perspectivas

Terça-feira, 19 Junho 2012

O Rerum Natura, volta e meia, chafurda na mentecapcia

“Na Idade Média os deficientes físicos e mentais eram frequentemente vistos como possuídos pelo demónio e eram queimados como as bruxas.”

via De Rerum Natura: Steven Hawking um exemplo de superação.

O Hélio Dias, colaborador do blogue Rerum Natura, deve ter a ideia da Idade Média deixada pelo filme “O Nome da Rosa”, segundo o livro homónimo de Umberto Eco; mas não deve ter lido o livro, porque este último não trata exactamente o deficiente mental da forma como o filme faz. De qualquer modo, é sempre bom ver um colaborador do blogue De Rerum Natura transformar-se num medievalista, mesmo que não faça a mínima ideia do que está a escrever.

Contudo, gostaria de dizer ao Hélio Dias que a estória d’“O Nome da Rosa” não se passou na realidade. Eu sei que custa aceitar — que o Hélio vai ficar desiludido como uma criança ficaria a quem se retirasse o chupa-chupa —, mas é verdade: “O Nome da Rosa” é apenas uma ficção de um medievalista que, talvez por ser comunista, tenha atribuído uma pontinha de maldade adicional aos franciscanos medievais [porque estes, na sua esmagagora maioria, não eram santos).

O que o Hélio Dias está a fazer — coisa que o blogue Rerum Natura frequentemente faz! — é enganar os seus leitores. O Hélio Dias é um aldrabão.

O que o Hélio Dias não pode dizer — porque é mentira — é que na Idade Média cristã se praticava o infanticídio. Não é verdade. O Hélio Dias é mentiroso. E mesmo tratando-se de deficientes mentais adultos, também não é verdade que eles fossem lançados à fogueira, a não ser no filme de Umberto Eco.

É verdade que os doentes mentais eram isolados da sociedade, e atirados para hospícios em condições sub-humanas. Isto é verdade. Mas o mesmo faziam os regimes marxistas do século XX que o Hélio Dias parece admirar tanto…! Pelo menos, os medievais têm a desculpa de não possuírem meios técnicos que lhes permitissem tratar melhor os deficientes mentais.

A época em que se pratica o infanticídio é a época que o Hélio Dias defende e pugna: a época da ciência.

Esta época do racionalismo e da ciência é a época do infanticídio, e não a Idade Média. Esta é a época do retorno ao racionalismo utilitarista grego que matava as crianças nascidas com deficiência, coisa aliás defendida pelo próprio Aristóteles.

Pois, é: “vês o argueiro que não existe no olho alheio para não veres a trave que tens no teu”. Mas em relação aos brasileiros do sistema, eu dou um desconto: estamos a lidar com gente que não tem a mínima noção do que diz.

O que o Hélio Dias não diz talvez porque não saiba — e mesmo que soubesse não diria — é que quando os médicos ingleses verificaram a doença de Stephen Hawking, deram-lhe pouco tempo de vida; e não diz, também, que a comunidade médica inglesa considera, em surdina, a sobrevivência até hoje de Stephen Hawking como sendo um milagre, pelo menos à luz dos conhecimentos actuais da ciência médica. O meliante prefere dizer que os deficientes, em geral, eram frequentemente queimados vivos na Idade Média.

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1 Comentário »

  1. Frase para emoldurar:
    “Mas em relação aos brasileiros do sistema, eu dou um desconto: estamos a lidar com gente que não tem a mínima noção do que diz.”
    Parabéns, caro Orlando! Que a pena nunca lhe doa!
    Cumpts

    Comentário por Inspector Jaap — Sexta-feira, 22 Junho 2012 @ 5:12 pm | Responder


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