perspectivas

Sexta-feira, 15 Junho 2012

Já não é só o Alcorão: também já inclui os Hadiths

Filed under: A vida custa,Esta gente vota — orlando braga @ 4:20 pm

O que muda, de um aminoácido para outro, são as chamadas “cadeias laterais”. No esquema da molécula, do lado esquerdo da molécula está um grupo que contem nitrogénio [as aminas], e do lado direito existe um grupo de ácido carboxílico [daí o nome de aminoácido]. No centro, existe um átomo de carbono. São as cadeias laterais que diferenciam os aminoácidos.

O processo de formação da proteína a partir de 20 blocos de aminoácidos diferentes, a que Sir Fred Hoyle fez referência, também inclui o complexo processo de “dobragem” da proteína, através do qual as proteínas formam estruturas de uma precisão quase absoluta, tendo em vista uma especifica e determinada função na célula de um organismo.

No sequimento deste meu verbete: O missal darwinista consegue ser pior do que o Alcorão

1. É realmente incrível como se transforma o óbvio num problema: se eu digo, como quase todos os ingleses dizem, que a probabilidade de um determinado cavalo ganhar a corrida do próximo Domingo é de 7, os ingleses sabem bem e intuitivamente que isso significa que a probabilidade é de 1 em 7. Enfim…o que se há de fazer? Afinal, não somos ingleses, não é verdade?

2. Eu estou aqui a dar resposta ao escriba por causa dos leitores que por lá passem — e não por causa da discussão em si mesma, porque é óbvio que o escriba está divertidíssimo, e “a gozar o pagode” que é o leitor comum.

“A probabilidade de o meu genoma surgir da combinação aleatória de genes humanos é ridiculamente pequena, de um em dez elevado a uma batelada. (…) No entanto, o que se deduz daqui é limitado pelo facto, evidente, de que para ser humano não é preciso ter exactamente os meus genes. Há muitas outras combinações, tão boas ou melhores”

O que se pretende dizer com esse trecho supra é que pelo facto de existirem muitas possibilidades de se formar uma determinada sequência de genes, o princípio que subjaz ao processo de formação do genoma humano não é idêntico em todos os seres humanos. Confunde-se propositadamente genes, com genoma. Por aqui se vê o tipo de discussão que o escriba pretende estabelecer.

Ou seja, o trecho parece dizer que quando a informação do ARNm [ARN mensageiro] é traduzida pelo complexo do ribossoma para fazer a cópia do ADN, o princípio deste processo [repito: princípios segundo os quais se regula o procedimento ou processo de cópia do ADN, por exemplo] é diferente no Manuel, no Joaquim, no João, etc.

Mas isto não é verdade. Embora o João, o Manuel e o Joaquim tenham genes diferentes, o processo fundamental de formação do ADN [genoma] nos seres humanos é idêntico em todos os seres humanos. E mesmo as anomalias na formação do ADN não podem ser explicadas por falhas dos princípios do processo em si mesmo, mas antes ou por factores exógenos ao sistema [por exemplo, poluição radioactiva], ou por falha [não explicável pela ciência] dos mecanismos de correcção [por exemplo, falha da nuclease de POL III].

O problema desta conversa é que o escriba está a tentar conduzi-la para uma discussão técnica, em que o leitor comum “não apanha uma” — mais uma vez tentando impor uma autoridade de direito que se esconde no anonimato da blogosfera: ninguém sabe quem o escriba é, na realidade: será um Nobel?!! Pode ser um Nobel…!

Portanto, estamos aqui perante uma situação em que o escriba pretende servir-se eventualmente da ignorância de outrem para falsificar a lógica dos dados, e a contento da sua argumentação. A diferença genética entre indivíduos não significa diferença do processo fundamental de formação do genoma; as combinações diferentes de genes não significam que a forma fundamental — ou o método — como esses genes são combinados seja diferente de um para outro ser humano.

Dou um exemplo grosseiro: se eu formar a combinação de letras OLHTREDFNM, utilizo 10 letras do alfabeto português. Mas se eu formar a combinação de letras UREWCLOUAX, também utilizo 10 letras do mesmo alfabeto português. O que há em comum nas duas combinações de letras são os factos de terem ambas 10 letras e utilizarem ambas símbolos do mesmo alfabeto. E serem ambas as combinações produtos da minha acção, neste caso, ou seja, produto de um designer. E, isso que “há em comum” entre elas faz parte dos “princípios fundamentais” de formação das combinações de letras.

Em suma, e voltando aos aminoácidos e a Sir Fred Hoyle: “aquela sequência” é uma coisa abstracta que o escriba inventou e que não foi referida por Sir Fred Hoyle. O que Sir Fred Hoyle mencionou foi a necessidade de 20 aminoácidos diferentes se conjugarem numa sequência — seja “esta sequência”, “aquela sequência” ou “aqueloutra sequência” ou “aquela aqueloutra sequência”, e por aí fora —, segundo determinados princípios fundamentais, por forma a construírem a proteína. E esse tipo de conjugação que obedece a determinados princípios e a determinado método, é o tal a que Fred Hoyle atribui a probabilidade de 10^40.

3. Vamos atalhar a cumbersa!

“O outro, que também confundiu o Orlando, é que a evolução não junta os aminoácidos de uma vez.”

Mas alguma vez eu fiz essa afirmação? Desde logo, isso seria impossível afirmação da minha parte, porque não é a “evolução” que necessariamente junta os aminoácidos.

Eu gostaria imenso de promover uma petição pública para propor o escriba para o Nobel — uma vez que o seu anonimato não nos permite saber se até já recebeu o prémio. Por isso, gostaria que o escriba me explicasse o seguinte:

Como é que é a “evolução” [através de mutações aleatórias e selecção natural] explica a formação do cílio? — ou do flagelo, ou do olho humano, ou do sistema imunitário, ou de muitos outros sistemas biológicos.

E como fico à espera da resposta do génio, a conversa não tem seguimento enquanto Sua Genialidade não se pronunciar a propósito. Naturalmente que aceitarei uma resposta deste tipo: “daqui a um milhão de anos, os evolucionistas irão explicar o fenómeno”.

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1 Comentário »

  1. Caro Orlando, temo bem que o defunto não valha o valor da cera que com ele está a gastar… só não vê quem não quer, e qualquer pessoa com mais que uma meia dúzia de neurónios, tem a imediata percepção da má-fé intelectual da criatura.
    Cumpts

    Comentário por Inspector Jaap — Sexta-feira, 22 Junho 2012 @ 10:01 pm | Responder


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