A escrita de um postal com 300 palavras tem que necessariamente sintetizar ideias. E quando se sintetizam ideias, o conteúdo ideológico do postal é susceptível de eventuais interpretações inadequadas, porque lhe falta o detalhe que expurgaria grande parte dos mal-entendidos. Isto faz com que, ao lermos um postal com 300 palavras, tenhamos que nos concentrar naquilo que é objectivo nele — aquilo que está lá escarrapachado e escrito — e não naquilo que pensamos que não está está nele expresso.
Não devemos partir do princípio de que pelo facto de não transparecer, num postal de 300 palavras, um determinado detalhe ou uma certa ideia, decorra desse facto que o autor ignore esse detalhe ou essa certa ideia — porque um postal de 300 palavras não é, obviamente, um postal de 1500 palavras, ou mesmo um opúsculo ou um livro de lombada larga. Fazendo uma analogia: quando escrevemos um postal de 300 palavras, tiramos uma fotografia a um objecto, ao mesmo tempo que ignoramos, mais ou menos, todo o ambiente em redor desse objecto.
Um postal de 300 ou 400 palavras não é um artigo de fundo, daqueles que encontramos nos jornais especializados. A blogosfera ou a Internet não substituem a consulta e a leitura de livros: um postal de 300 palavras pode dar eventualmente e apenas algumas dicas sobre temas a consultar na biblioteca.
Nota: este verbete tem 284 palavras.














