O prestígio de um político não se constrói no governo: o prestígio precede-o, na sua qualidade de simples cidadão. Ou esse prestígio existe já antes do cidadão entrar no governo — por exemplo, o caso de Salazar nos seus primeiros 20 anos de governo —, ou nunca se consolidará. E é esse prestígio anterior à governança que dá ao cidadão as autoridades de direito e de facto para poder impor os seus pontos de vista e/ou traduzir nas acções do governo a vontade do povo.
Uma espécie de ditadura pode ser eleita; e um rei absolutista mas prestigiado pode respeitar a vontade do povo. Se um político eleito não tem prestígio, cederá sempre a interesses alheios à vontade da nação; e o prestigio de um rei, que existe antes mesmo de ser confirmado em Cortes, dá-lhe a autoridade necessária para ouvir a opinião pública e defender os interesses da nação.
Passos Coelho é mais uma nuvem passageira da nossa política à procura de um “tacho” em Bruxelas (ou ao serviço de Bruxelas). Mas o Seguro socialista não é melhor: entre outras coisas, também lhe falta o prestígio.














