Quando dois aviões embateram nas torres gémeas de Nova Iorque, gerou-se em todo o mundo um clima político securitário que ainda hoje perdura, e que se aprofundou com a nova tecnologia que despe literalmente o cidadão que pretende viajar de avião. O terror passou a justificar o terror. Em nome da liberdade, restringe-se a liberdade. Quando, à entrada para o avião, sou apalpado em tudo o que é sítio, dizem-me que “é para o meu bem”: quebra-se a privacidade do indivíduo em nome da putativa salvaguarda da sua privacidade.
A crítica que o José Pacheco Pereira faz aqui aos “anónimos”, é pertinente; assim como a crítica que se fez ao totalitarismo comunista, no tempo de Joseph McCarthy, também era pertinente. O que eu já não considero pertinente nem racional foi a “caça às bruxas” do Macartismo, em que muita gente inocente foi apanhada em uma teia de esquizofrenia política e social. Custa-me a aceitar que seja considerado pertinente que, em um ambiente em que alegadamente impera a ilegitimidade e a ilegalidade, se justifique a tomada de medidas ilegítimas, embora legais.
Portanto, a crítica política que o José Pacheco Pereira faz aos “anónimos” é um fait-divers e pretende ocultar o verdadeiro problema, que é ético e resulta, por isso, de uma hierarquização de valores. A reacção dos “anónimos” à lei SOPA é apenas a outra face da medalha de que fazem parte os autores da lei: é um radicalismo que se opõe a outro.















