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Sexta-feira, 6 Julho 2012

Os sete princípios fundamentais do distributista

Filed under: ética,cultura,economia,educação,Sociedade,Ut Edita — orlando braga @ 6:01 am
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  1. Entenda a sociedade à luz do princípio da subsidariedade. Aquilo que é da competência da família não é competência, por exemplo, do Estado, e vice-versa.
  2. Assuma o casamento e o compromisso com a sua mulher e tenha, pelo menos, dois filhos.
  3. Sendo casado e com filhos, faça todo o possível para que a sua mulher possa ficar tranquila em casa a cuidar do lar e dos filhos. Ou, em alternativa e em máxima concessão, ela poderá ter um trabalho em tempo parcial [part-time].
  4. A lei portuguesa permite o ensino-em-casa dos seus filhos. Se, por qualquer razão, não for possível adoptar o ensino-em-casa para os seus filhos, acompanhe de muito perto a forma com os seus filhos são educados na escola pública; e se não lhe agradar a educação recebida na escola, mude os seus filhos de escola. Em última análise, adopte o sistema de troca directa e cooperação com os vizinhos e /ou distributistas, juntando as crianças de várias famílias em um sistema comum de ensino-em-casa e contratando uma professora privada.
  5. O trabalho vem depois da família. Primeiro a família, e depois o trabalho. Se o seu patrão não compreender isto, tente trabalhar por conta própria e mande o patrão dar uma volta ao bilhar grande.
  6. Não trabalhe ao Domingo. Dedique este dia da semana inteiramente à família.
  7. Compre produtos agrícolas e/ou manufacturados de produtores locais, regionais e nacionais [por esta ordem de preferência, e sempre que possível, directamente dos produtores].
Adenda: não aprecio o termo Distributismo, porque é um “ismo”, e porque a corrente ideológica distributista vulgar e comum tende a situar a sua origem no século XIX e proveniente da mesma vergôntea do socialismo francês desse século — ao passo que a sua origem real pode ser encontrada nas teorias sociais da Idade Média.

Portanto, a minha teoria distributista é diferente daquela que pulula por aí. Antes de mais nada, o Distributismo é uma filosofia de vida com impacto na economia política, e não uma teoria económica com impacto no modus vivendi.


Adenda: Quando temos um complexo de inferioridade que se traduz num sentimento de superioridade, transformamos pequenos detalhes em grandes problemas. E é assim que um pormenor sem importância objectiva é transformado na tentativa de afirmação de uma superioridade que, de facto, não existe.

Existe gente que pensa que a cultura se aprende nos livros, ou, mais recentemente, na Internet. De facto, nos livros aprendemos a retórica, ao passo que a cultura surge praticamente do berço. Se a cultura não é genética, anda lá muito próxima. E por mais retórica que adquiramos, ou pensemos que adquirimos, nunca substituirá a cultura.

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11 Comentários »

  1. “Assuma o casamento e o compromisso com a sua mulher e tenha, pelo menos, dois filhos.”

    Pra manter uma população estável são necessários pelo menos 2,1 filhos por casal. Apenas dois filhos por casal quer dizer declínio demográfico.

    Comentário por pedrogarciaburgales — Sexta-feira, 6 Julho 2012 @ 8:14 pm | Responder

    • Eu escrevi: “pelo menos”. “Pelo menos” quer dizer “mínimo”.

      Repare bem — e faça bem as contas:

      Se em 100 casais, 90 tiverem pelo menos dois filhos, e apenas 10 casais tiverem três filhos, a média é de 2,1 filhos por casal. Portanto, não é preciso sequer que a maioria dos casais tenham mais do que dois filhos para que se atinja a média de reposição demográfica.

      [90 casais * 2] + [10 casais *3] = 210/100 = 2,1

      Compreendeu?

      Comentário por O. Braga — Sexta-feira, 6 Julho 2012 @ 9:40 pm | Responder

  2. “Eu escrevi: “pelo menos”. “Pelo menos” quer dizer “mínimo”. ”

    Eu sei, Sr. Braga. Eu li o seu “pelo menos.” Mas como conselho dado numa época de forte queda demográfica, o seu “pelo menos dois filhos” me parece uma fraquíssima recomendação.

    “Se em 100 casais, 90 tiverem pelo menos dois filhos, e apenas 10 casais tiverem três filhos, a média é de 2,1 filhos por casal. ”

    Lamentavelmente esta não a realidade européia. Nem remotamente. Mas é, de qualquer forma, uma bonita ilusão.

    “Compreendeu?”

    Explicando assim devagarzinho a gente entende…

    P.S.: Eu já recomendei aqui este video, mas faço de novo: Demographic Winter.

    Comentário por pedrogarciaburgales — Sexta-feira, 6 Julho 2012 @ 10:47 pm | Responder

    • Eu vou fazer um desenho:

      Se em 100 casais, todos eles tiverem pelo menos dois filhos, significa que podem ter mais do que dois filhos. Pelo menos quer dizer que é o mínimo, o que não significa que seja o máximo.

      Existe uma diferença entre mínimo, por um lado, e máximo, por outro lado. Mínimo é uma coisa e máximo é outra.

      Se eu digo que o mínimo é ter dois filhos, e não estabelecendo o máximo, está implícito que o máximo é ou pode ser aquilo que for humanamente possível em termos de procriação dentro do âmbito do casal.

      Eu penso que isto é facilmente compreensível, a não ser que se queira afirmar outra coisa que não seja a lógica.

      Eu compreendo que sendo você brasileiro e eu português, possa eventualmente existir um certo desconforto da sua parte. É a vida! Mas eu não tenho culpa disso. Pode crer, com toda a certeza, que, da minha parte, não existe nenhum desconforto em relação a brasileiros. Mas eu já me apercebi, por experiência própria, que o contrário não é verdade.

      Comentário por O. Braga — Sexta-feira, 6 Julho 2012 @ 10:56 pm | Responder

  3. “Eu vou fazer um desenho.”

    Faça!

    “Se em 100 casais, todos eles tiverem pelo menos dois filhos, significa que podem ter mais do que dois filhos. Pelo menos quer dizer que é o mínimo, o que não significa que seja o máximo.

    Existe uma diferença entre mínimo, por um lado, e máximo, por outro lado. Mínimo é uma coisa e máximo é outra. ”

    É claro, um casal pode ter mais do que dois. Um casal pode ter dezenove filhos, como os Duggar, mas o que é que a possibilidade fisiológica de um casal ter muitos filhos tem que ver com a realidade objetiva da Europa. O seu conselho continua fraco. E nesse meio tempo o inverno demográfico continua vindo, inexoravelmente.

    “Eu compreendo que sendo você brasileiro e eu português, possa eventualmente existir um certo desconforto da sua parte. É a vida! Mas eu não tenho culpa disso. Pode crer, com toda a certeza, que, da minha parte, não existe nenhum desconforto em relação a brasileiros. Mas eu já me apercebi, por experiência própria, que o contrário não é verdade.”

    Do que é que o Sr. está falando?

    Comentário por pedrogarciaburgales — Sexta-feira, 6 Julho 2012 @ 11:18 pm | Responder

  4. Agora sou eu que vou fazer um desenho, até farei dois.. sem querer intrometer-me na conversa, nem sequer fazer a defesa do Orlando, pois, felizmente, não precisa dela, existe de facto um desconforto dos brasileiros em relação aos portugueses. Não é geral, mas existe, não só com os brasileiros, mas também com africanos, sobretudo, angolanos. É aquilo que eu costumo apelidar de “complexo colonialista”, uma espécie de racismo (não gosto deste termo, não define bem a situação) latente e pronto a explodir. A “fé upistática” é uma das manifestações do complexo colonialista, que se caracteriza por uma recusa da realidade dos factos (da colonização), havendo ainda uma distorção da visão clássica do desenvolvimento das sociedades, e por último, um dia, os descendentes dos ex. colonizadores terão de pedir desculpa e pagar indemnizações pelos actos colonialistas.

    Qual é a dúvida ou dúvidas do pedrogarcia burgales???

    Comentário por Filipe Crisóstomo (@Skedsen) — Sábado, 7 Julho 2012 @ 10:08 am | Responder

  5. Subscrevo inteiramente a intervenção do Filipe que aproveito para cumprimentar.

    Quanto ao Sr. Burgales(?) lamento dizer-lhe que a sua 1ª intervenção, não dá azo a mais nada que o comentário – lógico – do caro Orlando; então por que se amofinou? Também fiquei com a impressão, durante essa fase da leitura, que não teria o Sr. percebido lá muito bem o conceito.
    Cumpts

    Comentário por Inspector Jaap — Sábado, 7 Julho 2012 @ 11:07 am | Responder

  6. O seu reparo não tem ponta por onde se lhe pegue. Responder-lhe é desperdício de energia e de tempo, porque você não conseguiu perceber que

    1) se numa sociedade existe uma cultura, e se uma cultura é composta por valores imateriais;

    2) se, numa sociedade, o facto de um casal ter, pelo menos, dois filhos constituir um valor cultural,

    3) logo, isso significa que os dois filhos é um mínimo convencionado pela cultura, e que, por isso, os dois filhos constituem a bitola mínima convencionada pela cultura antropológica.

    Numa sociedade em que ter — pelo menos — dois filhos é uma bitola cultural, bastaria que 1 em 10 casais tivesse 3 filhos para que a média mínima de reposição populacional fosse atingida. Nem isto você quis compreender, porque de facto a sua posição é a de recusar compreender, criar propositadamente uma polémica sem sentido.

    Você quis arranjar um argumento falso para poder fazer um reparo absolutamente gratuito e infeliz. Você pretendeu afirmar uma autoridade de facto que, neste caso concreto, não existe. Você agiu de má-fé.

    Subjacente à relação do brasileiro — e do americano — em relação à Europa — e também em relação a Portugal — está um conjunto mórbido de desejos ou um wishful thinking que têm na sua base base sentimentos profundamente negativos. Cuidado, porque esses sentimentos podem virar-se contra quem os têm!

    Comentário por O. Braga — Sábado, 7 Julho 2012 @ 3:14 pm | Responder

  7. “Agora sou eu que vou fazer um desenho, até farei dois..”

    Ok.

    “Existe de facto um desconforto dos brasileiros em relação aos portugueses. Não é geral, mas existe, não só com os brasileiros, mas também com africanos, sobretudo, angolanos. É aquilo que eu costumo apelidar de “complexo colonialista”, uma espécie de racismo (não gosto deste termo, não define bem a situação) latente e pronto a explodir. A “fé upistática” é uma das manifestações do complexo colonialista, que se caracteriza por uma recusa da realidade dos factos (da colonização), havendo ainda uma distorção da visão clássica do desenvolvimento das sociedades, e por último, um dia, os descendentes dos ex. colonizadores terão de pedir desculpa e pagar indemnizações pelos actos colonialistas.”

    Eu acho que o Sr. vive num alegre e colorido mundo de fantasia. Nárnia não existe, meu amigo. Tampouco existem duendes, elfos ou leões falantes. Talvez essa sua “análise” tenha algum préstimo em relação aos brasileiros residentes em Portugal, não sei dizer, mas ela absolutamente não descreve os outros 200 milhões de brasileiros. A quase totalidade dos brasileiros não tem nenhum “desconforto” a respeito de Portugal, (por mais que o Sr. Braga queira), pelo simples motivo de que eles ignoram o seu país completamente. Falar de Portugal, para a maior parte dos brasileiros, seria o mesmo que falar de Togo, da Eslovênia ou da República de Palau. Apesar da ligação história e cultural remanescente, Portugal é hoje uma referência remotíssima no dia a dia brasileiro. E olhe que eu estou sendo generoso. Praticamente ninguém aqui conhece ou se interessa por conhecer a atualidade portuguesa, diga-se. Equanto ao passado, nem comento. “Complexo colonialista”? Risos mil. Excetuando meia dúzia de acadêmicos agarrados às velhas teses do Manoel Bonfim, do Sílvio Romero e que tais, ninguém na população média se ocupa desse tipo de assunto. E quando alguns poucos viajam até a terrinha é quase sempre devido a razões econômicas ou pela facilidade da língua, e não por motivos sentimentais. E não vai nenhuma agressividade na minha fala. Estou apenas dizendo como a banda toca.

    Ademais, é engraçada essa história de colonização, Europa e Estados Unidos, pois, pelas minhas leituras por essa blogosfera lusófona, são os portugueses em geral a tratar disso. As mençõeszinhas venenosas ao Brasil pululam. A recíproca, no entanto não é verdadeira. No caso presente, quem teve a iniciativa de trazer isso a baila? Ao contrário do que foi dito aqui, a impressão final é que ainda há gente inconformada com o fato de que as Minas Gerais foram fechadas, e cessaram as remessas de ouro e prata. “É a vida! Mas eu não tenho culpa disso.” Boa! E eu não tenho culpa se Portugal parece estar fadado a ser uma nota de rodapé na história do Brasil.

    “Também fiquei com a impressão, durante essa fase da leitura, que não teria o Sr. percebido lá muito bem o conceito.”

    Assim falou o Jaap (?). Não é a primeira vez que eu leio aqui comentários desse teor, sugerindo uma profundidade impenetrável nos escritos mais simples.

    “O seu reparo não tem ponta por onde se lhe pegue. Responder-lhe é desperdício de energia e de tempo, porque você não conseguiu perceber que…”

    Olha aí outro exemplo…

    “…logo, isso significa que os dois filhos é um mínimo convencionado pela cultura, e que, por isso, os dois filhos constituem a bitola mínima convencionada pela cultura antropológica.”

    Ocorre que os famosos dois filhos (“pelo menos”) não são o “mínimo convencionado pela cultura” moderna, mas estabelecidos arbitrariamente pelo Sr. A família ideal decantada hoje em dia pela imprensa, pelos livros, pelo cinema etc., é o casal e no máximo um filho (eu digo casal, e não pai e mãe). Daí a minha sugestão para que – já que o Sr. resolveu se entreter com uma versão pessoal do distributismo – elevasse então um pouco essa bitola, talvez para três ou quatro filhos. Fica aí a idéia. É tudo hipotético mesmo.

    “Você quis arranjar um argumento falso para poder fazer um reparo absolutamente gratuito e infeliz. ”

    As vezes um comentário passageiro é apenas um comentário passageiro.

    “Você pretendeu afirmar uma autoridade de facto que, neste caso concreto, não existe. ”

    Nesse caso concreto? Cavalheiro, você não me conhece!

    “Você agiu de má-fé. ”

    Já chega disso. Eu raramente comento em blogues e francamente só fazia aqui por dois motivos: por esse sítio ser politicamente incorreto e ser do WordPress (o Blogger é impossível), mas não vale a pena.

    P.S.: “Subjacente à relação do brasileiro — e do americano — em relação à Europa — e também em relação a Portugal — está um conjunto mórbido de desejos ou um wishful thinking que têm na sua base base sentimentos profundamente negativos. Cuidado, porque esses sentimentos podem virar-se contra quem os têm!”

    Minha gente, vocês não acham que essa pose de superioridade de velhos fidalgos arruínados, empombados diante de riquíssimos “filhos da Índia,” um bocado ridícula?

    Comentário por pedrogarciaburgales — Sábado, 7 Julho 2012 @ 10:33 pm | Responder

    • Você é típico de uma certa burrice brasileira: aquele tipo de brasileiro que fala português porque de outra forma falaria o tupiniquim, que tenta escrever a língua portuguesa como os portugueses cultos o fazem, e cujo avô era certamente galego porque se chama Pedro Garcia, e que diz que os portugueses não existem. Você é intelectualmente uma grande merda e não tem nível para comentar mais aqui.

      Comentário por O. Braga — Domingo, 8 Julho 2012 @ 3:59 am | Responder

  8. Adenda: Quando temos um complexo de inferioridade que se traduz num sentimento de superioridade, transformamos pequenos detalhes em grandes problemas. E é assim que um pormenor sem importância objectiva é transformado na tentativa de afirmação de uma superioridade que, de facto, não existe.

    Existe gente que pensa que a cultura se aprende nos livros, ou, mais recentemente, na Internet. De facto, nos livros aprendemos a retórica, ao passo que a cultura surge praticamente do berço. Se a cultura não é genética, anda lá muito próxima. E por mais retórica que adquiramos, ou pensemos que adquirimos, nunca substituirá a cultura.

    Comentário por O. Braga — Domingo, 8 Julho 2012 @ 10:32 pm | Responder


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