José Pacheco Pereira diz que “a questão da proibição do incesto” é um argumento ad terrorem, mas não diz por quê, o que pode em si mesmo significar um argumento ignoratio elenchi uma vez que o argumento utilizado não leva objectiva e necessariamente à conclusão por ele invocada.
Estou de acordo com a essência do postal. O argumento da “não obrigatoriedade da procriação no casamento” ― invocado pela agenda política que defende (entre outras coisas) o “casamento” gay, para além de poder invocar legitimamente “outras formas” de “casamento” ― é desmontado aqui.
E não existe a possibilidade retirar “a instituição do casamento do seu contexto religioso, histórico, cultural e civilizacional” sem alterar a “religião” de Estado ― e mesmo que a religião de Estado (no sentido intramundano e não no sentido transcendental ou divino, obviamente) seja alterada, o casamento teria que ser estritamente definido, de algum modo, de acordo com essa nova religião de Estado. O problema é saber se essa nova “religião de Estado” não pretende ser uma nova forma de “monoteísmo absolutista”, ou se continuaria aberta à diversidade do “politeísmo” que apregoa, correndo o risco de se colocar em causa a si mesma.




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