perspectivas

Terça-feira, 17 Julho 2012

A ideia de ser humano como um produto da Técnica e em transformação

“As we enter the modern worlds, our minds change just as our automobiles have changed,” Flynn said. “Where women can have an equal chance to interface with the modern world, they equal on IQ and surpass on academic performance.”

Women Beat Men on IQ Tests For First Time – ABC News, [via The Whole World Applauds Smart Women].

Podemos fazer analogias entre o homem e a mulher, mas é absolutamente irracional fazermos comparações.

Vivemos um tempo muito complicado. É uma evidência a de que vivemos hoje uma decadência acelerada e abrupta daquilo que resta da civilização europeia, ou ocidental, se assim lhe quiserem chamar. E essa decadência é marcada pela utilização abusiva da ciência como autoridade de direito para validar religiões políticas — e essa é a razão por que eu criei aqui a categoria Rerum Natura.

A partir do momento em que a ciência é instrumento de religiões políticas e é manipulada por estas, a chamada “civilização da ciência”, que caracteriza a modernidade, está condenada. A ciência transforma-se em mito no sentido da cultura antropológica. E na medida em que são os próprios “bloggers da ciência” que a transformam em religiões políticas, pessoas como eu acabam por defender mais e melhor a ciência, embora não sejamos cientistas, do que muitos putativos cientistas ou defensores da ciência.

Até há muito pouco tempo era consensual o facto de existirem vários tipos de inteligência; por exemplo, a inteligência lógica-matemática, a inteligência pessoal, a inteligência musical, a inteligência espacial ou motora, a inteligência linguística, entre outros tipos de inteligência de que não me lembro agora. E era também consensual o facto de, em termos de juízo universal, o tipo de inteligência da mulher ser diferente da do homem. Ou seja, era consensual o facto de não podermos comparar coisas que não podem ser comparadas. Podemos fazer analogias entre o homem e a mulher, mas é absolutamente irracional fazermos comparações.


A ideia segundo a qual, “com a entrada no mundo moderno, a mente humana muda como mudam os automóveis”, para além de ser falsa, deveria envergonhar quem a defende em nome da ciência.

É falsa porque o conceito de “mudança” [ver aqui] — embora diferente de “mutação” — pode implicar a substituição literal de uma coisa por outra coisa diferente, enquanto que, na mente do homem moderno e em relação, por exemplo, ao homem medieval, o que mudou foi a cultura — determinados valores culturais lograram uma ascendência [em função de um determinado "espírito do tempo"] sobre outros valores culturais que não desapareceram da mente humana: o que acontece é que esses valores culturais anteriores, em relação à maioria do Homem moderno, estão “adormecidos” ou relegados para o inconsciente, e podem ressurgir a qualquer momento do futuro [embora reinventados segundo o conceito de "velhice do eterno novo", de Fernando Pessoa].

Na mudança dos automóveis, muitas das peças foram substituídas por outras totalmente diferentes, o conceito de construção e de funcionamento do automóvel foi substituído por outro totalmente diferente — por exemplo, automóveis eléctricos versus automóveis a gasolina.

A ideia segundo a qual o fundamento ontológico da natureza humana é passível de alienação, é absolutamente irracional. E esta irracionalidade é o cunho da decadência cientificista a que assistimos hoje.

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1 Comentário »

  1. Este verbete é de uma clarividência que dispensa, só por si, qualquer comentário além deste:
    Quão mais claro se poderá ser? Só não vê que não quer… Tristes tempos, estes, que vivemos, e que iremos pagar com língua de palmo num futuro mais ou menos (mais que menos, acho) próximo.
    Parabéns, caro Orlando, mais uma vez.
    Cumpt.

    Comentário por Inspector Jaap — Terça-feira, 17 Julho 2012 @ 4:05 pm | Responder


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