perspectivas

Quinta-feira, 5 Julho 2012

Bosão de Higgs ou gozão de Higgs?

Se a pegada encontrada pela ciência é referente à partícula de Higgs, ou seja, referente à tal partícula que é a “argamassa” das outras partículas e, por isso, é a “argamassa” da matéria — então qual é a “argamassa” da partícula de Higgs?

A ciência positivista anunciou que descobriu a pegada do gozão de Higgs, e os cientificistas da nossa praça — por exemplo, o blogue Rerum Natura — anunciaram que “depois de 200 mil anos a lidar com impostores, o Criador foi denunciado e exposto”. Aleluia!

Em primeiro lugar, será que a potência do supercollider utilizado no CERN é a necessária para “encontrar” o bosão de Higgs? Segundo a teoria [de campo unificada], a colisão necessária para encontrar o putativo bosão deveria ocorrer sob uma potência de 40 Tev (40 triliões de electrão-volt, sendo que “triliões” é segundo a numeração americana), embora a teoria não defina a massa da partícula de Higgs (?). Confuso? Nem por isso: é uma questão de culinária: juntam-se os ingredientes adequados para fazer o bolo certo, e depois dizes que o bolo já existia, tal e qual, na natureza.



Do que estamos aqui a falar é, verosimilhantemente, de mais uma fraude cientificista para sacar dinheiro aos crentes do cientismo, e obrigar os não-crentes da religião cientificista a calar a boca, pagar e não bufar. Eu não tenho nada contra o financiamento da pesquisa científica, mas em projectos sérios. Se repararem, a ciência do princípio do século XX começou por fazer investigação que salvava vidas humanas, e hoje dedica-se a desenvolver artigos de luxo ou a descobrir a velocidade dos neutrinos ou desvelar a pegada do bosão de Higgs.

Em segundo lugar: mesmo que a pegada encontrada corresponda àquilo que deveria ser o bosão de Higgs — ou “sector de Higgs” — conforme “profetizado” pelo próprio Higgs, a pegada encontrada agora explicaria as partículas elementares mas (1) não pode predizer ou prever as suas propriedades; (2) não explica [estamos aqui a falar de “explicação causal”, e não de “explicação ontológica” que a ciência nunca, jamais e por definição e por sua própria natureza, será capaz de dar], dizia eu que não explica as relações entre as forças fundamentais [a força quântica e a força da gravidade], e (3) e exclui dela o conceito de gravidade.

A ideia egundo a qual a descoberta da tal pegada, que será eventualmente o bosão de Higgs, definiu um modelo de previsões científicas, é falsa; na realidade, têm sido apresentados vários modelos que parecem todos bons, mas que não podem ser provados.

Entre os vários modelos quânticos apresentados, existem dois, digamos assim, preferidos: o modelo chamado de “standard” [Murray Gell-Mann, década de 1970], e o modelo tradicional da relatividade e espaço-tempo. Mas estes dois modelos são incompatíveis entre si. Em função dessa incompatibilidade, o cientismo criou vários modelos complicadíssimos de forma artificial — tipo “geometria pura”, de Lobachevsky e de Bolyai, ou de Riemann —, e seguindo o preceito de Feyerabend segundo o qual “vale tudo” em ciência.

Sem provas experimentais, o cientismo entrou em masturbação mental.

A ciência está hoje em presença de duas “caixas negras”: a “caixa negra” de Darwin, e a “caixa negra” de Einstein — ou, no último caso, aquilo a que alguns cientistas realistas chamam de “O Grande Deserto”, em que a prova fundamental da verdade poderá estar eventualmente no “outro lado do deserto”, mas nem sequer disto há qualquer garantia.

E, se a pegada encontrada pela ciência é referente à partícula de Higgs, ou seja, referente à tal partícula que é a “argamassa” das outras partículas e, por isso, é a “argamassa” da matéria — então qual é a “argamassa” da partícula de Higgs? A Never Ending story…

Outros verbetes sobre a pegada do bosão de Higgs.

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4 Comentários »

  1. A foto é fantástica. Com um toque de culinária pode fazer-se bosões de higgs em série. Nunca pensou em fazer uma patente? “Bosões de higgs no forno com tostadinhos de mel”.

    Mais a sério, diga-se que essa putativa partícula não é uma partícula na real acepção do termo. Como dizia Lothar Schafer no seu livro “Em busca da realidade divina”: «A base do mundo material e real não é material e real como as coisas reais que forma.» Há então, um elemento transcendente, no processo que serve de interacção entre o que não tem massa, a onda quântica, e o que tem massa, partícula elementar. Pelos actuais processos do cientifismo, e como muito bem explicou nos outros verbetes relativos a este tema, o ateísmo e agnosticismo prevalecente entre a maioria dos cientistas pode ser um entrave muito grande à descoberta do elemento que faz a transição da não-massa para a massa.
    É que o mesmo, segundo entendo, é de ordem transcendental, ou seja, espiritual.

    A realidade quântica, indica claramente, que é transcendente e não imanente, e a dificuldade dos homens lidarem com a transcendência, leva-os simplesmente a admitir a imanência em tudo, inclusive no campo científico, que procura sempre novas provas que sabe, em alguns casos, que não podem ser provadas. Corrija-me se eu estiver errado.

    Comentário por Filipe Crisóstomo (@Skedsen) — Quinta-feira, 5 Julho 2012 @ 3:51 pm | Responder

    • “diga-se que essa putativa partícula não é uma partícula na real acepção do termo.”

      Aqui, não estamos totalmente de acordo, porque o Filipe está implicitamente a definir o real, e o real é indefinível. Existe um conceito de real, mas não uma noção de real; ou melhor: qualquer noção de real define apenas uma parte do real. Em suma: mesmo aquilo que não é considerado real faz parte do real.

      Nós estamos inseridos no macrocosmos, os nossos sentidos e a nossa inteligência actuam a partir deste macrocosmos, e é através deles e da razão que podemos intuir, induzir e deduzir a parte do real que está para além deles. Não devemos cair no erro de considerar o macrocosmos como uma coisa não-real, porque o macrocosmos faz parte da realidade e devemos tê-lo em grande consideração e respeito por ser uma obra do Criador.

      “Há então, um elemento transcendente, no processo que serve de interacção entre o que não tem massa, a onda quântica, e o que tem massa, partícula elementar.”

      Aqui, estou de acordo consigo e com Isaac Newton, e não tanto com Leibniz.

      Newton defendeu a ideia de que o universo é uma realidade instável e que necessita de um constante intervenção divina, o que escandalizou Leibniz que via nas leis da natureza a garantia absoluta da estabilidade do universo. Para Leibniz, o Criador criou o mundo e as suas leis, e ausentou-se; para Newton, o Criador está sempre presente em uma espécie de manutenção constante da realidade macroscópica a que pertencemos. E o curioso absurdo é que os naturalistas criticam a personalidade de Leibniz e exaltam a de Newton…

      No nosso universo, as partículas elementares — por exemplo, os electrões — estão constantemente a desaparecer e a aparecer. E quando eu digo “desaparecer”, não digo que se transformam em onda quântica: quero dizer que desaparecem mesmo, deixam de existir como qualquer realidade perceptível aos nossos instrumentos científicos. O bosão de Higgs é um caso desses: alegadamente, a ciência encontrou-lhe a pegada, mas não o isolou como se pode isolar um electrão em forma de partícula, ou mesmo como se pode isolar uma onda quântica. Mas se o bosão de Higgs é uma partícula — que aparece e desaparece —, então tem massa durante o seu curto período de vida macroscópica. E o problema coloca-se na mesma: de onde lhe vem a massa? A ciência está num círculo vicioso, ou no “Grande Deserto”.

      “pode ser um entrave muito grande à descoberta do elemento que faz a transição da não-massa para a massa”

      Eu penso que a capacidade de conhecimento do ser humano acerca da realidade é finita. Chegará a um ponto em que o conhecimento humano objectivo, ou seja, o conhecimento humano inserido na realidade sujeito/objecto, chegará a um ponto-limite. Senão vejamos a teoria do conhecimento finística de Alfred Gierer:

      O biofísico Alfred Gierer chamou à atenção para uma dificuldade particular: a densidade média da matéria no universo foi calculada com base em medições astrofísicas, e aquela é da ordem de uma partícula elementar longeva [protão, neutrão, electrão, etc.] por metro cúbico; considerando a dimensão do universo, resulta daí um número total de cerca de 10^80 (1 seguido de oitenta zeros) de partículas no universo.

      Se multiplicarmos este número pela idade do universo: 20 mil milhões de anos-luz = 10^40 (1 seguido de 40 zeros) períodos elementares [período mínimo de estabilidade de partículas elementares], obtém-se o número 10^120 (1 seguido de 120 zeros) que corresponde à constante cosmológica da natureza (que se designa pelo símbolo Λ).

      Este número Λ representa o limite superior lógico para o trabalho de cálculo de um computador cuja dimensão e idade seriam iguais a todo o universo, que efectuasse cálculos ininterruptamente desde o início da sua existência, e cujos elementos constitutivos fossem partículas elementares longevas individuais.
      Portanto, podemos dizer que Λ é o “máximo excogitável” do universo, como é também o máximo da realidade da existência do universo ― nada é possível, em termos do espaço-tempo, acima de Λ.

      Assim, a teoria do conhecimento finística de Gierer refere que, do número máximo de operações realizáveis no cosmo (porque o cosmo ou universo, é finito), resulta como consequência para a teoria do conhecimento o facto de o número de passos na análise de problemas também ser, por princípio, limitado — sejam eles passos mentais ou passos de processamento de informações através computador. Sobretudo é limitado, por princípio, o número das possibilidades que podem ser verificadas sucessivamente, uma a uma, para comprovar ou refutar a validade universal de uma afirmação. Gierer refere-se aqui estritamente ao Homem inserido no universo ou mundo do senso-comum, como é óbvio. Gierer estabelece o limite máximo do conhecimento possível no mundo macroscópico na constante cosmológica do universo: 10^120.

      Se o próprio conhecimento possível é limitado por natureza (Gierer) e se quanto mais sabemos, mais temos consciência de que muito mais nos falta saber (Nicolau de Cusa) até que o limite universal do conhecimento, segundo Gierer, seja eventualmente e apenas em tese, atingido, concluo que o “quase nada” é sempre o nosso conhecimento relativo e proporcional, segundo o conceito de Nicolau de Cusa. Por muito que o Homem saiba, nunca deixa de saber “quase nada”.

      “A realidade quântica, indica claramente, que é transcendente e não imanente”

      Aqui já não estou, outra vez, de acordo consigo: a realidade quântica é imanente; aliás, a realidade quântica é a imanência propriamente dita! O que acontece é que a realidade quântica tem a sua origem ou causa transcendente, e é através dela que o Criador actua constantemente na nossa realidade macroscópica.

      Este conceito do universo instável segundo Newton, já é antigo: Orígenes escreveu que “o Logos (o Filho) olha constantemente para o Pai, para que o mundo possa continuar a existir” [Abbagnano].

      Comentário por O. Braga — Quinta-feira, 5 Julho 2012 @ 5:13 pm | Responder

  2. Mais uma coisa Orlando, quando me refiro a realidade, sobretudo neste tema, é por falta de outra palavra, digamos que é uma aproximação da ideia. Diz-me então que a realidade quântica é imanente, é a própria imanência. Sendo assim, e tendo em conta que a própria realidade quântica provém de uma outra ordem que actua transcendentemente, pode haver outro modelo padrão(vamos chamar-lhe modelo transcendente), para além do que está legalmente estabelecido. E compreendendo muito bem a teoria finística por si acima tratada, podemos dizer que ao contrário do que diziam alguns físicos, movidos pelas descobertas da física quântica, o fim da física não está para breve, nem o bosão de higgs estará para durar.

    Comentário por Filipe Crisóstomo (@Skedsen) — Quinta-feira, 5 Julho 2012 @ 5:30 pm | Responder

    • O que eu quis dizer é que existe um ponto para além do qual se torna, senão impossível, pelo menos muito difícil progredir em termos da ciência positivista. Por isso é que eu falei nas duas caixas-negras: a de Darwin e a de Einstein. Por isso é que eu falei no “grande deserto”.

      Por outro lado, na nossa realidade macroscópica é impossível conceber a “verdade científica” senão segundo o princípio de falsicabilidade de Karl Popper e na esteira de Aristóteles, segundo o qual se deve partir da experiência para a teoria, e depois da teoria para a experiência — que foi o que se fez no caso do alegado bosão de Higgs: a partir da experiência foram feitos cálculos matemáticos que deduziram a existência do bosão; e depois, fizeram-se experiências que demonstrassem [empiricamente] a existência desse bosão.

      Portanto, em determinadas áreas da ciência, em geral, esta está confrontada com caixas-negras. A partir daqui, esse tipo de ciência segundo Aristóteles e Karl Popper, é, por assim dizer, atirada contra um muro. Por exemplo, a ciência diz que a pegada que encontrou é do bosão de Higgs, mas não existe uma prova irrefutável de que é o bosão de Higgs, o que significa que o princípio da falsicabilidade de Karl Popper foi mandado às malvas — e isto pode ser um princípio perigoso de manipulação ideológica e política da ciência, ou seja, o advento do império do cientismo.

      Portanto, esse “modelo padrão” dito “transcendente” não existe hoje. E a pergunta: poderá existir?

      Antes de Aristóteles — e os gregos, em geral — criar a física e a metafísica, não existia ciência, embora já existisse a técnica. Na mesma época em que os gregos, mal vestidos e barbados, criavam a ciência, a elite chinesa vivia, com esplendor, as benesses de uma técnica muito avançada para aquela época.

      Mas eu não vejo que seja possível a existência de um outro tipo de ciência que não seja esta que temos, a não ser que a espécie humana sofra uma transformação fundamental do seu material genético. A espécie humana é como é, e ponto final. Qualquer tentativa prometaica e transumanista de alterar a natureza fundamental da espécie humana é fruto de uma interpretação delirante da realidade entendida em qualquer e/ou todas as suas dimensões.

      Corolário: a física atingiu já os seus limites em determinadas áreas, e tem muito ainda por onde se estender em muitíssimas áreas. Porém, a obsessão naturalista com a metafísica está a matar a ciência, ou pelo menos está a reduzir-lhe o campo de acção.

      Comentário por O. Braga — Quinta-feira, 5 Julho 2012 @ 5:57 pm | Responder


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