Se o limiar da dúvida e da revolta popular contra o Euro for de X, a União Europeia e os seus caciques portugueses irão fazer para que se mantenha esse limiar em X+1, fazendo, por um lado, com que a precariedade e o empobrecimento português sejam os desejados pelas elites, mas, por outro lado, sem que a opinião pública opte claramente pela ruptura com o Euro. E esta política de “equilíbrio do empobrecimento” poderá durar décadas, até que os portugueses das classes médias e baixas se dêem conta de que outros pequenos países, que estão hoje fora do Euro e que são mais pobres do que o nosso, terão entretanto ultrapassado o nível de rendimento per capita português.
Em compensação pela colaboração dos caciques políticos portugueses, a União Europeia brindará os sibaritas da política portuguesa com os proventos necessários, seja pela protecção velada e institucional em relação à manutenção dos níveis de corrupção em uma política terceiro-mundista, seja na promiscuidade entre as empresas multinacionais emblemáticas da União Europeia e a política portuguesa, seja na atribuição e distribuição de cargos honoríficos e honorários aos políticos portugueses a nível das instituições do leviatão europeu.














