Existe um blogue português (no Blogspot.com) com o título “De Natura Rerum”. Este é o título de um poema de Lucrécio, um cidadão romano contemporâneo de Júlio César, que sofria de ataques de loucura a espaços e que se suicidou na sequência de um estado de loucura definitivo. Em suma, Lucrécio escrevia bem, mas era maluco — tal como Nietzsche. Lucrécio seguia a doutrina de Epicuro (o epicurismo), um grego de origem humilde e mesmo pobre que viveu entre o século IV e III a. C., e que criou a sua academia já na época helenística — ou seja, no tempo grego depois da morte de Alexandre.

Epicuro
A ideia de que Epicuro é o “pai da ciência”, proclamada por Lucrécio, é totalmente falsa e só pode ter vindo da cabeça de um louco. Podemos dizer que o pai da ciência é Demócrito ou mesmo Aristóteles, mas nunca podemos, em verdade, atribuir esse epíteto a Epicuro. Este foi um eticista e não um filósofo.
Não existiu em Epicuro nenhum interesse na investigação da natureza ou das ideias; pelo contrário, ele era contra a cultura, contra a leitura, contra o conhecimento e contra a investigação filosófica. Escreveu ao seu discípulo e jovem amigo Pitocles (Epicuro gostava muito de jovens): ” …foge de toda a forma de cultura”. (1)
O estóico Epícteto diz, referindo-se a Epicuro: “A vida a que dás valor é comer, beber, evacuar, copular e ressonar.” (1) Porém, não podemos dizer, em verdade, que Epicuro comia bem e bebia melhor, porque vivia à custa daquilo que lhe ofereciam e sem trabalhar; e em relação à cópula, a ideia de um Epicuro hedonista não é totalmente verdadeira. A relação sexual (entendida como o sexo separado do amor ou da paixão) era entendida por Epicuro como um “mal a conter”, e o sexo amoroso e apaixonado era criticado e desprezado. Epicuro gostava das crianças dos outros, mas era contra o casamento e contra a maternidade e paternidade (tirem as conclusões que quiserem). Podemos dizer que o epicurismo era uma espécie de niilismo materialista, de tipo “Dawkins”, naturalista e relativista moderno, misturado com um utilitarismo de tipo “Bentham” ou “Peter Singer”.
Sendo uma ética, tratava-se de um sistema prático (na opinião de Epicuro) para uma vida feliz. Esse sistema prático era baseado em uma espécie de “evangelho da libertação do medo” da morte e do inferno, o que transformou o epicurismo em uma espécie de religião. O epicurismo era uma religião que combatia as outras religiões na luta por um exclusivismo religioso — um pouco como acontece hoje com o naturalismo gnóstico e ateísta (não esquecer que um ateu pode não ser naturalista, enquanto que um naturalista é sempre um “ateu religioso”).















Já lera ontem. Desconhecia as características destes personagens históricos, Epicuro e Lucrécio. Efectivamente por aqui se vê de onde vem a inspiração, se é que se pode falar de inspiração, desta elite intelectual «com alvará de inteligência». Espero que tenha seguido o competente track back…
Comentário por Henrique — Segunda-feira, 3 Maio 2010 @ 7:16 am |
Você já ouviu falar de Petrónio? Era sábio, virtuoso e muito respeitado na corte de Nero. E também era epicurista! Você parece não gostar muito do período helenista. Consegue encontrar melhores filosófos hoje em dia? Para além disso, a ideia de Epicuro de uma natureza sem objetivo foi provada como correta por a moderna Biologia Evolutiva e Molecular. Epicuro até que acertou em alguma coisa.
Comentário por Carlos Costa — Quinta-feira, 16 Dezembro 2010 @ 2:39 am |
Vc está fazer confusão entre Epicuro e Demócrito. E esta minha resposta pode ser entendida em relação a todos os aspectos do seu comentário.
Comentário por O. Braga — Quinta-feira, 16 Dezembro 2010 @ 5:17 am |
Carlos Costa : a ler :
http://goo.gl/YXFyd
Comentário por O. Braga — Quinta-feira, 16 Dezembro 2010 @ 5:21 am |
Além disso, as ciências da natureza não provaram nada disso que você diz. A sua linguagem (ou o seu discurso) não é científica. Demonstre-me ou dê exemplos daquilo que afirmou.
Comentário por O. Braga — Quinta-feira, 16 Dezembro 2010 @ 5:27 am |