(…)
Ou você fundamenta o Estado de direito numa concepção tradicional da dignidade humana, ou você o reinventa segundo o modelo do mercado, onde o direito às preferências arbitrárias só é limitado por um contrato de compra e venda livremente negociado entre as partes.
(…)
O conservadorismo é a arte de expandir e fortalecer a aplicação dos princípios morais e humanitários tradicionais por meio dos recursos formidáveis criados pela economia de mercado. O liberalismo é a firme decisão de submeter tudo aos critérios do mercado, inclusive os valores morais e humanitários.
O conservadorismo é a civilização judaico-cristã elevada à potência da grande economia capitalista consolidada em Estado de direito. O liberalismo é um momento do processo revolucionário que, por meio do capitalismo, acaba dissolvendo no mercado a herança da civilização judaico-cristã e o Estado de direito. »
— Olavo de Carvalho, “Por que não sou liberal” ; ler o resto.
Lendo esse texto de Olavo de Carvalho, passamos todos a perceber melhor algumas opiniões expressas no Insurgente ou no Blasfémias, e mesmo algumas diferenças de opinião entre os escribas do Corta-Fitas. A direita portuguesa não é toda igual, e enquanto o Partido Social Democrata de Passos Coelho — aquilo a que chamo de “direita medíocre” — entra agora numa deriva liberal (um dia destes o partido muda de nome), o CDS/PP assume cada vez mais uma linha política conservadora.
É bom que se separem as águas e que ninguém coma “gato por lebre”.















[...] http://espectivas.wordpress.com/2010/07/03/a-diferenca-entre-um-conservador-e-um-liberal/ [...]
Pingback por A diferença entre um conservador e um l … « Socraquistão — Sábado, 3 Julho 2010 @ 7:01 am |
Muito boas observações.
Mas me parece válido notar que o que você e o Olavo estão atacando, e com razão, é a prática liberal economicista, fundamentada na supremacia do mercado. A qual é materialista em essência, assim como o marxismo.
De qualquer forma, acredito que o pensamento dito conservador, baseado em valores morais e humanos mais consolidados, ainda pode (e deve) conviver com a defesa da liberdade num outro sentido, especialmente a liberdade de comunicação, fundamental em democracia, sem a qual o próprio conservadorismo tende a ser esmagado, como já acontece em tantos lugares do mundo.
Saudações.
Comentário por livrexpress — Sábado, 3 Julho 2010 @ 7:25 am |
Orlando, se por um momento ignorarmos os princípios abstractos e os conceitos que enquadram esta ou aquela maneira de encarar a economia, verificamos que tais discussões muito servem para distrair e obscurecer o que efectivamente se passa no terreno. Veja (ou vejam) isto: http://www.youtube.com/user/TheAlexJonesChannel#p/u/1/QrC9pp1SHF4
Começo a julgar a tal direita mediocre como deslubrada ou provinciana (na melhor das hipóteses) ou simplesmente a soldo de alguma coisa. Ao fim ao cabo, na prática não passam da versão “capitalista” dos “idiotas úteis” da esquerda.
Eu insisto na ideia que a coisa é mais sinistra do que se diz mas quase sempre recebo aquele displicente e cómodo comentário da “teoria da conspiração”. Sempre é mais fácil e dispensa trabalho de investigação. E presta-se muito bem a sobrancerias de néscios vaidosos.
Comentário por P. Marcos — Sábado, 3 Julho 2010 @ 3:31 pm |
@ P Marcos
O Alex Jones tem razão em muitas coisas, mas também é verdade que ele tem a tendência para exagerar um pouquinho noutras. Contudo, ele tem razão quando denuncia os grupos ligados a Bilderberg dos Rockfellers e Cia. que, explicando a traço grosso, pretendem estabelecer a nível global o modelo político chinês que elimina a classe média, elimina os valores religiosos da sociedade e transforma o ser humano em uma mera peça de um sistema neoliberal que é o corolário do liberalismo como religião política — naquilo que Olavo de Carvalho descreve como “um momento do processo revolucionário”.
Nós não podemos esquecer que a família Rockefeller financiou a União Soviética de Estaline enquanto este inventava os Gulag; a mesma família financiou o regime nazi para que este se pudesse preparar para a guerra. E é a mesma família, sempre associada a outros liberais, que estão agora por detrás de Bilderberg, que tem em Pinto Balsemão o seu agente máximo em Portugal.
Naturalmente que o liberal submete a moral, a ética e os valores humanitários ao mercado ( = tudo se compra e vende, sem limites ou critérios), e por isso está sempre a “soldo de alguma coisa”. Portanto, não tenho dúvidas absolutamente nenhumas de que certa blogosfera anda a soldo.
As definições das coisas têm a vantagem de incomodar quem se aproveita da indefinição e da confusão para ganhar vantagem. Eu tenho um especial gosto pelas definições, mesmo que esteja errado em um momento, e tenha que redefinir em um segundo momento. O Olavo de Carvalho nada mais fez do que definir.
Comentário por O. Braga — Sábado, 3 Julho 2010 @ 6:14 pm |
Sem querer menosprezar o esforço em querer bem definir as palavras e os conceitos! Porque subvertendo o significado das palavras é negar o seu valor e o que representam.
Comentário por P. Marcos — Sábado, 3 Julho 2010 @ 4:32 pm |
[...] Desde logo, Ernest Sternberg confunde “liberalismo” com “conservadorismo”. Remeto para este postal a definição das diferenças entre uma coisa e outra. Depois, Ernest Sternberg não se refere, em [...]
Pingback por O Neopuritanismo ou o Purificacionismo (1) « perspectivas — Quarta-feira, 7 Julho 2010 @ 12:20 am |
Outra explicação muito interessante das diferenças entre conservador e liberal(embora eu não concorde com todo o texto) pode ser encontrada aqui:
http://ozconservative.blogspot.com/2007/04/what-is-conservatism.html
Um aspecto interessante do texto, é que o autor também aborda a questão da obsessão dos liberais com a masturbação intelectual, a “utopia futurista” e acima de tudo a sobrevalorização do abstracionismo sobre o ser humano. Algo semelhante ao explicado no texto numero 12 sobre o gnosticismo moderno.
trecho com grifos meus:
There are some typical differences between the way that conservatives and liberals think about things. For instance:
Human nature. Conservatives believe that there exists an essential human nature. This human nature is flawed, having both higher and lower qualities. Our human nature gives a definite direction to our lives. It is a part of the aim of any society, and of every individual, to draw out what is best in our nature, and to repress the worst, a difficult process that might occur over a long period of time.
Liberals, in contrast, want the individual to be created through his own will and reason. They therefore prefer to view the individual as a “blank slate” without any inherent qualities to influence his behaviour or to encourage particular loyalties or forms of association.
A further consequence of this belief in the individual as a “blank slate” is that individuals can theoretically be perfected under the right social conditions. Therefore, liberals have often put great faith in the idea of a human progress to perfection, and in the idea of reforming social conditions as a solution to any social problem.
Comentário por shâmtia ayômide — Quarta-feira, 7 Julho 2010 @ 2:24 am |
O Olavo de Carvalho segue o princípio científico da navalha de Occam: não complicar o que é simples.
Comentário por O. Braga — Quarta-feira, 7 Julho 2010 @ 9:14 am |
[...] de como o dogma do mercado (o neoliberalismo) está ao serviço do marxismo cultural — o liberalismo “é um momento do processo revolucionário”. Quem ainda tinha dúvidas sobre esta realidade política, só por uma crença irracional no [...]
Pingback por Sobre a capa da revista Playboy, e Jesus Cristo num bordel « perspectivas — Sexta-feira, 9 Julho 2010 @ 7:36 am |
[...] — a educação. Sem uma cultura (seja esta antropológica ou intelectual) e uma educação às direitas, teremos sempre uma economia [...]
Pingback por A economia torta precisa de uma política conservadora que a endireite « perspectivas — Terça-feira, 8 Março 2011 @ 9:33 pm |
[...] seja predominantemente de Esquerda: é também característica de uma certa Direita liberal que, como escreveu Olavo de Carvalho, com “a firme decisão de submeter tudo aos critérios do mercado, inclusive os valores morais e [...]
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[...] Por detrás do inverno demográfico português que se agiganta, está a acção da Esquerda política, que inclui o Partido Socialista e mesmo o Partido Social Democrata. Enquanto existe uma esquerda mais radical, composta essencialmente pelo Partido Comunista e pelo Bloco de Esquerda, o Partido Socialista e o Partido Social Democrata fazem parte da chamada “esquerda fabiana” — são apenas dois partidos políticos, mais ou menos liberais na área económica, mas que se constituem como um momento do processo revolucionário. [...]
Pingback por Os traidores serão julgados, ou a traição acabará com Portugal « perspectivas — Terça-feira, 17 Maio 2011 @ 6:14 pm |
[...] Portanto, quando aqui se fala no CDS/PP como sendo um “partido liberal” (no sentido da mistura da doutrina de Hayek e do Objectivismo de Ayn Rand, que é a noção actual de “liberalismo”), essa classificação não coincide com o conteúdo dos estatutos do CDS/PP. Para se ver a diferença que existe entre um liberal e um conservador, aconselho a leitura deste texto. [...]
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