perspectivas

Sexta-feira, 13 Julho 2012

Um cenário pessoano das tendências políticas actuais

O que é espantoso, na nossa época, é a forma como o sincretismo político e ideológico que é uma característica fundamental da maçonaria especulativa de todos os tempos, consegue fazer alianças fundamentais, aparentemente tão improváveis, como a que se desenha entre a plutocracia internacional — que controla a maçonaria global — e a esquerda radical e neognóstica de algumas nações.

“Todo o grande partido político de oposição, ou seja, todo o partido de oposição que adquire vulto bastante para subverter um regime ou parte dele, se forma com a congregação de três elementos distintos, e não está completo, nem apto para efectuar o intuito, em torno do qual se gerou, senão quando efectivamente congrega todos esses elementos.

Esses três elementos são: (1) um pequeno grupo de idealistas, cujas ideias se infiltram abstractamente por vária gente inactiva; (2) um grupo maior de homens de acção, atraídos pelos elementos activos e combativos do partido, e já distante psiquicamente de todo o idealismo propriamente dito; (3) um grupo máximo de indivíduos violentos e indisciplinados, uns sinceros, outros meio sinceros, outros ainda pseudo-sinceros, que, por sua própria natureza de indisciplinados e violentos, ou desadaptados do meio, naturalmente se agregam a toda a fórmula política que está numa oposição extrema.

Quando o regime ou fórmula, que assim se tornou partido, conquistar o poder, desaparecem os idealistas, pelo menos na sua acção, que acabou historicamente com a realização; assumem o poder os homens práticos, os anónimos derivados dos idealistas e os maus elementos. Agregam-se, formando com estes últimos um pacto instintivo, os que querem comer do regime. Tal é a história de todas as revoluções; por alto que seja o ideal de onde se despenharam, vêm sempre ter ao mesmo vale da sordidez humana.

Forma-se uma ditadura de inferiores. Um período revolucionário é sempre uma ditadura de inferiores.” — Fernando Pessoa


Dos três elementos necessários para se formar uma “ditadura de inferiores” em Portugal, a esquerda radical portuguesa dispõe já de dois deles: os idealistas — que são as caras que aparecem nas pantalhas — e a escumalha violenta e indisciplinada — que são as caras que aparecem nas manifestações violentas. Porém, depois da queda do muro de Berlim, tem-lhes faltado o grupo intermédio que representa o utilitarismo e o pragmatismo dos que dispõem de poder económico e/ou financeiro. Mas a situação tem vindo a mudar em seu favor.

O factor “China” tem vindo a alterar a falta de apoio da plutocracia em relação à esquerda radical. Os partidos da esquerda radical têm vindo a alterar a sua posição em relação às pequenas e médias empresas e pequena iniciativa individual, no sentido de ir ao encontro da política de sinificação de algumas áreas do globo, como por exemplo, a periferia europeia, defendida pela plutocracia maçónica e/ou de Bilderberg [O “Grupo dos Trezentos”, segundo o conceito de Fernando Pessoa].

É assim que, por exemplo, o plutocrata George Soros apoia financeiramente os movimentos revolucionários e neomarxistas da América Latina. Pessoas como George Soros fazem parte do segundo grupo — “os homens práticos querem comer do regime”. O mesmo se passa, por exemplo, com as familórias Rockefeller e Rothschild. E no núcleo duro de Bilderberg — que está historicamente ligado a uma qualquer forma de maçonaria, seja esta a de rito regular, ou seja a dos Illuminati — , predomina já uma tendência para subsidiar os partidos radicais nacionais, não só no sentido de promover a sinificação de algumas nações, mas também para promover a desnacionalização total dos respectivos povos.

Jawohl! ( Asshole)

Quando Melissa Gates — a mulher de Bill Gates — propõe gastar milhares de milhões de Euros em distribuição gratuita de anticoncepcionais, não está a pensar nos interesses das mulheres: está, em vez disso, a pensar numa fórmula ocidentalizada que permita atingir um objectivo idêntico ao da política chinesa do filho único — política essa, a de Melissa Gates, que se enquadra perfeitamente na política cultural da nossa esquerda radical. Verificamos que existe uma perfeita sintonia política, em matéria de cultura antropológica, entre a plutocracia internacional, por um lado, e a esquerda radical, por outro lado — por exemplo, o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista.

Neste quadro político internacional, os partidos socialistas fabianos — por exemplo, o Partido Socialista em Portugal, e o P.T., no Brasil — começam a ser preteridos se não começarem a alinhar pelos interesses simultaneamente comuns à plutocracia e à esquerda mais radical, no sentido da sinificação. É neste quadro político que surgem agora algumas vozes, por exemplo, a de François Hollande em França, no sentido de contrariar a radicalização imanente dos partidos da social-democracia europeia.


O processo de sinificação de algumas das nações ocidentais passa, numa primeira fase, pela atomização da sociedade através do exacerbamento político do individualismo levado a um ponto extremo; nesta fase, os partidos radicais fazem um apelo constante e uma propaganda sistemática, nos me®dia, à autonomia radical do indivíduo.

Conseguida a atomização da sociedade, e destruída — mais ou menos — a coesão social e nacional, os radicais entram numa segunda fase da acção, que é a de organização política interna desses países de acordo com o pragmatismo dos “homens práticos que comem dos regimes”; esta fase é consolidada pela aplicação ad litteram dos preceitos maniqueístas da Teoria Crítica, de Herbert Marcuse e apaniguados, de “tolerância repressiva” e de “tolerância libertadora”, criando uma agressividade cultural crescente em relação a determinados inimigos internos.

A terceira fase da revolução actual é a da obstipação política e da consolidação da “ditadura dos inferiores”, em que esses países passam a ser governados, com mão de ferro, pelos caciques locais radicais ou entretanto convertidos ao radicalismo gnóstico, e a mando da plutocracia e da maçonaria internacional do “Grupo dos Trezentos”. A autonomia radical do indivíduo, que foi inicialmente um instrumento da subversão cultural, de desnacionalização radical e de desagregação da sociedade, passará a ser, então, ferozmente reprimida [como acontece hoje na China].

O que é espantoso, na nossa época, é a forma como o sincretismo político e ideológico que é uma característica fundamental da maçonaria especulativa de todos os tempos, consegue fazer alianças fundamentais, aparentemente tão improváveis, como a que se desenha entre a plutocracia internacional — que controla a maçonaria global — e a esquerda radical e neognóstica de algumas nações.

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