perspectivas

Domingo, 13 Maio 2012

A mulher na sociedade burogâmica de Barack Hussein Obama

Como é possível alguém defender o princípio da autonomia do indivíduo e, simultaneamente, vincular a vida desse indivíduo à tutela do Estado? Eu penso que existe uma contradição fundamental na Esquerda obamista.

Deparei-me com esta campanha obamista “Life of Julia” [A Vida de Júlia]. A Júlia é o exemplo ficcionado de uma mulher americana de raça branca que vive a vida inteira dependente ao Estado, em vez de basear a sua vida na estrutura institucional da família. A Júlia é o protótipo do ideal da mulher segundo a esquerda obamista.

A Júlia, de Barack Hussein Obama, teve um filho aos 31 anos, mas nunca se casou. A Júlia é mãe solteira, ou seja, ela é o ideal obamista de mulher e mãe. Ou melhor: a Júlia vive um casamento vitalício com o Estado obamista. O filho da Júlia é criado e educado exclusivamente com o dinheiro do Estado.

Em 1999, o canadiano Lionel Tiger cunhou o termo “burogamia” para descrever a relação entre as mães solteiras e respectivos filhos das classes baixa e média, por um lado, e o Estado, por outro lado.

O ideal do estatuto da mulher obamista reside na burogamia e no ataque cultural insidioso à instituição da família. O ideal de mulher burogâmica de Barack Hussein Obama é anacrónico, como demonstrou a falência dos estados europeus que sucumbiram à dívida pública. Barack Hussein Obama vive no passado.

Além disso, a campanha de Barack Hussein Obama da mulher burogâmica consegue ser [ainda!] mais radical do que a tese feminista de Germaine Greer expressa no seu livro “The Whole Woman” [“A Mulher Total”, Editorial “Notícias”, ISBN 972-46-114-X, edição portuguesa de 2000]; o livro de Greer chega a ser degradante do ponto de vista estritamente humano e independentemente dos géneros. Mesmo assim, Greer criticou, no seu livro, a actual fragilidade do núcleo da família e a efemeridade dos relacionamentos familiares. A campanha obamista da “Júlia burogâmica” consegue a proeza de subestimar aquilo que a radical feminista Germaine Greer não subestimou.

É bom que as mulheres inteligentes percebam uma coisa muito simples: a políticas de apoio à mulher devem coincidir com as políticas de apoio à família. A ideia obamista de separar radicalmente a realidade dos dois sexos leva a uma sobrecarga financeira do Estado que se demonstrou, na Europa, ser insuportável.

A ideia platónica da república, espelhada na vida da Júlia obamista, é para-totalitária; e é aqui que está a contradição esquerdista a que me referi em epígrafe: como é que um indivíduo pode ser considerado autónomo numa sociedade dependente do Estado e burogâmica? Se nos orientarmos pela realidade, o apoio do Estado deve resumir-se basicamente à garantia de cuidados de saúde [SNS], à aplicação de uma justiça eficiente e célere, à educação das nossas crianças, e à defesa nacional. É impossível que o Estado português ou a União Europeia continuem a subsidiar, por exemplo, movimentos feminazistas, ecofascistas ou homofascistas.

“Um governo que fosse fundado sobre o princípio da benevolência para com o povo — tal o do pai para com os seus filhos, quer dizer, um governo paternal —, onde, por consequência, os sujeitos, tais filhos menores, incapazes de decidir acerca do que lhes é verdadeiramente útil ou nocivo, são obrigados a comportar-se de um modo unicamente passivo, a fim de esperar, apenas do juízo do chefe do Estado, a maneira como devem ser felizes, e unicamente da sua bondade que ele o queira igualmente — um tal governo, digo, é o maior despotismo que se pode conceber.”

— Immanuel Kant

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1 Comentário »

  1. [...] Immanuel Kant (1724-1804) . Peguei daqui.  [...]

    Pingback por O maior despotismo que se pode conceber | Mauricio Serafim - Sociologia Econômica — Domingo, 13 Maio 2012 @ 6:34 pm | Responder


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