sobre a mulher; (2) a desconstrução política das ciências biológicas; (3) a promoção cultural da homossexualidade entre as nossas crianças por intermédio do sistema educativo.


Estabelecer uma ligação epistemológica entre o actual politicamente correcto europeu, que em princípio e aparentemente defende a absoluta autonomia do indivíduo, por um lado, e a República de Platão, por outro lado, parece ser impossível. Mas não é. Existem hoje, de facto, elementos culturais e políticos novos e que obviamente não existiam no tempo de Platão. Mas, numa série de postais, irei procurar demonstrar como alguns elementos são substituídos por outros para que a utopia platónica possa finalmente ser realizada.

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