perspectivas

Quinta-feira, 21 Junho 2012

A lógica do absurdo de um nazismo suave

Se há coisa principalíssima na presente crise social e económica que Portugal (e demais países) atravessa ela consiste na catastrófica hecatombe demográfica e nos pressupostos imorais e injustos que a ela conduziram.

Devia pois ser evidente para todos que o melhor e mais expedito modo de superar definitivamente esta enorme calamidade é a que os nossos políticos sumamente iluminados, justíssimos e competentíssimos engendraram: gastar milhões e milhões de euros, na contracepção e no aborto, para evitar a todo o custo que sejam geradas crianças ou, no caso de o serem, possibilitar a sua rápida e inexorável eliminação.

Não se entende por isso como é que ainda há alguns beldroegas embotados, cerebralmente abestalhados, mentalmente aparvados e de entendimento palúrdio, nos quais naturalmente me incluo, que em vez de aplaudirem e cooperarem no salvamento da nação continuam a zurrar e escoicear contra esta solução prodigiosa.

via Padre Nuno Serras Pereira: A Clarividência Genial dos nossos Políticos.

Cantava o poeta Alegre que “a razão mesmo vencida não deixa de ser razão”; ainda que saibamos que o poeta Alegre não tinha razão quando defendeu a legalização do aborto a pedido discricionário da mulher.

“Os factos são teimosos” [Lenine]. O problema da nossa sociedade coloca-se quando a lógica não entra na interpretação dos factos, quando fazemos de conta que a lógica não existe. O pós-modernismo trouxe-nos algumas palavras-chave que se vulgarizaram na academia; por exemplo: “a lógica é uma batata”. Era eu estudante e este chavão propagava-se como a peste negra na Idade Média. Professores e alunos utilizavam-na a propósito de qualquer coisa com que não concordassem. Mas nunca ninguém me conseguiu explicar por que “a lógica é uma batata”.

O pós-modernismo é, de facto, caracterizado pela negação da lógica, e o pior é que esta negação não é vista como uma coisa má, mas antes conduz alegadamente à autonomia do indivíduo e é considerada, por isso, uma coisa muito boa. Um indivíduo autónomo é aquele que nega a lógica; um indivíduo que não nega a lógica não pode ser autónomo porque está condicionado pela axiomática universal e, portanto, dizem, não é livre. Negar a lógica é hoje sinal de inteligência. Dizer asneiras e afirmar incoerências é sintoma de alta criatividade. A opção pelo absurdo é, muitas vezes, consciente; o absurdo parece adquirir uma lógica própria. O discurso errático e desenraizado da realidade objectiva pertence hoje à categoria da genialidade.

E depois há aqueles que embora verificando que a negação da lógica conduz ao absurdo, pensam que não vale a pena contrariar a tendência cultural do nosso tempo. Encaram este fenómeno cultural da procura consciente do absurdo como que uma fatalidade consentânea com o conceito de Destino, segundo Fernando Pessoa. O Destino é uma espécie de entidade oculta que tem já definida a História, e as consequências da acção do Destino na História não podem ser mudadas. “As coisas são assim, e não há nada a fazer”.

Ora as coisas não têm necessariamente que ser assim. Quando o acto de matar um ser humano em formação é considerado um direito, já não estamos só a falar de negação da lógica: estamos também a falar em negação ontológica [a negação do ser]. O absurdo de se considerar o aborto como um direito é levado ao extremo de se poder ter o direito de negar a vida que não é a sua. Estamos já num processo cultural de legalização do homicídio: vivemos hoje um nazismo suave.

Hoje, devemos olhar para aqueles heróis que resistiram ao nazismo, mesmo com sacrifício da sua própria vida, e seguir-lhes o exemplo. Lembro-me por exemplo de três nomes: Claus von Stauffenberg [ateu], Dietrich Bonhoeffer [pastor protestante] e Maximiliano Kolbe [Padre católico]. Todos eles foram sacrificados pela defesa da lógica da vida humana.

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