perspectivas

Segunda-feira, 30 Janeiro 2012

Brasil: Abaixo-assinado contra a regulamentação de filósofo como profissão

Filed under: A vida custa,Esta gente vota,filosofia — O. Braga @ 12:10 pm

“Este abaixo-assinado vem manifestar sua recusa e contrariedade para com o projeto de lei número 2533, de 2011, de autoria do Sr. Giovani Cherini, o qual dispõe sobre o exercício da profissão de filósofo.”

via Petition: Abaixo-assinado contra a regulamentação de filósofo como profissão: Contra a regulamentação de filósofo como profissão | Change.org.

A filosofia pode ser tida como uma profissão?

1. Se entendermos “profissão” como uma área de actividade ligada à tecnologia e/ou à ciência positivista, a filosofia não pode ser considerada como profissão. Neste contexto, não existe a profissão de filósofo. Porém, a palavra “profissão” sofreu uma reinterpretação que lhe retirou o sentido original.

2. O substantivo “profissão” teve origem no verbo latino “professare”, que significa “reconhecer”, “confessar publicamente”, “exercer”, “ensinar”, ou “seguir a regra de” alguma coisa [por exemplo, seguir a regra de uma doutrina ou de uma confissão religiosa]. Portanto, do ponto de vista etimológico e histórico, a “profissão” não se reduz apenas a uma actividade técnica ou científico-positivista.

3. Um licenciado em filosofia não é necessariamente um filósofo, pelas razões aduzidas no ponto 4. De um modo semelhante, não existe a profissão de “cientista” senão depois do reconhecimento público e inter-pares desse estatuto profissional; ou seja, um licenciado em Física, por exemplo, não é automaticamente um cientista.

4. No sentido do ponto 2., existe a profissão de filósofo, mas a condição da profissão de filósofo é o reconhecimento por parte da sociedade em geral desse estatuto, e não é necessariamente resultante de um diploma ou de um “alvará de inteligência”. O estatuto de filósofo resulta de um exercício ou de uma prática, e não de um reconhecimento público a priori como acontece com as profissões técnicas. Da actividade de um filósofo espera-se essencialmente uma autoridade de facto que subordine uma eventual autoridade de direito.

5. As ideias do filósofo, como de um qualquer autor e /ou escritor, estão protegidas pelos direitos de autor. Não é necessário um “sindicato de filósofos”, ou coisa parecida, para garantir os direitos de autor dos filósofos.

6. Transformar a profissão de filósofo em uma profissão técnica, conforme o ponto 1., resulta de uma determinada agenda ideológica e política.

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