perspectivas

Sábado, 4 Fevereiro 2012

Peter Singer: “em termos éticos, o homem é comparável a um rato”

O darwinismo é uma superstição moderna: os animais pensam como pessoas, e criaturas como o “gene egoísta” existem realmente.

Para justificar a ausência de livre-arbítrio no ser humano, Peter Singer começa por compará-lo a um rato — ler o artigo de Peter Singer. Trata-se de uma falácia; de um ponto de partida enganoso e politicamente motivado. E mesmo que não fosse uma comparação, mas uma simples analogia, não deixaria por isso de ser um argumento falacioso. E isto por uma simples e evidente razão: o ser humano não é um rato. Salta à vista.

Porém, a forma como a questão é apresentada por Peter Singer ilude o leitor ao ponto de passar despercebida a diferença entre um ser humano e um rato; e a razão por que o leitor é iludido é a de que Peter Singer invoca a ciência: ao invocar a ciência, Peter Singer consegue transformar o absurdo em lógica.

Peter Singer adora animais...

Por outro lado, Peter Singer sabe que as maioria das pessoas não conhece a história do pensamento ético — o que é uma grande vantagem para quem quer reduzir o ser humano a um rato. Peter Singer utiliza a ignorância da maioria a seu favor, o que é eticamente condenável. Temos, pois, aqui um putativo “eticista” que é anético. Mas isto não é só apanágio de Peter Singer: hoje, a esmagadora maioria dos professores universitários [com excepção da maioria dos físicos] pensam como Peter Singer e utilizam o mesmo tipo de táctica de inferência absurda.

Óscar Wilde escreveu que “um cínico é um homem que conhece o preço de tudo e o valor de nada”. Peter Singer encaixa que nem uma luva nesta descrição.

O grande problema de Peter Singer e dos académicos em geral é a compaixão humana que nenhum outro animal possui. A compaixão humana é a verdadeira ameaça ao determinismo cientificista de Peter Singer, e é por esta razão que o próprio absurdo é utilizado como argumento válido para fundamentar a ausência de livre-arbítrio.

No seu livro “O Mistério da Caridade”, o mundialmente conhecido psicólogo ateu Morton Hunt escreveu que “até agora, é simplesmente desconhecido o que leva heróis impulsivos a arriscarem as suas vidas por pessoas estranhas; a investigação não oferece praticamente nada como resposta a esta questão”. E Peter Singer sugere no seu artigo que a experiência com dois ratos explica cientificamente a compaixão humana; trata-se de pura desonestidade intelectual para induzir a validade do determinismo no comportamento do ser humano. Até hoje não compreendi como Peter Singer pode ser professor universitário em Princeton.


Como se pode constatar pela teoria de Peter Singer, a ausência de Deus na elaboração da ética leva sempre a um qualquer tipo de totalitarismo. A sociedade que Peter Singer defende é uma sociedade em que os critérios para administração de uma “pílula moral” são atribuídos à ciência, e partindo do princípio de que a ciência nunca se engana e assume o estatuto de uma espécie de religião. A recusa do livre-arbítrio está ligada exactamente à construção de um totalitarismo cientificista, que não é novo: Augusto Comte defendeu ideias semelhantes.

Estamos aqui perante o gnosticismo moderno, que utiliza o mesmo tipo de padrão ético e metafísico do gnosticismo da Antiguidade Tardia, sendo que o tipo de religião é hoje diferente. O livre-arbítrio, nos dois casos, é recusado ao ser humano.

Esta recusa do livre-arbítrio humano pode ser detectada ao longo da História europeia, por exemplo, em uma determinada interpretação errada dos textos de Santo Agostinho, na escola de Chartres, na escola de Port-Royal, no Jansenismo, no calvinismo e nos puritanos do século XVIII. Com o Iluminismo, o padrão ético dos antigos e dos medievos gnósticos manteve-se o mesmo, não obstante a alteração específica da religião através, por exemplo, de Augusto Comte: a componente transcendente da religiosidade da Antiguidade Tardia e da Idade Média foi preterida em relação à componente da religiosidade imanente que já existia também na Idade Média e na Antiguidade Tardia: a religião transcendente pulverizou-se em uma miríade de religiões políticas.

Finalmente, e como escrevi aqui:

“A moral cristã não significa que o ser humano ― ou a sociedade ― seja degradado à condição de “receptor de ordens”, porque os valores predeterminados são apenas os valores do respeito perante a vida, de honestidade, de fidelidade, do amor ao próximo. A discussão que se segue hoje na sociedade ou na consciência individual tem que se orientar por estes valores fundamentais quando estão em causa outros valores não incluídos nesta lista de fundamentos éticos. Quando uma sociedade se afasta da religião, cria um problema para si própria: sendo Deus “arrumado”, é substituído pela sociedade, e esta deve fundamentar a moral. E se, como vimos anteriormente, a sociedade não é capaz de o fazer, a culpa é da sociedade e ela sofrerá com isso.”

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1 Comentário »

  1. [...] [a recusa do livre-arbítrio humano], por outro lado — ver, em ligação com este postal: Peter Singer: “em termos éticos, o homem é comparável a um rato”; naturalmente que Peter Singer não é propriamente um adepto do New Age, mas partilha com os [...]

    Pingback por As religiões New Age negam a lógica « perspectivas — Sábado, 4 Fevereiro 2012 @ 8:24 pm | Responder


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