perspectivas

Terça-feira, 14 Junho 2011

A Esquerda e a cultura da irresponsabilidade (1)

Nas últimas eleições, o Bloco de Esquerda desceu a sua votação para os 5%; o Partido Comunista manteve o apoio ao seu dogma, mas não cresceu. O Partido Socialista (de José Sócrates) levou a sua pior derrota eleitoral desde que me lembro.

Para trás, ficaram seis anos de devastação do país governado à esquerda, a muitos níveis: económico, financeiro, social e cultural. As consequências económicas, financeiras e sociais, resultantes da governação de Esquerda, são infelizmente bem conhecidas por parte dos portugueses. Porém, a dimensão cultural dos estragos causados pela esquerda são enormes e profundos, e colocam em causa a reconstrução do país nas outras áreas e, portanto, o seu futuro.

Contudo, é surpreendente que toda a gente fale de economia e finanças, mas pouca gente se refira à cultura (no sentido antropológico do termo) que é absolutamente decisiva para as outras áreas: é a cultura que delimita a economia e as relações em uma sociedade.


Da esquerda para a direita: Paulo Portas, Teresa Caeiro e Bagão Félix

Em dois anos de vigência da lei socialista do aborto — aprovada pelo Partido Socialista, Bloco de Esquerda, Partido Comunista, alguns deputados “submarinos” do Partido Social Democrata, e mesmo apoiada por deputados do CDS/PP da “quinta coluna socialista”, como é exemplo o caso de Teresa Caeiro (?) —, deixaram de nascer cerca de 60 mil portugueses, e a tendência é para aumentarem os números do novo holocausto socialista, uma vez que o aborto livre e grátis (pago por todos os contribuintes) já é utilizado como um mero contraceptivo.

O decréscimo da população portuguesa é hoje evidente e não há ninguém que invista dinheiro e esperança em um país que caminha rapidamente para um inverno demográfico. Para além dos aspectos éticos do aborto que são candentes, existe aqui um gravíssimo problema prático e institucional que ameaça a sobrevivência da própria sociedade como um todo. Não sendo Portugal um país de destino migratório, está condenado a uma morte lenta e a viver sem um prognóstico de futuro.

Uma outra consequência da irresponsabilidade de Esquerda foi a aprovação da lei do “casamento homossexual” (que a deputada do CDS/PP, Teresa Caeiro, também apoia!). Esta expressão — “casamento homossexual” — é curiosa porque pressupõe a existência de um “casamento heterossexual”. Ora acontece que o casamento não é nem homossexual nem heterossexual: antes é heterossexuado, e não pode ser de outra forma. Em termos objectivos, o “casamento homossexual” simplesmente não existe; é apenas uma fantasia que se escreveu num papel em letra de lei, e que não corresponde à realidade antropológica da nossa sociedade (nem de nenhuma sociedade): não é só um problema ético: é também um problema antropológico.

Se analisarmos as consequências para o nosso país destas duas aberrações legais — a lei do aborto e a lei do “casamento homossexual” — verificamos que existe uma espécie de “fenómeno holístico”, através do qual o desastre total causado à sociedade é superior à soma dos desastres causados isoladamente pelas duas partes aberrantes. As consequências da acção da Esquerda em apenas 6 anos são realmente devastadoras…

As duas leis referidas terão que ser revistas, embora utilizando metodologias e estratégias de revisão diferentes para cada uma delas. É uma questão de tempo.

A revisão dessas duas leis é — utilizando a linguagem de Karl Popper — uma “possibilidade pesada”. Não é preciso ser profeta para afirmar a necessidade dessa revisão e que ela acontecerá inexoravelmente. Normalmente, as pessoas vivem a sua história no tempo e pensam que os “ventos da História” não mudam; pensam que aquilo que têm e de que dispõem hoje é um dado adquirido e imutável; julgam que os erros cometidos no seu tempo não se pagam a longo prazo. Vai chegar um tempo em que os portugueses vão ter que colocar os pés no chão. E já entramos nesse tempo futuro… e as gerações desse futuro irão rir a bandeiras despregadas quando for lembrada a acção lunática e irrealista dos políticos actuais, e quando se evocar a história da irresponsabilidade da Esquerda.

Parte II

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4 Comentários »

  1. Na verdade não consigo compreender o que tem esta gente na cabeça. Os dogmas da liberdade e igualdade deram cabo deste país (deste e de outros). As leis igualitárias apenas servem para nivelar o país por baixo. E nem sequer estou a exagerar… quanto á esquerda propriamente dita, diga-se de passagem que é como um agente infeccioso que por onde passa dizima tudo. O gaymónio serviu a agenda dos que querem controlar tudo e subverter a sociedade para proveito próprio, caminhamos para uma ditadura mundial, a futura idade democrática da escravatura, mas parece que ainda não há consciência disso. Limitámo-nos a meia dúzia de lugares comuns, somos sociedades modernas(?), não entendo que significado tem este termo para a maioria, mas penso bem que moderno aqui rima com desgraça…. A cultura que refere no sentido antropológico foi enfiada num baú, naquele baú das más recordações(!) e chutado para canto. O que interessa hoje ao homem comum é tecnologia de massas, imbecilização e fazer de conta que somos algo que não somos na realidade, ricos, famosos, sexys, cultos(!?), modernos ( o que quer isto dizer na realidade?), etc.
    Mas, como dizia jesus Cristo, é preciso que o mal triunfe, é necessário que a iniquidade vença, para de seguida vir o movimento ascendente que limpará tudo.
    Cumprimentos.

    Comentário por Skedsen — Terça-feira, 14 Junho 2011 @ 9:26 am | Responder

  2. [...] A Esquerda e a cultura da irresponsabilidade (1) [...]

    Pingback por O “problema gay” « perspectivas — Terça-feira, 14 Junho 2011 @ 5:06 pm | Responder

  3. [...] A Esquerda e a cultura da irresponsabilidade (1) [...]

    Pingback por Por que é que os activistas gay insultam invariavelmente quem não concorda com eles? « perspectivas — Sábado, 18 Junho 2011 @ 12:38 pm | Responder

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