Defender a pena de morte em nome da tradição católica e invocando S. Tomás de Aquino ou Santo Agostinho, é um absurdo. Quem ler esses católicos pensará que S. Tomás de Aquino frequentava a pastelaria Brasileira (à praça do Rossio) há meia dúzia de anos atrás, e que gostava de visitar o santuário de Fátima.
S. Tomás de Aquino nasceu no primeiro quartel do século XIII !!! (porra!!) S. Tomás de Aquino é contemporâneo do rei D. Sancho II, que foi o nosso quarto rei.
A razão porque a igreja medieval — e o próprio S. Tomas de Aquino — defendeu a pena de morte liga-se com a mesma razão porque o fizeram os antigos judeus: não existiam prisões. Os judeus antigos eram um povo nómada, e os nómadas, exactamente na medida em que deambulam de um lado para outro, não podem ter uma tradição de encarceramento dos seus criminosos. Com a ocupação dos pagãos romanos, a tradição da pena de morte manteve-se em todo o império romano.
Na Europa medieval não existiam praticamente prisões. Por exemplo, a Torre de Londres (construída em 1066) só passou a servir de prisão a partir do século XII (antes disso, decapitavam os criminosos porque não existiam prisões), e mesmo este tipo de edifícios era muito raro na Europa.
O castelo da Bastilha foi construído no século XIV (durante a guerra dos Cem Anos) mas não serviu de prisão senão a partir do fim da guerra (meados do século XV).
Contudo, edifícios como a Torre de Londres ou a Bastilha eram muitíssimo raros em toda a Europa. Só a partir de finais do século XVIII é que as prisões se tornaram comuns na Europa.
Em uma encíclica de 1995, o Papa João Paulo II opôs-se à pena de morte, exactamente porque esta já não faz sentido — já existem prisões e já não vivemos em uma sociedade nómada.
Naturalmente que nem sequer vou invocar aqui argumentos éticos; fico-me pelos factos e pela lógica. Porém, não deixo de ficar com os cabelos em pé com alguns “católicos” que pretendem voltar à idade da pedra — são esses “católicos” que dão razão aos ateus.
















Assim rezam os três catecismos da Igreja Católica:
Catecismo Romano
“Outra espécie de morte lícita é a que compete às autoridades. Foi-lhes dado o poder de condenar à morte, pelo que punem os criminosos e defendem os inocentes, de acordo com a sentença legalmente lavrada. Quando exercem seu cargo com espírito de justiça, não se tornam culpados de homicídio; pelo contrário, são fiéis executores da lei divina, que proíbe matar.” VI. 5º Mandamento §§ 2-8
Catecismo Maior de São Pio X
“É lícito tirar a vida do próximo: durante o combate em guerra justa; quando se executa por ordem da autoridade suprema a condenação à morte em castigo de algum crime; e finalmente quando se trata de necessária e legítima defesa da vida, no momento de uma injusta agressão.” nº 413
Novo Catecismo da Igreja Católica
“O ensino tradicional da Igreja não exclui, depois de comprovadas cabalmente a identidade e a responsabilidade do culpado, o recurso à pena de morte, se essa for a única via praticável para defender eficazmente a vida humana contra o agressor injusto.”(2267)
Comentário por O Reaccionário — Quarta-feira, 28 Julho 2010 @ 9:31 pm |
A ser verdade isso, não só não me considero católico, como penso que o catolicismo é anacrónico e deve ser condenado. Mas não é verdade porque existe uma encíclica papal “Evangelium Vitae” que diz exactamente o contrário. A não ser o que comentarista seja maior do que o Papa, ou que uma enciclica papal tenha menos valor do que um catecismo medieval — do tempo em que não existiam prisões nem dinheiro para as construir.
Contudo, convém dizer que eu sou a favor de penas de prisão perpétuas em crimes de sangue.
Comentário por O. Braga — Quarta-feira, 28 Julho 2010 @ 9:40 pm |
Há gente, que pelo seu radicalismo, presta um péssimo serviço à religião. A começar pelos integralistas islâmicos.
Como é possível ser-se contra o aborto e defender a pena-de-morte? “Não matarás!”.
Comentário por O. Braga — Quarta-feira, 28 Julho 2010 @ 9:41 pm |
Pois é, o Catolicismo só é bom quando lhe dá jeito, ou seja, quando está de acordo com o seu próprio ego. Mas depois eu é que sou “maior do que o Papa”. Pois por aqui se vê quem é verdadeiramente soberbo.
O Novo Catecismo da Igreja Católica não é medieval, é obra de João Paulo II.
Integralistas islâmicos? Pois eu sempre professei fé em Cristo e fidelidade à Sua Igreja, única e verdadeira Igreja. Já do Orlando não se pode dizer a mesma coisa: de “cristão” a hindu, passando por budista, de tudo um pouco já lhe conheci. Portanto, no que se refere a religião, toda a palavra que o Orlando produza é vã.
(Nota do autor do blogue) :
Não devemos confundir “teologia” com “filosofia”. Falar da filosofia budista, cristã, hindu ou confucionista, não é teologia: é filosofia!
Comentário por O Reaccionário — Quarta-feira, 28 Julho 2010 @ 10:50 pm |
Qualquer ideologia que defenda a pena-de-morte tem que ser combatida. Se a Igreja católica o faz, terá que ser combatida e erradicada.
Comentário por O. Braga — Quarta-feira, 28 Julho 2010 @ 10:59 pm |
E o homem continua a dizer que viu o S. Tomás de Aquino no outro dia na Brasileira do Rossio… e confunde “justiça” com “cultura”. Se calha, da Summa Theologiae só conhece aquela parte, que é a que interessa para radicalizar a teoria… Mas uma outra obra de S. Tomás (Summa de vertitae fidei catholicae Contra Gentiles) nunca é referenciada pelos radicais anti-cristãos que se fazem passar por católicos; é que nesta obra, S. Tomás critica os bárbaros e a sua cultura desumana.
http://o-reaccionario.blogspot.com/2010/07/estamos-sempre-aprender.html
Comentário por O. Braga — Quarta-feira, 28 Julho 2010 @ 11:31 pm |
Para o leitor que tem dúvidas sobre S. Tomás de Aquino, ler o que eu escrevi sobre a sua ética:
http://espectivas.wordpress.com/2008/09/12/a-etica-segundo-s-tomas-de-aquino/
Comentário por O. Braga — Quarta-feira, 28 Julho 2010 @ 11:54 pm |
[...] A total insanidade do marxismo cultural Filed under: A vida custa,Esta gente vota,Europa,Gayzismo,Política,cultura,educação,feminismo,gnosticismo,politicamente correcto,religiões políticas — O. Braga @ 5:56 pm Tags: Esquerda, feminismo, libertarismo, marxismo cultural, politicamente correcto, União Europeia As ideias de Herbert Marcuse e Theodore Adorno continuam a destruir a nossa sociedade por dentro — e no meio disto, a preocupação de certos católicos é afirmarem a probidade da pena-de-morte… [...]
Pingback por A total insanidade do marxismo cultural « perspectivas — Quinta-feira, 29 Julho 2010 @ 5:56 pm |
Prestam um mau serviço ao catolicismo, estes “reaccionários”. E pelo teor do blogue nem vale a pena discutir…
Comentário por Henrique — Sábado, 31 Julho 2010 @ 12:36 pm |