perspectivas

Quinta-feira, 24 Maio 2012

As “mutações aleatórias” darwinistas: James Barham versus James A. Shapiro

Filed under: Ciência,Darwinismo — O. Braga @ 8:32 am
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James Barham, um americano “filósofo da ciência”, tem mantido uma acesa polémica com James A. Shapiro, um conhecido biólogo molecular e professor da universidade de Chicago.

Devo dizer que não gosto do termo “filósofo da ciência”, porque nos dá a ideia de que a filosofia se pode compartimentar em função do espírito do tempo e segundo a moda da ciência. Agostinho da Silva dizia que o filósofo é “especialista da curiosidade não especializada”. Por outro lado, a polémica entre os dois homens prova à saciedade, e ao contrário do que tinha sido defendido pelo Positivismo, que a filosofia não morreu. Mas sigamos adiante.

O objecto da polémica entre os dois personagens resulta da consequência da verificação da ciência bioquímica em consecutivas novas descobertas na área da genética nos últimos 20 anos, que colocam objectivamente em causa os conceitos darwinistas de “aleatoriedade evolutiva” e de “mutações “aleatórias”.

A ciência chegou já à conclusão de que é “perigoso” utilizar, de ânimo leve, o termo “aleatoriedade” e/ou o termo “mutações aleatórias” [James Barham defende esta posição, e Shapiro não discorda]. O conceito de “engenharia genética natural” [ver mais adiante o exemplo das células B e dos anticorpos no nascituro] não pode ser explicado por intermédio da teoria da selecção natural darwinista; e, por isso, a explicação tem que ser encontrada noutro domínio da realidade.

Por exemplo, as células B são as células que albergam em si os anticorpos que protegem o nosso organismo de ataques bacterianos e virais; são células produzidas pelo tutano dos nossos ossos. Porém, no nascituro, estas células B só começam a ser produzidas já no fim da gestação, porque até então, o nascituro depende exclusivamente da protecção do sistema imunitário da mãe.

E, perto do nascimento e quando se começam a produzir as primeiras células B, dá-se um fenómeno extraordinário no nascituro: o ADN no genoma do nascituro é radicalmente “reorganizado” para permitir a “acoplagem” das moléculas dos anticorpos nas células B; e algum do seu ADN é deitado fora. Até há pouco tempo, pensava-se que essa “reorganização” do ADN do nascituro era aleatória — ou seja, que acontecia ao acaso; mas hoje constata-se que a célula B do nascituro pode “escolher” o tipo específico de anticorpo, e em um conjunto de cerca de dez mil milhões de tipos de anticorpos diferentes!

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