Para a ciência Física, é possível prever que ½ de grama de urânio se decompõe em 4,5 milhões de anos; porém, à ciência não é possível dizer quando apenas um só átomo de urânio se decompõe: pode levar muitos milhões de anos ou pode decompor-se imediatamente (em termos do nosso tempo).
O físico Louis deBroglie apresentou em 1959 aquilo que ficou conhecido como o “paradoxo de deBroglie”.
1. Imaginemos uma caixa que tem duas partes A e B, amovíveis, exactamente iguais e separadas entre si por uma dupla divisória corrediça; e que, numa fase inicial, as duas partes da caixa estão abertas pela divisória — isto é, formam, nesta fase, uma só caixa. Nessa caixa é colocada uma partícula elementar; por exemplo, um electrão. Antes de qualquer observação do electrão (utilizando instrumentos de medição laboratoriais), a probabilidade de encontrar o electrão é mais ou menos a mesma em toda a caixa (composta pelas partes A e B).
2. Se fecharmos a dupla divisória corrediça, a caixa fica então divida em duas partes: A e B. Agora, o vector de estado (ou seja, a relação entre a força potencial e a força cinética do electrão e a sobreposição de ondas) distribui-se em cada uma das caixas A e B, indicando que há apenas 50% de possibilidades de que o electrão se encontre na parte A da caixa, e outras 50% de possibilidades de que o electrão se encontra na parte B da caixa. Até aqui, isto parece lógico, porque nós não sabíamos antecipadamente onde se encontrava o electrão quando a dupla divisória foi fechada — e portanto, as possibilidades dividem-se igualmente pelas duas partes da caixa.
3. A parte A da caixa é levada para Lisboa, e a parte B da caixa é transportada para o Porto.
4. Em Lisboa, abriu-se a parte A da caixa. O electrão está lá. Então, ficamos a saber que o electrão não se encontra na parte B da caixa que se encontra no Porto. A constatação deste facto — de que o electrão se encontra na caixa A de Lisboa — leva-nos a pensar que o electrão já lá estaria imediatamente depois de a caixa principal ter sido separada pela dupla divisória corrediça; é este o raciocínio lógico do senso-comum.
5. Porém, não é a conclusão do ponto 4 que decorre da física quântica. Esta diz que existe a probabilidade de o vector de estado (ou seja, o electrão) se encontrar simultaneamente nas duas partes A e B da caixa — ou seja, existe a possibilidade equitativa de o electrão se encontrar tanto na caixa do Porto como na caixa de Lisboa. E foi a medição (observação) da caixa A, que se verificou em primeiro lugar, em Lisboa, que provocou a imediata anulação do vector de estado (do electrão) da caixa do Porto através de uma redução do feixe de ondas. Por outro lado, isto significa que antes da medição de Lisboa da parte A da caixa original, o electrão não estava objectivamente localizado em uma das partes A ou B da caixa (como matéria, ou partícula, ou corpúsculo), mas antes encontrava-se simultaneamente nas duas partes A e B da caixa original, como se de um fantasma diluído se tratasse.
6. Em suma: foi a medição laboratorial — ou seja, a “observação”, por parte de uma consciência — do electrão que determinou a sua localização na caixa A de Lisboa, e não na caixa B do Porto.
Para o ser humano religioso, estes paradoxos quânticos não são difíceis de assimilar — “assimilar” pode ser diferente de “compreender”; assimilamos uma determinada ideia ou conceito paradoxal por intuição, enquanto que a compreensão tem uma dose imprescindível de racionalismo. Por exemplo, quando testemunhos fidedignos nos revelaram que o Padre Pio de Pietrelcina se apresentou simultaneamente em dois locais diferentes (ubiquidade), para um ser religioso estes testemunhos não revelam um paradoxo, mas apenas a constatação e o reconhecimento de que a realidade é paradoxal por sua própria natureza.
















Há outro teorema muito interessante, que é o teroema de Bell, que demonstra que o conceito de tempo não existe, ou seja, que a natureza do universo é não-local. E a não-localidade do universo ajuda a explicar estes fenómenos. Porque quando acontece a anulação de vector de estado que decorre de uma observação, instantaneamente todas as possibilidades, ou melhor dito, toda a função de probabilidades colapsa em virtude da observação. A realidade do mundo quântico é uma realidade diferente das coisas reais. Vou dar aqui um pequeno exemplo:
- Os electrões existem em estados de spin up e down, e o que o teorema de Bell demonstrou (para além de outras coisas) é que dois electrões separados por milhões de quilómetros, mudam instantaneamente de estado se um deles mudar. Se um electrão down passa a up o seu correspondente muda também o seu estado de up para down, não importando a que distância estejam um do outro. Não há paralelo no mundo físico. A simetria do mundo quântico tem aqui também um papel importante. Na realidade o electrão não é uma partícula sólida como a matéria que conhecemos, nem tão pouco tem qualquer comportamento que se assemelhe a tal, é uma onda, que passa a partícula sempre que há uma observação. Assim como o protão, neutrão e outras partículas. A ubiquidade é uma prova de que o tempo não existe, é uma função de perspectiva, tão-só isso. E é por isso também que os milagres da religião eram chamados de alta-ciência em tempos antigos
Comentário por Skedsen — Segunda-feira, 13 Junho 2011 @ 10:18 am |
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Princípio da não separabilidade de Bell (que aliás resultou do oposto do que Bell queria demonstrar). Esse fenómeno não ocorre com TODAS as partículas; mas pode ocorrer, em determinadas circunstâncias.
Obrigado pelo seu comentário!
Comentário por O. Braga — Segunda-feira, 13 Junho 2011 @ 1:59 pm |
no Brasil que é um universo a parte coisas paradoxais como esta são possíveis.
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http://www.change.org/petitions/abaixo-assinado-contra-a-regulamentao-de-filsofo-como-profisso-contra-a-regulamentao-de-filsofo-como-profisso
Comentário por Marcelo R. Rodrigues — Segunda-feira, 30 Janeiro 2012 @ 10:54 am |
http://espectivas.wordpress.com/2012/01/30/brasil-abaixo-assinado-contra-a-regulamentacao-de-filosofo-como-profissao/
Comentário por O. Braga — Segunda-feira, 30 Janeiro 2012 @ 12:13 pm |