Hoje, qualquer cientista honesto, e face às descobertas da bioquímica nos últimos 20 anos, não pode dizer que “o ser humano e o macaco tiveram um antepassado comum”, porque não estamos aqui a falar em uma micro-mutação.
O que Carlos Fiolhais quis dizer com aquela sentença, é que o Homem e o macaco evoluíram gradualmente, à maneira neodarwinista [macro-mutações gradualistas], a partir de um antepassado comum. Repito: evoluíram gradualmente. O que Carlos Fiolhais quis dizer, por exemplo e por simples analogia, é que o surgimento da proteína resultou da evolução gradual, passo a passo, dos aminoácidos; e que os aminoácidos ou os nucleótidos se formaram de forma gradualista, devagarinho, ao longo do tempo, passo a passo; e que as células se formaram à maneira da evolução darwinista, um passinho de cada vez; e que as nano-máquinas intracelulares se formaram gradualmente e “darwinisticamente”; e que os anticorpos e o sistema imunitário se formaram ao longo do tempo e de forma gradual, passo a passo, a partir de um qualquer antepassado comum; etc.. Note-se que não estamos a falar aqui de “micro-mutações adaptativas” ao meio-ambiente…
Carlos Fiolhais deveria apenas dizer: “não sabemos”. Reconhecer a ignorância em uma determinada área da ciência não faz com que os parentes de Carlos Fiolhais caiam na lama. O que faz com que Carlos Fiolhais caia na lama, é o facto de ele fazer de conta de que a ciência não evoluiu, e que não condenou já à morte o seu dogmatismo ideológico-religioso neodarwinista.
Se o princípio da autonomia de Kant serviu para colocar em causa a autoridade do clero religioso do século XVIII, também deve servir, e com acrescida pertinência e urgência, para colocar em causa a autoridade dos ratos de laboratório que se servem do dogma cientificista para promover a sua influência política na sociedade, e para fazer a propaganda ideológica de uma mundividência chã, basista, primária, estupidificante, anética e mesmo anti-científica.














