perspectivas

Segunda-feira, 18 Outubro 2010

Angela Merkel e a falência do multiculturalismo na Alemanha

« A chanceler alemã, Angela Merkel, lançou nova acha para a fogueira do debate em curso no país sobre a imigração e islamismo, avaliando que a tentativa de criar uma sociedade multicultural na Alemanha “falhou redondamente”. »

in Público

Eu sou insuspeito para falar de Angela Merkel; por várias vezes já escrevi aqui que ela é boçal e expliquei por quê. Não vale só dizer o que uma pessoa é; é necessário explicar porque é que ela é.


Quando, em princípios dos anos 80, vivi durante um ano na então República Federal da Alemanha, circulou uma edição de uma revista escolar destinada aos professores em cuja capa figurava uma árvore desenraizada (parecida com a da imagem aqui ao lado) e fazendo menção, no título, à necessidade de integração da comunidade imigrante. Estava então no poder o socialista Helmut Schmidt. Desde então ficou muito claro para mim que existia um problema — não só na Alemanha, mas na Europa — que tenderia a agravar-se.

A esquerda marxista cultural — que normalmente nos diz que “o mundo não é a preto e branco” e que “há outras cores” —, perante as declarações de Angela Merkel, não as consegue distinguir das posições assumidas pelos neonazis alemães; quando as cores políticas são diferentes das da esquerda marxista, o mundo já passa a ser a preto e branco. O “mundo a cores” só existe na certeza absoluta dos “amanhãs que cantam” do maniqueísmo puritano gnóstico dos neomarxistas.

Existe um livro publicado (não o li, mas tive acesso a partes dele) por Peter Hammond com o título “Slavery, Terrorism and Islam: The Historical Roots and Contemporary Threat” em que se apela ao senso-comum ocidental acerca da influência islâmica nas sociedades ocidentais. Por exemplo, e segundo Hammond, quando a percentagem de islâmicos em uma sociedade é de cerca de 1%, a comunidade islâmica é considerada pacífica. Quando a percentagem islâmica na população se situa entre 2 e 3%, inicia-se um processo de proselitização islâmica entre as minorias étnicas, nas populações prisionais e entre os gangues citadinos.

A percentagem de muçulmanos na Alemanha ultrapassa já os 4% da população (cerca da percentagem em Espanha), e com tendência a crescer geometricamente. A partir dos 5%, a comunidade islâmica inicia um processo de exigência desproporcionada e desproporcional da sua influência a exercer em algumas áreas da sociedade. Por exemplo, exigem a introdução do conceito cultural islâmico de Halaal (a pureza, segundo os padrões islâmicos e aplicável a uma série de coisas, incluindo a alimentação), pressionando os supermercados do país ocidental a ter disponível a comida de tipo Halaal.

A França de Sarkozy ainda está pior do que a Alemanha, porque cerca de 8% da população do país é imigrante islâmica. A partir deste patamar de influência na sociedade, a comunidade islâmica exige uma lei separada para ela — a Sharia, ou lei islâmica. Nestas condições estão, para além da França, a Suécia (5%) e a Holanda (6%).

Os 10% de muçulmanos em relação à população total em uma sociedade de raiz não-islâmica é chamada de “singularidade islâmica”, que é o ponto através do qual a sua influência se começa a aproximar do infinito.

É preciso que se note que a intenção do Islão não é a conversão dos infieis; é, antes, a imposição da lei da Sharia em todo o mundo, independentemente da fidelidade ou não fidelidade ao partido, perdão, ao Islão. O Islão é uma ideologia política — uma religião política — antes de ser uma religião espiritual e transcendental; o Islão é um princípio de ordem política.

A partir dos 10% do total da população, começa uma guerra civil autêntica, como acontece na Índia (14%), Israel (16%), Rússia (15%), Etiópia (33%). A partir dos 40% começam os massacres em massa contra as populações não-islâmicas, como na Bósnia (40%), no Chade (53%), ou no Líbano ( 60%). A partir dos 60% começam as limpezas étnicas e a aplicação do imposto islâmico (Jizya) — Albânia, Malásia, Catar, Sudão…E por aí fora.


A posição de Angela Merkel nesta matéria é politicamente conservadora, e portanto, não é revolucionária como a demonstrada pelo socialista Thilo Sarrazin, há poucos meses atrás, com a publicação de um livro sobre a imigração islâmica. Angela Merkel apela à integração dos imigrantes e pede-lhes que aprendam a língua alemã; será isto pedir demasiado ?

Portanto, se me perguntam se perante a realidade dos factos a Angela Merkel tem razão, eu diria que ela tem toda a razão. E quem diz a Angela Merkel, diz o Sarkozy ou Geert Wilders. Porém, o meu problema em relação a estes e outros actuais líderes políticos europeus, é outro.


A actual política do leviatão europeu — nomeadamente a política emanada dos países do directório — não pretende reforçar as raízes cristãs da Europa, tal como se viu quando se baniu o Cristianismo do Tratado Constitucional de Lisboa. A política cultural desta Europa do novo leviatão de Hobbes é comandada pela maçonaria europeia, por um lado, e pela esquerda neomarxista e/ou cultural, por outro. E é exactamente a falta ou a lacuna de uma realidade religiosa autóctone (i.e., o Cristianismo) que alimenta a sanha, embora de modos diferentes, dos radicalismos dos neonazis e dos marxistas-sociais-fascistas — na minha opinião, ambos os grupos políticos são de esquerda e são ambos revolucionários.

O que os políticos europeus actuais pretendem é a quadratura do círculo: substituir qualquer religião pelo laicismo (não confundir com laicidade) e mesmo pelo ateísmo de Estado. E para isso, esses políticos tanto criticam o Islão como criticam o Vaticano.

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1 Comentário »

  1. Prezados,

    Ao resolver imprimir a matéria que achei boa, para debatê-la com alunos em sala de aula, a impressora gastou inacreditáveis 11 páginas. A matéria estava contida em 3 páginas e a partir da quarta página foram impressas coisas incompreensíveis, listas de categorias do site, número de visitantes, carimbos contra o acordo ortográfico (também sou contra, mas e daí?) em suma, informações não desejadas e jamais imaginadas… Achei isto um desperdício tamanho e inadmissível, que o site deve imediatamente remediar.

    Comentário por Maria Cecília Moraes — Quinta-feira, 4 Novembro 2010 @ 2:59 pm | Responder


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