perspectivas

Quinta-feira, 19 Julho 2012

Os livros heréticos que não se publicam em Portugal

Se alguns livros heréticos, como por exemplo o de Ann Gauger aqui ao lado, se publicassem em Portugal, provavelmente iríamos ver o António Piedade, e aqueles outros da “Ca Gand’a Treta”, a organizar autos-de-fé e queima pública de livros; e o Carlos Fiolhais seria elegido por eles como o Sumo Pontífice. Posso estar enganado, mas estou convencido que nenhum livro científico generalista — abordagem generalista da ciência — se publica em Portugal sem passar pelo crivo politicamente correcto das academias coimbrinhas.

O livro é relativamente barato: pouco mais de 10 Euros + portes. O problema é que está em inglês.


  • Quantas mutações — segundo o darwinismo — seriam necessárias para transformar um australopitecos pitecantropos em um homo erectus?
  • Se existe apenas uma janela de 500 mil anos entre o australopiteco A. Afarensis e o homo erectus, será que o neodarwinismo pode explicar as mudanças entre um e outro dentro desse espaço temporal?

  1. Entre as duas espécies existem diferenças em 16 característicos específicos do homo erectus e do homo sapiens, e que, portanto, não existiam no australopiteco. Por exemplo, entre as 16 mutações, temos a estabilização do crânio que permite a contra-rotação dorsal e na relação entre a cabeça e as ancas, a estabilização do tronco que absorve o choque e transfere a energia durante a corrida, etc..
    Cada um dos 16 característicos anatómicos distintivos — segundo o conceito neodarwinista — provavelmente requer múltiplas mutações.
  2. A nível bacteriano, sabe-se que o limite de mutações neutrais necessárias para adquirir uma determinada característica é de seis (6). Ou melhor dizendo: obter uma característica que requeira seis mutações neutrais é o limite que uma bactéria pode produzir. Nos primatas, esse limite é ainda mais restritivo.
  3. Devido às diferenças quantitativas entre as populações das bactérias, por um lado, e, por outro lado, as dos primatas — algumas dezenas de milhares de humanóides em contraste com milhares de milhões de bactérias —, e devido às enormes diferenças dos respectivos tempos de geração — uma geração de 15 a 20 anos nos humanóides, e em contraponto, milhares de gerações por ano nas bactérias —, levaria muito tempo até que apenas uma, e só uma, mutação positiva ou benéfica pudesse aparecer e tornar-se fixa na população humanóide.
  4. Está estimado que para que surja apenas uma, e só uma, mutação em um nucleótido susceptível de ser fixada em uma linhagem primata [Durrett and Schmidt, 2007], seria necessária uma janela de tempo de cerca de 6 milhões de anos. De modo semelhante [Durrett and Schmidt, 2007], seriam necessários cerca de 216 milhões de anos para que se fixassem duas, e apenas duas, mutações — e se a primeira mutação fosse neutral.

Agora, é fazer as contas [como diria o António].

Segundo os próprios neodarwinistas, 6 milhões de anos é o tempo de transição entre o nosso “ancestral comum com os chimpanzés”, e nós próprios. 216 milhões de anos lançam-nos para a Era Triássica, quando apareceram os primeiros mamíferos. Por outro lado, uma ou duas mutações não são suficientes para produzir as mudanças necessárias — os tais 16 característicos anatómicos diferenciados — na janela de tempo disponível.

Contradizer isto [contradizer factos] é “ciência darwinista” que os coimbrinhas nos querem impingir em nome da ciência.

Adenda: alguém chamou à atenção para o facto de eu ter utilizado neste verbete o termo “elegido”, em vez de “eleito”. Bem sei que o termo “elegido” caiu em desuso, e porventura já não consta em muitos dicionários. Porém, Fernando Pessoa utilizou-o amiúde nos seus textos em prosa, nomeadamente no seu opúsculo “Sobre Portugal”.

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5 Comentários »

  1. [...] A ler: Os livros heréticos que não se publicam em Portugal [...]

    Pingback por Quando se perde um debate, entra-se na falácia lógica « perspectivas — Quinta-feira, 19 Julho 2012 @ 1:57 pm | Responder

  2. O particípio passado regular usa-se legitimamente com os verbos auxiliares ter ou haver. Com os verbos ser ou estar usa-se o particiípio passado irregular, quando o há. Portanto, «haver elegido» e «ser eleito» ou «ter morrido» e «ser morto».
    O desconhecimento da regra tem proscrito os particípios regulares dos verbos com duplo particípio. Mais, tem feito brotar outros, como «empregue» e «pego» (de «pegar», este no Brasil), que só se estribam na barbarizarão crescente do idioma.
    Cumpts.

    Comentário por Bic Laranja (@biclaranja) — Quinta-feira, 19 Julho 2012 @ 9:13 pm | Responder

    • Obrigado pela informação. Mas não devemos esquecer que Fernando Pessoa ignorou ostensivamente a Reforma Ortográfica de 1911.

      Portanto, e por princípio, não vejo mal nenhum que sigamos o exemplo de Fernando Pessoa, quando ele escreve, por exemplo, dos judeus não como “povo eleito”, mas antes como “povo elegido” e em que o verbo ser está subentendido.

      A utilização de “elegido” neste verbete foi intencional.

      Há coisas que ninguém criticaria em Fernando Pessoa mas que criticam certamente em mim, e sem conhecer Fernando Pessoa. Por exemplo, o verbo, “hortaliçar” — “as camionetas que hortaliçam” ["Livro do Desassossego"]. Não se trata de poesia: o mais que pode ser é prosa poética. E há outros casos destes.

      Portanto, quando fazermos uma crítica da língua a alguém devemos ter a mínima noção de quem escreve. Imagine-se um pacóvio qualquer escrever uma carta a Fernando Pessoa informando-o da ignorância deste em relação às regras gramaticais da língua…

      Comentário por O. Braga — Sexta-feira, 20 Julho 2012 @ 6:22 am | Responder

  3. Este artigo me fez lembrar deste link aqui http://intelligentreasoning.blogspot.com.br/2009/05/refuting-evolutionism-waiting-for-two.html

    A espera de duas mutações …seriam nescessário 100 milhões de anos ,mas como esperar 100 milhões de anos se os humanos surgiram a partir de não humanos há apenas 7,5 milhões de anos atrás ?
    Isto porque estamos falando apenas de duas mutações nescessárias ,é óbvio que foram exigidas muito mais que duas mutações nescessárias … se eu fosse um evolucionista eu iria achar que meus colegas estão ficando retardados. ((o.O))

    Comentário por jephsimple — Terça-feira, 7 Agosto 2012 @ 9:24 pm | Responder

  4. Reblogged this on jephmeuspensamentos.

    Comentário por jephsimple — Terça-feira, 7 Agosto 2012 @ 9:26 pm | Responder


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